Jornalismo: Gêneros, História e Propriedades Textuais

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A Linguagem Jornalística: Funções e Características

A linguagem jornalística tem como principais funções: informar, educar e entreter. As informações devem ser confiáveis, em primeira mão, contrastadas, suficientes e objetivas.

Características da Linguagem Jornalística

  • O emissor é a empresa jornalística e o receptor é anônimo, múltiplo e heterogêneo.
  • São utilizados diferentes códigos: linguísticos, tipográficos e iconográficos.
  • A mensagem é composta por um conteúdo específico de informações como objetivo final.
  • O contexto situacional é formado por todas as circunstâncias relacionadas com o assunto.

Aspectos Negativos do Jornalismo

  • A deformação do conteúdo, geralmente por simplificação.
  • O esquecimento de que os receptores não são uma massa homogênea.
  • Seu caráter conservador e sua falta de criticidade.
  • Sua apresentação alinhada aos princípios da sociedade de consumo.
  • O extraordinário poder que possui como ferramenta para impor uma ideologia.
  • A natureza passiva da recepção.

Erros Comuns e Características Linguísticas em Textos Jornalísticos

Erros, incorreções e expressões inadequadas:

  • Uso indevido do léxico.
  • Uso excessivo e inadequado de neologismos, estrangeirismos e barbarismos.
  • Eufemismos.
  • Generalizações.
  • Criação de novas palavras através de afixação e composição.
  • Uso excessivo de siglas e acrônimos.

Traços Morfossintáticos

  • Propensão a frases mais longas.
  • Abundância da voz passiva.
  • Tendência a colocar o sujeito no final.
  • Mistura de estilo direto e indireto.
  • Uso de barbarismos, galicismos e anglicismos.
  • Perífrase ser + estar + particípio passado.
  • Eliminação de preposições.
  • Uso do condicional de possibilidade.

Traços Retóricos

  • Metáforas.
  • Metonímia.
  • Hipérbole.
  • Personificações.

Gêneros Jornalísticos

Textos Informativos

Caracterizam-se por:

  1. Informação objetiva sobre eventos da atualidade.
  2. Prevalência da narrativa e descrição.
  3. Anticlímax ou estrutura em pirâmide invertida.

1. Notícia

É a informação objetiva de um evento já marcado pela novidade e interesse. Deve ser breve, concisa, clara, objetiva e impessoal. Na notícia, a narração do fato geralmente começa pelo aspecto mais notável.

Estrutura da Notícia

Na notícia, o interesse diminui progressivamente. O mais importante está no topo. Consiste no seguinte:

  • Manchete: recolhe a informação essencial.
  • Lide (ou entrada): resumo do essencial.
  • Corpo: desenvolvimento da informação.
Aspectos Linguísticos na Notícia

Ao escrever uma notícia, devem aparecer os seguintes aspectos linguísticos:

  • A objetividade é demonstrada com o uso da 3ª pessoa gramatical, adjetivos especificativos, dados verificáveis, valor denotativo das palavras, baixa ocorrência de advérbios e registro de língua padrão culta.
  • Linguagem denotativa, com explicação de termos técnicos quando aparecem.
  • Sintaxe fácil, simples e composta por orações coordenadas.

2. Reportagem

Segue a estrutura da notícia, mas se desenvolve de forma mais completa e objetiva.

  • Citações frequentemente aparecem entre aspas, entrevistas com especialistas na área, informação gráfica.
  • Sempre é assinada, com provas operacionais objetivas, mas humanizadas. O emissor da reportagem torna-se uma testemunha ocular.

3. Entrevista

O modo de discurso que serve de estrutura para este tipo de texto é o diálogo em estilo direto, pergunta-resposta, intercalando, por vezes, comentários com função expressiva do entrevistador. Em qualquer caso, é preciso um perfil do entrevistado antes de introduzir dados pessoais, comentários subjetivos, etc.

Textos de Opinião

Textos de opinião em jornais e revistas apresentam uma organização estrutural livre. No entanto, são organizados em um número variável de parágrafos externos, que se estruturam em três partes:

  • Introdução: exposição do tema (eventos atuais, desenvolvimento da notícia, etc.).
  • Desenvolvimento: dados, argumentos, julgamentos, opiniões.
  • Conclusão: que encerra o artigo de opinião.

Estes textos utilizam a exposição e a argumentação como modos de discurso ou outras formas de expressão. Tentam persuadir o destinatário, o que frequentemente se manifesta na função conativa, explícita ou implicitamente.

1. Editorial

Pressupõe uma reflexão ponderada sobre um problema atual, apresentando suas diferentes facetas e oferecendo possíveis soluções. O editorial não é assinado e não é valorizado individualmente; suas ações têm um propósito bem definido: criar um clima de opinião de acordo com os pareceres do jornal. Representa, portanto, a opinião do jornal como empresa sobre qualquer tema ou notícia. A estrutura interna deve seguir uma abordagem lógica para a exposição do tema, análise, conclusões e expectativas.

2. Artigo

Um repórter ou colaborador regular explica, com algum detalhe, sua opinião sobre um tema de interesse atual ou de seu histórico artístico, científico, etc. Normalmente, parte da exposição de fatos para apresentar suas visões pessoais sobre eles, seus pontos de vista e opiniões. Existem diversas variantes: artigos de costumes, crítica de arte, etc.

3. Coluna

É uma variante do editorial ou artigo de opinião, devendo seu nome ao formato do texto. Geralmente, ocorre em um horário fixo e no mesmo local do jornal.

4. Crítica

Uma análise avaliativa de uma obra literária, artística ou de uma representação de qualquer tipo. Sua finalidade é informar sobre diversos eventos culturais, desportivos, etc., e emitir julgamentos sobre essas questões do ponto de vista de um especialista na área em questão.

5. Carta ao Editor

Uma carta de opinião sobre qualquer tema da atualidade. É a única possibilidade de interação entre o público e o jornal. Deve sempre ser assinada. Os temas são muito variados, e é o próprio jornal que estabelece limites de duração e apresentação.

Gêneros Híbridos

Crônica

É considerada um gênero híbrido, a meio caminho entre a informação e a opinião.

  • Sua estrutura é típica do gênero notícia, e o modo de discurso é a narração focada no processo de desenvolvimento dos eventos relatados. É uma narração informativa.
  • É assinada e frequentemente inclui avaliação pessoal, com o aparecimento de adjetivos avaliativos, advérbios de modo, e figuras de linguagem como comparação ou metáfora. Há uma clara disposição estilística por parte do emissor.
  • A função predominante continua sendo a referencial, mas as opiniões pessoais inserem a função expressiva.

Notícia Comentada

É uma das modalidades utilizadas pela imprensa hoje. Sua função é selecionar e interpretar um determinado evento. Geralmente aparece assinada, pois o jornalista pretende dar seu cunho pessoal. Tem pontos de contato com a crônica, mas distingue-se fundamentalmente pela fonte de informação factual, que é indireta no caso do comentário de notícias.

Jornalismo Espanhol no Século XX

Jornalismo Espanhol até 1939 (Fim da Guerra Civil)

Nos últimos anos dos séculos XIX e XX, surgiu nos EUA e em alguns países europeus uma nova geração de jornais, o chamado Novo Jornalismo, cujo principal exemplo foi o World, de Pulitzer. Estes foram os primeiros jornais de massa, que aumentaram drasticamente sua circulação, incluíram muitas páginas de publicidade, estabeleceram-se em grandes edifícios e obtiveram lucros até então insuspeitados.

Qualitativamente, esses jornais abandonaram velhas fórmulas e assumiram novas funções na sociedade do século XX. Tornaram-se instrumentos de influência política e ideológica, mas também bens de capital e consumo, vendidos a preços baixos e oferecendo aos seus leitores um produto atraente e bem acabado. Neste contexto, surgiram os tabloides, cujo maior representante foi Hearst, com seu jornal New York Journal. Embora essa fórmula tenha falhado, muitos de seus aspectos de forma e conteúdo influenciaram a imprensa atual. Os grandes benefícios econômicos desses primeiros jornais de massa os tornaram o eixo de poderosos monopólios de informação (Pulitzer, Hearst, RCA, CBS).

Em reação ao "jornalismo amarelo", surgiram também, nessa época, jornais de informação geral de elite, cujo modelo foi o New York Times, que criou uma nova forma de jornalismo baseada na documentação e análise completa dos fatos.

Novos Meios e Modelos de Jornalismo na Espanha

Na Espanha, embora o antigo modelo de jornalismo político permanecesse em vigor, novos meios se definiram como independentes:

  • La Época (1867): cujo suplemento literário, El Lunes de La Época, publicado de 1879 a 1906 sob a direção de Ortega Munilla, divulgou os autores mais importantes da época: Zorrilla, Valera, Campoamor, Pardo Bazán, Rubén Darío. El Lunes de La Época também "lançou ao estrelato" os escritores mais significativos da Geração de 98: Unamuno, Azorín, Baroja, Valle-Inclán.
  • La Vanguardia (1881): jornal catalão criado em 1881 pelos irmãos Godó.
  • ABC: semanário fundado por Torcuato Luca de Tena em 1903, que em 1905 se tornou um jornal de ideologia monárquica e conservadora.
  • El Sol: fundado em 1917, Ortega y Gasset foi uma grande inspiração intelectual, que também fundou o Diario del Oeste, uma verdadeira renovação da vida cultural e social do país.

Esses eram jornais de negócios, que favoreciam a eficiência econômica e usavam a publicidade como principal meio de financiamento. Os jornais espanhóis tinham as mesmas qualidades e objetivos da mídia de massa, mas não alcançaram a mesma tiragem dos jornais estrangeiros, devido à falta de um público amplo: a Espanha ainda era pouco urbanizada, com altos índices de analfabetismo.

No entanto, os jornais espanhóis apresentavam muitos traços dos jornais de massa: textos com linguagem menos complicada e mais ágil, renovação lexical e estilística, layout mais atraente com fotografias, e conteúdos que refletiam o gosto da cultura de massa: entretenimento público (futebol, touradas, seção de eventos sociais), teatro político, referências a outras mídias (impressa e cinema), etc. Também surgiram páginas especiais ou suplementos de economia, entretenimento, arte, esporte, agricultura, mulheres e crianças. Além disso, o impacto da Primeira Guerra Mundial intensificou o interesse em questões externas.

É preciso ressaltar as relações e ligações entre imprensa e literatura: os grandes escritores da Geração de 98, de 1914 e de 1927 (Unamuno, Valle-Inclán, Azorín, Antonio Machado, Ortega y Gasset, etc.) não só publicaram excelentes artigos na imprensa, mas também em jornais e revistas surgiram romances serializados de Pío Baroja, ensaios de Unamuno ou poemas de Juan Ramón Jiménez, Antonio Machado, Lorca, Alberti, Cernuda.

Em 1936, eclodiu a Guerra Civil, e a informação desapareceu nas duas áreas para se tornar propaganda descarada. No lado republicano, os jornais de extrema-direita foram apreendidos e utilizados para fins republicanos. O mesmo ocorreu no lado que se revoltara contra a República, com os jornais esquerdistas. A Igreja foi a organização de serviço completo de Franco, e a propaganda falangista teria diferentes publicações. Para levantar o moral dos combatentes e intimidar os inimigos, surgiram as publicações regulares.

A Imprensa Espanhola (1939-1975)

Após a Guerra Civil, vieram os anos da ditadura militar do General Franco, que manteve uma constante obsessão pelo controle da imprensa e outros meios de comunicação. Este período pode ser dividido em duas fases:

Censura Prévia (1939-1966)

  • A censura prévia foi aplicada com extremo rigor.
  • Todos os meios de comunicação ligados à República foram excluídos.
  • Textos e slogans de propaganda designados pelos chefes de todos os jornais foram introduzidos.
  • A imprensa era monótona, sem espaço para qualquer crítica.
  • Existiam três tipos de jornais: de propriedade privada (como ABC, La Vanguardia, etc.), da Igreja (Ya) e do "Movimento" (Arriba, El Alcázar).
  • Destaca-se também o jornal Pueblo, de propriedade dos sindicatos verticais e escola de muitos dos jornalistas que impulsionariam a renovação da imprensa durante a Transição.

Lei de Imprensa e Abertura Relativa (1966-1975)

  • O segundo período começou em 1966 com a aprovação da "Lei de Imprensa" (Lei Fraga), que trouxe uma relativa abertura da informação.
  • Começaram a ser publicadas informações antes restritas (como no diário Madrid), e na imprensa oficial era impensável perder muito.
  • Surgiram revistas mensais e semanais que tinham menos controle diário e foram fundamentais na divulgação de ideias sobre a necessidade do fim da ditadura: Cuadernos para el Diálogo, Triunfo, Destino e Cambio 16.
  • Também proliferaram as revistas de celebridades (¡Hola!, Diez Minutos, Lecturas, Semana) e alcançou significativo sucesso o semanário Caso.
  • A maioria dos jornais populares e esportivos, como Marca, eram.

A Imprensa Espanhola Pós-1975 e a Era Digital

Na década de 70, iniciou-se uma crise que deu acesso à sociedade da informação em que operamos. O desenvolvimento de novas tecnologias afetou todos os meios de comunicação. Há uma tendência crescente para a concentração dos emissores. A informação torna-se cada vez mais um fenômeno supranacional, e há um claro predomínio das agências e da televisão americana.

Muitos estados privatizaram os meios de comunicação públicos, deixando-os controlados por grandes grupos empresariais. O mercado audiovisual torna-se cada vez mais importante, espalhando-se diariamente pela força do ícone: a mídia, até mesmo a de elite, incorpora cada vez mais o visual e a cor; surgem novos gêneros visuais, como gráficos de computador, e transmissões de televisão são incluídas, mesmo em jornais sérios, com conteúdo mais leve.

Na Espanha, após a transição democrática, a imprensa viveu um boom com o surgimento de publicações de todos os tipos. Além de jornais com história, como ABC e La Vanguardia, novos títulos como El País e El Mundo se solidificaram como empresas de comunicação e grupos de poder. Um atrativo desses meios é a lista de editores e colaboradores, entre os quais se encontram os mais importantes escritores de nosso tempo: Gala, Cela, Umbral, Delibes, Torrente Ballester, García Márquez, etc.

  • Jaime Campmany: com um estilo popular e uma presença habitual de citações cultas e personagens caricatos da vida política e social, escreveu em La Verdad e ABC, destacando-se por seus artigos "Cartas Batuecas" e "Cenas de Políticos", reunidos em seu livro Doy mi palabra.
  • Francisco Umbral: renovador da linguagem jornalística, destaca-se pela acumulação de recursos em seus artigos, tratados como a própria vida de uma pessoa. Foi crítico do regime e escreveu em El Norte de Castilla, El País (com "Diario de un snob" e "Memorias de un niño de siglo"), Diario 16 (com "Guantes de papel") e El Mundo.
  • Antonio Gala: abordou temas populares como a dignidade humana, liberdade, amor, dor e a passagem do tempo. Seus pensamentos eram frequentemente direcionados a um parceiro específico, destacando-se "Cuaderno de la dama de otoño", "Dedicado a Tobías, que va conmigo" ou "Carta a los herederos". Também colabora com uma coluna diária em El Mundo.

Propriedades Textuais: Adequação, Coerência e Coesão

A textualidade de um texto é o conjunto de condições que garantem sua existência, tais como:

Adequação

Entendemos por adequação a conformidade com as normas relativas à constituição de um texto, que se relaciona com o receptor, com o objeto ou com a situação. As regras gerais são as seguintes:

  1. Adaptação ao receptor: considerando seu conhecimento, idade, nível educacional, status pessoal ou social.
  2. Adequação ao tema: não se desviar do objeto do texto.
  3. Adaptação à situação comunicativa: utilizando o registro linguístico adequado (coloquial, formal, etc.).

Por exemplo, currar, fazer, executar ou realizar podem ser sinônimos em alguns contextos, mas têm diferentes valores sociolinguísticos: o primeiro é muito coloquial, vulgar; o segundo não tem conotação negativa e pertence a um nível familiar de formalidade; e os dois últimos são formalmente marcados e pertencem a um registro mais especializado e culto. Em uma exposição pública, a adequação nos obriga a usar os dois últimos para dar um tom técnico (conclusão do projeto, elaboração do relatório), mas também o neutro fazer (para o projeto e relatório). Currar, por sua vez, só nos permitiria dizer o inquérito e o relatório em uma conversa entre amigos, muito informal, porque cumpre o princípio da adequação.

Coerência

A coerência textual é a propriedade que indica quais informações relevantes devem ser comunicadas e como isso deve ser feito (em que ordem, com que detalhe, com que estrutura, etc.). As principais características da coerência textual são:

Quantidade e Qualidade da Informação

  • Quantidade de informações: controla as informações pertinentes para cada tipo de comunicação, verificando se todos os dados necessários são fornecidos, sem excesso (repetição, redundância de dados irrelevantes, etc.) ou defeitos (lacunas de sentido, poucos dados ou pressupostos implícitos que o receptor não domina).
  • A seleção de informações de um texto depende de fatores contextuais: a finalidade do emissor, o conhecimento prévio do receptor, o tipo de mensagem, convenções e rotinas.
  • Qualidade da informação: controla se as ideias são claras e compreensíveis, se são apresentadas de forma completa, progressiva e ordenada, com exemplos adequados, etc. Ou, inversamente, se são detectadas ideias obscuras, falta de detalhes, declarações muito gerais e teóricas, ou excessivamente anedóticas.
Mecanismos para Coerência

Para que a quantidade e a qualidade da informação funcionem adequadamente, há uma série de mecanismos:

  1. Tópico ou Assunto: É aquilo de que se fala ou escreve e a que devem subordinar-se todas e cada uma das frases do texto.
  2. Pressuposições: É uma informação que o emissor do texto pressupõe que o destinatário conhece. É essencial para um texto coerente que o remetente tenha sido bem-sucedido em suas suposições.
  3. Implicações: É uma informação adicional contida em um enunciado. Uma declaração como "porta fechada" contém pelo menos três implicações: existe uma porta, a porta está aberta e o receptor é capaz de fechá-la.
  4. Conhecimento de Mundo: A coerência de um texto depende também do conhecimento geral do nosso mundo, compartilhado pelo emissor e pelo receptor. Por exemplo, uma declaração como "Os pássaros visitam o psiquiatra" contradiz nossa compreensão da realidade.
  5. Marco: É o tipo de texto, a finalidade e a situação comunicativa em que ocorre. Dependendo do contexto, uma certa afirmação pode ser consistente, mas colidir com o nosso conhecimento geral do mundo. Por exemplo, a afirmação acima, "Os pássaros visitam o psiquiatra", teria coerência em um texto literário com finalidade estética, como na música de Joaquín Sabina, "Deixe que falem de Madrid".

Estrutura da Informação

Como organizar as informações do texto? Os dados são estruturados logicamente em uma ordem específica (cronológica, espacial, etc.)? Cada ideia é desenvolvida em um parágrafo ou unidade independente? Novas informações são dadas progressivamente? Alguns dos conceitos importantes para esta seção são:

Macroestrutura e Superestrutura

A macroestrutura é o conteúdo semântico da informação, logicamente ordenado, enquanto a superestrutura é a forma como essa informação é apresentada em um determinado texto. Por exemplo, no caso de um acidente de trânsito, a macroestrutura ordenaria logicamente os dados do evento: os atores (motoristas e seus veículos), os fatos (a colisão, a ultrapassagem, etc.), as circunstâncias (velocidade, rodovia, etc.), as causas (frenagem, guinada, etc.), as consequências (lesões, saída da pista, etc.). Se este fato aparece em um jornal, o texto terá provavelmente a superestrutura de um comunicado de imprensa, ao passo que se os mesmos fatos forem apresentados em uma denúncia, em uma conversa oral ou em uma solicitação, os fatos serão ordenados de forma diferente de acordo com a superestrutura de cada um desses tipos de texto: a denúncia deve conter seções sobre fatos e alegações, a conversa será uma narrativa cronológica, e a solicitação distinguirá exposições e pedidos.

Progressão Temática: Tema e Rema

Os conceitos de tema e rema, a princípio, foram aplicados às estruturas de frases. O tema é o ponto de partida do enunciado, conhecido pelo receptor; o rema é tudo o que fornece nova informação, ou seja, a substância, o que é realmente novo. O tema também é chamado de tópico, e o rema também é chamado de comentário. Tema e rema nem sempre coincidem, respectivamente, com o sujeito e o predicado gramaticais, mas muitas vezes correspondem em um enunciado.

De qualquer forma, a ordem das palavras de uma frase muitas vezes condiciona o tema e o rema do enunciado. Por exemplo:

Enunciado

Tema

Rema

Paco disse-me a verdade

Paco

Ele me contou a verdade

A verdade, eu disse a Paco

A verdade

Paco disse-me

Paco disse-me a verdade

Eu

Paco disse a verdade

Esta situação ocorre devido à topicalização, pela qual os falantes podem transformar qualquer elemento em um tema de frase: Eva foi vista no museu (redundante "a" = "Eva") // Sim, sim, eles viram Eva no museu (um verbo se torna o objeto de uma declaração).

Coesão

Coesão é a dependência gramatical entre as diferentes unidades que compõem um texto. Assim como no caso da coerência, há uma série de mecanismos que conferem coesão a este texto:

Referência

É o mecanismo para se referir a algo mencionado no texto ou a qualquer outro elemento da situação comunicativa. Existem dois tipos de referência:

Tipos de Referência
  • Referência situacional: Alguns elementos do texto se referem a outro elemento da situação comunicativa que não é mencionado no enunciado: Eu quero isso (apontando para um objeto ali presente).
  • Referência textual: Alguns elementos do texto se referem a algo já indicado anteriormente (anáfora) ou que será definido depois (catáfora). Pepe estava atrasado. Ele havia perdido o ônibus.

Estavam todos lá: Pedro, Maria, João e Eva.

Nos exemplos acima, "ele" é um elemento anafórico, enquanto "todos" é catafórico.

Dêixis

É um mecanismo linguístico que indica quem (dêixis pessoal), onde (dêixis espacial) e quando (dêixis temporal). Os dêiticos têm um significado ocasional que depende de cada texto específico (o dêitico não pode especificar qualquer local). As ferramentas mais comuns para a dêixis são:

Tipos de Dêixis
  • Dêixis pessoal: pronomes pessoais e possessivos.
  • Dêixis espacial: demonstrativos e advérbios de lugar.
  • Dêixis temporal: advérbios de tempo.

Substituição

A substituição de um elemento por outro: João desenhou uma casa. Pedro desenhou a mesma. A substituição está ligada à referência anafórica ou catafórica, conforme o caso, e é feita principalmente através de elementos proformas ou especializados no papel de substituto. Entre elas estão:

1. Proformas Gramaticais
  • Os pronomes, especializados na substituição de substantivos: (Houve Maria, ficaram felizes / Manolo raspou a barba), demonstrativos, possessivos, indefinidos, interrogativos, relativos... (Seu rosto corado / muitos sabiam / Quem é o livro?).
  • Os proadvérbios, especializados em substituir ou adicionar advérbios circunstanciais, como em: "João mora lá, diz que" no campo.
2. Proformas Lexicais

Nominais e verbais, são palavras especializadas na substituição. Também chamadas de "palavras coringa", podem ser nominais (coisa, fato, assunto, questão, ...) e verbais (especialmente o verbo fazer).

Elipse (Omissão)

A omissão de um elemento da comunicação que é compreendido: João desenhou uma casa e Pedro uma ovelha.

Isotopia

Consiste na repetição de unidades linguísticas ligadas por sua forma ou significado. Pode ser de três tipos:

  • Gramatical: consiste na repetição de elementos da mesma categoria gramatical (substantivos, adjetivos, etc.).
  • Semântica e lexical: consiste na acumulação de palavras que pertencem ao mesmo campo semântico, ou na repetição da mesma palavra ou de sinônimos.
  • Fônica: consiste na repetição de sons.

Conectores

São palavras ou expressões que relacionam partes do texto. Os conectores podem funcionar como conjunções, advérbios ou locuções adverbiais ou conjuntivas. Os conectores podem expressar:

Adição: (e, também, para iniciar).

Temporal: (depois, em seguida, claro).

Alternativa: (por outro lado, um pouco).

Restrição: (mas, porém).

Causa: (assim, por isso, para isso).

Ordem: (primeiro, último).

Objeção: (embora).

Resultado: (portanto, consequentemente, é claro).

Especificação: (por exemplo, isto é, ou seja).

Marcadores Discursivos

Os marcadores discursivos (ou conectores extraoracionais) ordenam determinadas partes do texto, por exemplo, blocos, pontos, etc. O objetivo dos marcadores é explicitar o modo de discurso e a ordem das informações inseridas no texto ou em um roteiro (Para começar, primeiro, segundo, finalmente, para concluir, por último, em suma...). Também em textos escritos, expressões como acima, abaixo, e depois... ou referências diretas a seções ou capítulos desempenham esse papel.

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