Juan Ruiz, o Arcipreste de Hita e o Livro de Buen Amor

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Para salvar suas vidas e as de seus filhos, Juan Ruiz, o Arcipreste de Hita, apresenta uma obra que podemos considerar pré-humanista, pois em seu trabalho o homem não é apenas o centro religioso de tudo. Com ele, vence o amor pleno e a alegria de viver. Sua nova literatura sobre o humor e a sátira ganha espaço e perde o dogmatismo. Escreveu parte do poema na prisão, onde foi detido por supostamente violar as leis da Igreja ao ter uma concubina.

O Livro de Buen Amor

O manuscrito das primeiras versões sobreviventes do Livro de Buen Amor data de 1330. Sua estrutura consiste em um prólogo autobiográfico (onde Don Melón é uma máscara do autor), narrativas exemplares, sátiras, reflexões morais e poemas diversos.

  • Fontes principais: Ars Amandi, de Ovídio, e Pamphilus de Amore.
  • Intenção: Ambiguidade. Ramón Menéndez Pidal o chama de "adeus à fórmula humorística do mester de clerezia".
  • Didatismo: Os fracassos amorosos do protagonista garantem o tom educativo, servindo também de aviso para as mulheres sobre as falsas boas intenções dos homens e dos velhos.

A Evolução da Sociedade

O mundo feudal começa a ruir: A realeza enfraquece ao ceder poder à nobreza (classe dominante). A Igreja perde influência social e o intelectualismo começa a florescer. Surge a ascensão do artista, e o poder nobre estabelece relações de clientelismo com poetas e trovadores. Aragão e Castela unem-se, culminando no final da Reconquista de Granada em 1492.

O Trovador: Entre o Culto e o Popular

Retoma-se o prestígio da "Gaia Ciência" (Ciência Alegre) dos trovadores. Em 1393, foi fundada uma academia de poesia em Barcelona que organizava concursos chamados Jogos Florais. Eram competições onde os jograis recitavam poemas escritos previamente, mas onde também cabia a improvisação. Exibia-se uma mistura do culto e do popular; os poetas utilizavam coros e cantigas de palácio em suas composições.

Poetas Cultos e Populares

No século XV, os poetas cultos sentem-se atraídos por temas como ditados e provérbios. Os poetas agora pertencem a diferentes classes sociais:

  • Reis: João II
  • Nobres: Marquês de Santillana
  • Intelectuais: Juan de Mena
  • Religiosos: Íñigo de Mendoza
  • Mendigos: Álvarez de Villasandino

Jogral vs. Poeta

A palavra "jogral" cai em desuso, dando lugar ao termo menestrel. Surge a figura do poeta com aspirações de publicar suas obras. No híbrido literário, misturam-se o popular e o culto, a rua e o palácio, o orgulho e o humor. Esse patrimônio sincrético é a marca da nossa literatura por séculos.

O que eram os Cancioneiros?

Antologias são coleções que abrigavam poetas e trovadores de várias tendências. Destacam-se a poesia cancioneril castelhana e a galego-portuguesa.

Temas Principais

  • Amor: O amor cortês, originário da Provença, torna-se moda na Espanha no século XV. É uma poesia baseada no serviço à dama, marcada pela supremacia da aristocracia, uma "religião do amor" (o ser amado como sagrado) e o adultério (o amor apaixonado contra o casamento monótono).
  • Moralidade e Morte: Composições eruditas repletas de alegorias sobre a morte, tema onipresente na Idade Média. Reflete o esforço de doutrinação da Igreja sobre um Deus justo (Dança da Morte). Destaca-se o Cancioneiro de Baena, onde a morte surge para pregar o medo.
  • Sátira: A instabilidade social do século XV favorece a sátira contra adversários, a nobreza e até a Igreja (alvo da Inquisição).
  • Religião: Contém louvores e súplicas à Virgem e aos santos, com um zelo frequentemente didático.

O que são os Romances?

São considerados fragmentos de canções de gesta que permaneceram na memória popular. Consistem em séries de versos octossílabos com rima assonante nos pares. É o gênero genuinamente espanhol.

Tipos de Romances:

  • Romances Velhos: Primitivos, criados pela tradição oral dos jograis até o século XV. Possuem caráter épico-lírico. Temas: Históricos, Fronteiriços, Carolíngios e Bretões.
  • Romances Novos: Autores das Idades de Ouro aplicaram o gênero a novos temas: pastoris, religiosos, mitológicos ou líricos de ficção. Exemplo: Romance da perda de Alhama/Granada.

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