Juízos de Facto e de Valor: Perspetivas Axiológicas

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A ação humana nunca é neutra ou imparcial, pois é sempre orientada por valores (justiça, honestidade, liberdade) que condicionam as nossas opções e preferências.

Juízos de Facto e Juízos de Valor

  • Juízos de Facto: Constatam a realidade. Podem ser avaliados empiricamente como verdadeiros ou falsos.
  • Juízos de Valor: Avaliam a realidade. Expressam uma preferência, acrescentando o que gostaríamos que ela fosse (o belo/feio, bom/mau, justo/injusto).

Se não descrevem a realidade, têm valor de verdade?

Subjetivismo Axiológico

Os juízos morais não descrevem a realidade exterior, mas sim os sentimentos e opiniões do sujeito que os enuncia. Os factos morais só são verdadeiros para quem os diz (uma opinião vale o mesmo que a sua contrária).

  • Argumento da Discordância: Como há desacordo constante nos juízos morais, é impossível que estes sejam objetivos.
  • Fragilidade: Não é verdade que discordamos sempre acerca de todos os valores. Além disso, a existência de desacordo não é uma condição exclusiva da moral e não prova que a verdade objetiva não exista.
  • Argumento do Conflito de Valores: Numa situação de conflito, não é possível encontrar critérios objetivos que reponham a verdade de uma das posições.
  • Fragilidade: Mesmo em situações de impasse, existem critérios objetivos que permitem superar o conflito e definir logicamente o que vale ou não como aceitável.

Relativismo Axiológico

Os valores são inteiramente relativos a cada sociedade humana; sociedades diferentes possuem códigos morais diferentes. Os juízos morais são verdadeiros ou falsos apenas consoante expressam ou não as crenças e preferências aceites por essa cultura específica.

  • Argumento da Tolerância: Se não aceitarmos que todos os valores são relativos, estaremos a negar a tolerância e a impor os nossos valores aos outros de forma etnocêntrica.
  • Fragilidades: Ao defender que todos os valores são relativos e que, por isso, devem ser obrigatoriamente respeitados, o relativismo cria um juízo de valor ("devemos tolerar") que pretende ser universal (não relativo), caindo numa contradição.
  • Nega a liberdade de os indivíduos se formarem e orientarem pelos seus próprios valores pessoais, forçando-os a seguir exclusivamente os da sua cultura.

Objetivismo Axiológico

Existem valores objetivos. Os juízos morais são independentes das valorações individuais ou sociais; quando alguém aceita um juízo moral, é possível verificar a sua verdade de forma objetiva e racional.

  • O Método: O indivíduo deve realizar uma análise imparcial da situação com base em critérios que valem acima das suas preferências pessoais ou culturais. O juízo realiza-se a partir do sentido individual de moralidade que dita o que está certo ou errado.
  • Valores Universais: Há valores que se sobrepõem aos costumes e às tradições das sociedades e que nunca podem ser desobedecidos, tais como o respeito pela vida, a dignidade humana e a integridade física.

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