Justiça como Equidade: A Teoria de John Rawls
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A Teoria da Justiça Social de John Rawls
A teoria de John Rawls, tal como a de Kant, é de natureza deontológica, mas é uma teoria mais social e política do que moral. Para Rawls, a sociedade é um conjunto de pessoas cujas relações se regulam por alguns princípios de justiça que têm de se impor com a força de imperativos categóricos, estando de acordo com o critério da universalidade. Tais princípios ou normas de justiça são estabelecidos num contrato social e Rawls admite os seguintes pressupostos:
- Igualdade racional de todos os homens.
- O homem é um fim em si mesmo e não um meio.
- A dignidade humana é de caráter essencial e intrínseco a qualquer ser humano.
A tese de Rawls sintetiza-se numa conceção geral de equidade: todos os bens sociais primários têm de ser distribuídos de um modo igual, a menos que uma distribuição desigual de um ou de todos estes bens resulte em benefício dos mais desfavorecidos. Concretamente, esta conceção desenvolve-se em torno de dois princípios: o da igualdade e o da diferença.
Princípio da Igualdade
“Cada pessoa tem igual direito a um conjunto de liberdades básicas, compatível com um regime de liberdades para todos.” Este princípio refere-se a um conjunto de liberdades fundamentais (política, expressão, consciência, integridade pessoal) e tem prioridade sobre o segundo, baseando-se na ideia de que o bem coletivo é superior ao bem individual.
Princípio da Diferença
“As desigualdades económicas e sociais obedecem a duas condições: 1. Os maiores benefícios possíveis devem ser distribuídos aos mais desfavorecidos. 2. Devem resultar do exercício de cargos e funções disponíveis para todos em condições de uma igualdade equitativa de oportunidades.” Este princípio garante a proteção civil e a distribuição de benefícios (riqueza, empregos, posições sociais).
Procedimentos de Imparcialidade
Para promover a justiça, Rawls propõe três conceitos fundamentais:
- Posição original: Uma situação hipotética inicial que permite estabelecer as condições de equidade ou imparcialidade.
- Acordo original: Os princípios da justiça são objeto de um acordo aceite por pessoas racionais e livres numa posição inicial de igualdade.
- Véu da ignorância: Condições iniciais onde os sujeitos não possuem interesses particulares, agindo como “sujeitos universais” para garantir a imparcialidade.
Estado, Ética, Direito e Política
O Conceito e Funções do Estado
Estado é uma organização política de uma comunidade com vista à manutenção da ordem dentro do seu território. O Estado é responsável pela organização e controlo social, detendo o monopólio do uso da força para regular a conduta através de leis.
Definições de Ética, Direito e Política
- Ética: Reflexão teórica sobre os fundamentos, valores e princípios que estruturam os sistemas morais.
- Política: Organização do poder no interior do Estado e manutenção do equilíbrio social.
- Direito: Conjunto de leis que regem coercivamente o comportamento humano, prescrevendo sanções.
Inter-relação e Necessidade
A vida política democrática é indissociável de princípios éticos. Enquanto a política visa o equilíbrio social, o direito é necessário para garantir a justiça nas relações interpessoais e a resolução de conflitos entre diferentes morais.
Tipos de Justiça
- Justiça: Equilíbrio entre liberdade individual e solidariedade social.
- Justiça social: Repartição proporcional dos bens básicos segundo a equidade.
- Justiça legal: Regula as obrigações dos cidadãos perante o Estado.
- Justiça comutativa: Regula as relações entre os cidadãos.
- Justiça distributiva: Regula as obrigações do Estado para com os cidadãos.