Karl Marx: Alienação, Capitalismo e Ideologia
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Karl Marx: Alienação e Capitalismo
Para Marx, o homem é essencialmente social e histórico, cuja atividade principal é o trabalho.
Define-se a alienação como o fenômeno da supressão da personalidade do indivíduo, controlando e invertendo sua livre vontade, com o objetivo de torná-lo dependente. Em relação ao capitalismo, a alienação é estabelecida como um desequilíbrio no processo de produção que tem sua origem na divisão do trabalho e na propriedade privada. A alienação está intrinsecamente ligada à exploração econômica dos trabalhadores, mas também possui uma dimensão social: a condição econômica da sociedade coincide com a divisão em classes. As causas são as condições econômicas que incidem sobre a propriedade privada dos meios de produção. Assim, temos a classe exploradora e a classe explorada.
Embora a alienação seja uma constante da história humana, ela atinge sua maior expressão no recrudescimento do capitalismo burguês, iniciado com a Revolução Industrial do século XIX. Marx refere-se à alienação em quatro dimensões da antropologia humana:
- O produto do trabalho;
- A atividade exercida pelo trabalhador;
- A relação entre os seres humanos;
- O relacionamento com a natureza.
1. Alienação em Relação ao Produto do Trabalho
A alienação como produto do trabalho baseia-se no sistema capitalista burguês, que detém a propriedade dos meios de produção (fábricas e máquinas) e da força de trabalho dos operários. Assim, o produto do trabalho já não pertence ao proletariado, que renuncia a ele em troca do salário, pertencendo apenas ao capitalista.
2. Alienação em Relação à Atividade do Trabalhador
Nesta dimensão, o trabalhador não se aliena apenas do produto, mas da própria atividade que o ser humano deve desenvolver. A incorporação das máquinas e a especialização levam o trabalhador a envolver-se em apenas uma parte do processo de produção, realizando a mesma atividade repetidamente. Isso torna o desempenho do trabalho em si desinteressante, fazendo com que o proletariado busque satisfação fora dele, ou seja, nas atividades consideradas meramente animais (comer, beber, procriar, etc.).
3. Alienação nas Relações entre os Seres Humanos
A alienação das relações entre os seres humanos baseia-se na divisão da sociedade em classes sociais antagônicas: os explorados e os exploradores. Esta divisão de classes expressa a alienação porque nenhuma das classes, nem mesmo a burguesia, realiza a essência completa do homem. O proletariado é a classe dos que trabalham, mas não se beneficiam, e os burgueses são aqueles que não se realizam plenamente porque não produzem. Neste ponto, Marx propôs que a reconciliação do homem consigo mesmo virá por meio da revolução, que abolirá a divisão de classes sociais.
4. Alienação da Natureza
Finalmente, a alienação das relações entre o homem e a natureza baseia-se no fato de que o ser humano universal é um produtor de si mesmo. O homem percebe seu próprio ser na transformação da natureza. Contudo, as massas de trabalhadores que migraram do campo para a cidade para trabalhar nas fábricas também perdem seu ambiente natural.
Ideologia em Marx
Por outro lado, Marx também define o conceito de ideologia como um conjunto de crenças e doutrinas de caráter religioso, filosófico, ético, jurídico e político, que configuram a cultura de uma sociedade em cada época. Segundo Marx, as formas ideológicas refletem as condições materiais da existência humana. Exemplos incluem:
- A Religião: O que Marx chamou de “o ópio do povo”, pois adormece a consciência da exploração do proletariado.
- A Filosofia: Que o autor considerava um trabalho teórico que não transformava a realidade.
- A Moral Burguesa: Uma justificação para apaziguar a consciência dos capitalistas.
- O Direito e a Teoria do Estado: Destinados a preservar o status quo da classe dominante.
Filosofia da Suspeita
Neste ponto de vista, Marx, juntamente com Nietzsche e Freud, antecipa e é um dos iniciadores da chamada Filosofia da Suspeita. Esta última é a presunção sistemática de intenções ocultas no mundo da explicação racional. Os autores da suspeita tentam expor essas agendas ocultas. Assim, a razão torna-se suspeita.