A Lei de Bases da Reforma Agrária (LBRA) de 1932

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Classificação e Análise Documental da LBRA (1932)

A análise deste conjunto documental sobre a Lei de Bases da Reforma Agrária (LBRA) de 1932 é composta por duas partes:

  1. Fragmento da Lei de Bases da Reforma Agrária: Este é um documento histórico e legislativo, abordando um problema económico e social de natureza legislativa. Sendo uma lei, é de caráter público, visando a toda a população, especialmente aqueles afetados pela legislação, e deve garantir a conformidade. Foi publicado em 1932, sendo os seus autores os tribunais (Cortes). O contexto histórico é a Segunda República Espanhola, durante o chamado "biénio reformista" (ou biénio Azaña), principalmente após o fracassado golpe de Sanjurjo. Foi considerado o maior projeto realizado pela Segunda República.

  2. Tabelas Estatísticas: A segunda parte consiste em duas tabelas estatísticas que refletem as desapropriações e profissões realizadas nos termos da Lei da Reforma Agrária. É um documento de natureza económica e historiográfica, publicado por J. Hernández e outros em Historia Spain. 2º Bachillerato. Recursos on-line. Madrid, Akal, 2004. Este documento é destinado a estudantes e ao público interessado em informações sobre a reforma agrária. O contexto histórico dos dados analisados também é o da Segunda República, estendendo-se até a fase da Frente Popular.

Análise do Conteúdo da Lei e dos Dados Estatísticos

No fragmento da Lei Básica da Reforma Agrária, são citados os tipos de terra que poderiam ser expropriados:

  • Terras arrendadas de forma sistemática;
  • Terras incultas ou mal cultivadas;
  • Terras oferecidas voluntariamente pelos seus proprietários.

A agência encarregada deste trabalho era o Instituto de Reforma Agrária (IRA).

Os dados das tabelas estatísticas mostram as expropriações e ocupações realizadas em dois períodos distintos:

  1. Período 1932–1934 (Biénio Reformista);
  2. Período da Frente Popular (entre março e julho de 1936).

É evidente que, durante a segunda etapa (Frente Popular), o número de hectares expropriados e o número de camponeses assentados aumentou consideravelmente.

Comentário e Contextualização Histórica

Em 1931, a Espanha era predominantemente um país rural, com mais de 45% da população ativa empregada no campo. Metade destes eram trabalhadores agrícolas sem terra e pequenos agricultores. A crise económica dos anos trinta agravou os níveis de desemprego. Os trabalhadores rurais estavam organizados nas fileiras anarquistas (CNT) e socialistas (FNTT).

Durante o biénio republicano reformista, os socialistas e republicanos de esquerda sabiam que apenas uma reforma completa, capaz de modificar o estatuto do campo, poderia pôr um fim definitivo ao atraso histórico do país e à fome que os camponeses viviam.

O Ministro da Agricultura, Marcelino Domingo, procurou realizar uma reforma agrária que resolvesse os problemas estruturais e técnicos do campo espanhol. Após mais de quatro meses de discussão, a lei foi aprovada em setembro de 1932, apesar da rejeição da Associação Nacional de Proprietários Agrícolas e da pressão camponesa, organizada pela CNT e pelo PCE.

Objetivos da Reforma Agrária de 1932

A reforma foi concebida com os seguintes objetivos:

  • O desaparecimento de grandes propriedades (latifúndios) e do absenteísmo;
  • Redução da agitação agrícola;
  • Racionalização da cultura;
  • Pôr fim ao uso de solo pobre.

A lei permitia a expropriação sem indemnização das terras dos Grandes de Espanha. No entanto, no final de 1934, apenas 12.000 famílias tinham sido assentadas. Esta enorme lentidão na implementação da Reforma levou à rejeição por parte dos camponeses, que viram as suas esperanças destruídas.

Durante o biénio Radical-CEDA (1934-1936), o financiamento foi limitado, dificultando a sua aplicação. Contudo, durante a fase da Frente Popular (1936), a ocupação e a desapropriação de fazendas aceleraram-se, em muitos casos sem aguardar os procedimentos técnicos do IRA. Como resultado, 110.921 famílias receberam terra neste período.

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