O Liberalismo em Espanha no Século XIX

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Contexto Historiográfico e Político (1837-1840)

Este texto sobre o Liberalismo em Espanha é uma análise historiográfica, o trabalho de um historiador sobre os factos. O documento remete para o período de 1837-1840, anos em que o governo, apesar de uma constituição posterior, foi mantido pelos moderados. Neste contexto, o poder militar, a Guerra Carlista e a dívida económica foram cruciais. A Lei dos Municípios de 1840 e os tumultos subsequentes em Barcelona e Madrid levaram à demissão da rainha regente Maria Cristina e ao início da Regência de Espartero.

O texto aborda o confronto entre as correntes liberais, moderada e progressista, e os apoios sociais com que cada uma contava. Após a morte de Fernando VII, as decisões sobre a questão dinástica (revogação da Lei Sálica pela Pragmática Sanção), que permitiu às mulheres reinar, deram origem a um conflito sucessório. Este conflito escondia, na realidade, uma profunda divisão ideológica na sociedade espanhola, com dois setores de interesses opostos:

  • O lado Isabelino: Agrupava empresários burgueses, funcionários públicos, oficiais do exército, a alta nobreza, as altas hierarquias da Igreja, as populações urbanas e os liberais. Estes defendiam os direitos dinásticos de Isabel, vislumbrando a possibilidade do triunfo das suas ideias.
  • Os Carlistas: Formados por todos os que se opunham à revolução liberal. Incluíam parte da pequena nobreza, alguns oficiais militares (os mais reacionários), parte do baixo clero e muitos camponeses e pequenos agricultores que associavam o liberalismo ao aumento de impostos.

A Construção do Estado Liberal e as Regências

A morte de Fernando VII deixou poucas hipóteses de sobrevivência para o sistema absolutista, especialmente considerando o contexto europeu da época, marcado pelo triunfo do liberalismo em França e Portugal. A revolta carlista forçou a rainha-mãe, Maria Cristina, que não tinha simpatias liberais, a confiar nos antigos adversários do seu falecido marido. Teve de introduzir reformas políticas, pois os liberais emergiram como a única força capaz de defender os direitos de sucessão da sua filha ao trono. Durante a Guerra Civil, fortaleceu-se a ligação entre o movimento liberal e a defesa da Princesa Isabel.

Maria Cristina assumiu a regência em 1833, tornando-se Chefe de Estado devido à menoridade da sua filha. Assim começou a fase das regências (1833-1843), um período de transição que levou à construção do Estado liberal, cuja implementação se concretizou durante o reinado de Isabel II (1843-1868).

Sistema Político e Oposição

A política da época, baseada em redes de clientelismo e pequenos grupos de líderes partidários, assentava num sistema eleitoral corrupto, com manipulação do censo e dos resultados. O Ministro do Governo e os governadores civis controlavam o processo eleitoral. Era um sistema em que apenas uma pequena percentagem da população podia participar: de 1% a 25%, na fase mais representativa, já após o exílio da rainha. Em resposta, os progressistas e, mais tarde, os Democratas (partido fundado em 1849 como uma cisão do Partido Progressista) exigiram a reforma da lei eleitoral e a extensão do sufrágio a todos os homens adultos.

Conclusão

A ideologia dos partidos liberais, durante o reinado de Isabel II, deixou as classes média e baixa da sociedade espanhola fora do jogo político. Estas classes começaram a defender ideias mais avançadas, como as dos democratas e republicanos. Os obstáculos ao livre jogo político significaram, por outro lado, o alargamento do fosso entre a Espanha real e a Espanha oficial.

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