Lisboa Quinhentista: Cosmopolitismo e Inovação Náutica

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O Cosmopolitismo da Lisboa Quinhentista

Lisboa transformou-se, nos primeiros anos de Quinhentos, na metrópole comercial do mundo, beneficiando das navegações portuguesas. No porto de Lisboa, concentravam-se navios onde se cruzavam as tripulações das armadas, soldados, missionários, mercadores e aventureiros que partiam ou chegavam do império. Lisboa era uma metrópole comercial e uma ponte aberta para o mundo, assumindo, desde o século XV, o lugar de metrópole política.

Principais Alterações Urbanísticas no Reinado de D. Manuel I

D. Manuel I deixou memória do fausto do seu reinado na reconstrução urbanística de Lisboa. Vários monumentos atestam a época dos Descobrimentos portugueses, entre os quais se destacam o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém. Durante o seu reinado, nenhuma outra cidade se comparava a Lisboa: uma cidade "monstruosa, a cabeça demasiado grande para o corpo pequeno".

O Contributo Português para o Conhecimento

Já em 1414, os portugueses beneficiavam de conhecimentos ligados às invenções nas técnicas de navegação herdados de árabes e judeus e testados por venezianos, genoveses, catalães e maiorquinos. Exemplificando, posso referir:

  • O leme, que era montado no cadaste e era mais fácil de manobrar;
  • A bússola, formada por uma agulha magnética e uma rosa dos ventos, que permitiu o traçado de rumos na navegação que traduziam as linhas de rumos das cartas-portulano;
  • O astrolábio (uma invenção grega), o quadrante e a balestilha, com os quais mediam a altura dos astros.

Mercê dos avanços da navegação portuguesa no Atlântico, as técnicas náuticas evoluíram. Surgiram as caravelas e, mais tarde, a nau e o galeão. Na navegação astronómica, o uso do astrolábio, do quadrante e da balestilha permitia medir a altura dos astros com precisão.

A cartografia evoluiu com a precisão das cartas-portulano. Numa época em que a descoberta significa poder económico e prestígio político, os cartógrafos portugueses eram, na verdade, os mais aptos para traduzirem o mundo conhecido. Não só graficamente, mas também através do desenho de pequenas áreas terrestres. Introduziram-se nos mapas escalas de latitudes, planos hidrográficos (como vistas de costa) e registos.

As edições da Geografia de Ptolomeu ficaram interrompidas em 1490, quando os editores se aperceberam de que elas não correspondiam à real configuração de África e do Oriente, pois não tinham em conta as recentes navegações. O cartógrafo alemão Henricus Martellus, fazendo eco da viagem de Bartolomeu Dias, produziu um curioso planisfério onde, pela primeira vez, se representava o Cabo da Boa Esperança.

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