Literatura: Conceitos, Fenômenos e Gêneros
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Item 11: Literatura
Literatura como Expressão Artística
- A criatividade artística expressa em palavras, mesmo que não estejam escritas, mas se espalhem de boca em boca.
- Literatura como um Fenômeno Estético
Seu veículo de expressão é a linguagem, que é o sistema usual de comunicação entre as pessoas.
- Literatura como Fenômeno Comunicativo
A obra literária deve ser entendida como um ato de comunicação entre seres humanos. A situação comunicativa da obra literária difere quando se refere a:
- Emitente: Ausente no momento da recepção, o autor de outro século.
- Receptor: Não entende a mensagem no momento em que ocorre; o ato ocorre ao acessar o site e lê-la.
- Literatura como um Fenômeno Social
É um fenômeno social, já que o autor está situado dentro de uma sociedade, tempo e espaço.
- Aspectos que influenciam:
- A sociedade influencia a obra literária, tal como o contato entre as culturas.
- Influências da sociedade da época na literatura, por exemplo, a consciência social na época de Charles Dickens.
- A literatura pode modificar a literatura em si; o trabalho de *La familia de Pascual Duarte* é dedicado à apresentação realista.
Prosa e Verso
- Prosa: Forma de expressão mais parecida com a fala cotidiana, mas possui diferentes níveis de desenvolvimento e artifícios estéticos.
- Verso: Destaca o ritmo musical, alcançado por:
- Destaques: Marcam o ritmo do poema.
- Rima: Repetição de certos sons a partir da última vogal acentuada de cada verso. Se as consoantes e vogais se repetem, é rima; se apenas as vogais, é assonância.
- Contagem de sílabas: Repetição do mesmo número de sílabas em todos os versos ou a alternância de dois ou mais sistemas silábicos para criar ritmos diferentes.
Gêneros Literários
- Gênero Lírico: Transmite uma sensação subjetiva, experiências ou pensamentos, escrito em verso, mas existe a prosa poética.
Subgêneros Líricos
- Elegia: Expressa dor pela morte de um ente querido (ex: *Llanto por Ignacio Sánchez Mejías*, de Federico García Lorca); também é usada para expressar a transitoriedade da vida e a nostalgia da juventude perdida.
- Écloga: Diálogo entre pastores sobre casos amorosos em um cenário bucólico e idealizado (ex: Juan del Encina e Lope de Vega).
- Ode: Poema longo que trata de questões diversas com um tom elevado (ex: *Oda a la vida retirada*, de Fray Luis de León).
- Canção: Tipo amoroso (ex: Garcilaso de la Vega), mas também pode expressar outro sentimento.
- Sátira: Breve apresentação bem-humorada de defeitos sociais e/ou individuais (ex: *Libro de buen amor*, do Arcipreste de Hita).
- Gêneros Narrativos: História contada por um narrador, onde há um enredo. Os elementos são o narrador (testemunha, onisciente, protagonista), a ordem dos acontecimentos no tempo e os personagens (protagonistas, antagonistas, secundários).
Subgêneros Narrativos em Verso
- Epopeia: Poema longo que louva invenções prodigiosas de um herói. Exemplo: *Ilíada*, *Odisseia*, de Homero.
- Canção Épica (Cantar de Gesta): Criação épica oral e de divulgação que enaltece as façanhas de um herói nacional ou local. Na Idade Média (*Cantar de mio Cid*), escrito em versos de 14 e 16 sílabas, divididos e agrupados em hemistíquios monorrimos em tríades.
- Romance: Poema curto inicialmente oral. Surgiu no século XV como fragmentos de poemas épicos, mas depois se tornou autônomo com temas de amor e história. Versos de oito sílabas, com rimas em pares e versos ímpares livres.
Subgêneros Narrativos em Prosa
- Novela (Romance): Desenvolvimento de uma história narrativa abrangente no espaço e no tempo. É uma ficção que descreve ambientes, inclui fatos, analisa comportamentos e sentimentos. O *Dom Quixote* (século XVII) é o primeiro romance moderno europeu.
- Conto: Pequena história de ação fingida. Apresenta histórias condensadas, tem menos personagens, o espaço é simples e os elementos da história são imaginários (ex: *La selva*, de Horacio Quiroga).
- Lenda: História de ficção que tem origem histórica ou pseudo-histórica, onde há eventos fantásticos (ex: *Leyendas*, de Bécquer).
- Apólogo: História que transmite regras de conduta e moral. Termina com uma moral. Na Idade Média, chamado *exemplum* (ex: *El Conde Lucanor*, de Don Juan Manuel).
- Epístola: Assunto doutrinário, filosófico, moral ou satírico, em forma de carta. Escrito em versos nos séculos XVI, XVII e XVIII.
- Fábula: Histórias com personificação de animais como protagonistas. Terminam com uma posição moral (ex: Tomás de Iriarte e Félix María de Samaniego).
- Ensaio: Texto onde o autor aborda uma vasta audiência para explicar e defender sua atitude perante um problema. Expressa ideias e riqueza de estilo. Atingiu seu auge no século XVIII e com a Geração de 98.
- Gênero Dramático (Teatro): Escritos para serem representados, não lidos. Apresentam o texto através de um diálogo direto dos personagens, escrito em prosa. O relato descreve os movimentos dos personagens, seus sentimentos e atitudes sobre o tempo e o espaço para se desenvolver. Os apartes reproduzem o que os personagens pensam, permitindo ao leitor entender o desenvolvimento do texto.
Subgêneros Dramáticos
- Tragédia: Personagens de alto status social, lutando contra o seu destino, mas acabam sucumbindo. A clássica era escrita em verso e seu herói era mitológico. A moderna começa com Shakespeare.
- Comédia: Trata de atividades cotidianas de forma cômica, com um final feliz.
- Drama: Conflito com cenas dolorosas, mas não necessariamente trágicas. O drama social é aquele em que o conflito é um problema coletivo ou social/trabalhista.
- Tragicomédia: Uma mistura de todos os subgêneros teatrais importantes.
Subgêneros Dramáticos Curtos
- Auto Sacramental: Peça curta de caráter religioso e alegórico que celebra a Eucaristia.
- Entremés: Breve trabalho do século XVII apresentado no intervalo das comédias; Cervantes se destaca.
- Sainete: Peça curta com personagens populares, que desenvolve uma comédia de costumes. Destaca-se *Don Quintín el amargao*, de Carlos Arniches.
Item 12: Origens da Literatura Espanhola
Letra Lírica Popular
Jarcha Lírico-Mozárabe
São a primeira manifestação da literatura conhecida em castelhano. As mais antigas são do século XI.
Jarchas são composições breves listadas no final de alguns poemas em árabe (*moaxajas*), constituídas por alguns versos e uma variedade de sílabas. O tema é o amor: a remetente, uma moça apaixonada, fala de seu sofrimento à sua mãe ou irmãs.
Cantigas de Amigo Lírico Galaico-Português
A remetente é também uma moça que expressa seus sentimentos à sua mãe, irmãs, amigos...: luto pela morte do amado, ansiedade, melancolia e alegria pelo seu retorno. Importância da natureza. Ao contrário das canções de amor, as *cantigas de amigo* têm linguagem popular e vocabulário mais específico.
Lírica Castellana
- Carol: Poemilhas pequenas nas quais a remetente era uma moça apaixonada que se queixava de sua situação. Ocorrem em um cenário rural: a fonte como local de encontro amoroso, a rosa, símbolo da virgindade.
- Serranillas: Surgem a partir das pastorais da Provença, mas apresentam características descritivas mais realistas. Tópico: encontro de um fidalgo com uma pastora das serras de Castela.
Lírica Aprendida
Amor idealizado, amor cortês, impossível devido à situação social.
Música Trovadoresca Provençal
Herança que receberão os cancioneiros castelhanos do século XV. Foi cultivada pelos trovadores.
- Canção: Poema de caráter amoroso, com transmissão do homem para a mulher (transmissor-receptor). Relação de vassalagem entre amante e amada: Ela se sentia superior, e o amor era um "serviço" a ser feito pelo amante.
- Amor cortês: Arte amorosa da sociedade feudal, que exigia o critério do amor, pois a mulher era casada.
- Sirventês: Usado como expressão de raiva, repressão, ataque pessoal. Baseava-se na melodia de uma canção.
Moaxajas Lírico-Árabes e Judaicas
Poema escrito em árabe ou hebraico clássicos. As canções (*moaxajas*) eram compostas por várias estrofes de 5 ou 6 linhas. No final da última estrofe era inserido um poemilho curto, a *jarcha*.
Cantigas de Amor Galego-Portuguesas
Herdeiras das canções da Provença. A dama continua alheia aos sentimentos do amante, que sente amor por ela e esconde sua paixão.