Literatura Espanhola: Fray Luis de León e Juan de la Cruz

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Fray Luis de León: Vida e Personalidade

Nasceu por volta de 1527, em Belmonte, tornando-se monge no convento de Salamanca e professor na universidade a partir de 1561. Devido a conflitos e intrigas, foi preso, experiência que influenciou profundamente sua obra. Sua vida turbulenta gerou um desejo constante por reclusão e serenidade.

Obra em Prosa

Escreveu quatro grandes obras em castelhano: Tradução do Cântico dos Cânticos, Exposição do Livro de Jó, De los nombres de Cristo e La perfecta casada. Em De los nombres de Cristo, três personagens discutem os diferentes nomes dados a Cristo na Bíblia. La perfecta casada é um tratado sobre a esposa ideal, classificando diversos tipos de mulheres.

Obra Poética

Sua poesia é original e concisa (menos de 40 poemas). Divide-se em três fases: antes, durante e após a prisão. Os temas incluem a natureza, a saudade da vida rural e a predileção pela noite e pela música, com origem no conceito de Beatus ille. Seu estilo utiliza a lira, combinando versos heptassílabos e hendecassílabos, com aparente simplicidade e uso refinado de figuras retóricas.

São João da Cruz: Vida e Personalidade

Nasceu em Ávila, em 1542, de origem humilde. Estudou filosofia e teologia em Salamanca, onde conheceu Fray Luis de León. Foi preso em 1577, fugindo em 1578. Faleceu em Úbeda, em 1591. Sua personalidade buscava uma vida despojada de riquezas e confortos.

Obra e Estilo

Suas principais obras são: Cântico Espiritual (1577), Noite Escura (1584) e Chama Viva de Amor (1584). Seus textos, embora pareçam poemas de amor, transcendem o conteúdo erótico para expressar uma espiritualidade profunda. Utiliza a lira e formas tradicionais dos cancioneiros.

A Prosa no Século de Ouro

O modelo de ensino formal mais utilizado era o diálogo, permitindo um tom de conversação ideal para a transmissão de ensinamentos. Destacam-se Juan de Valdés (Diálogo de la lengua) e Alfonso de Valdés. Outras obras notáveis incluem o Livro de Ouro de Marco Aurélio, de Antonio de Guevara, e o Livro de oração e meditação, de Luis de Granada.

Narrativa em Prosa

As histórias eram breves, incluindo a narrativa pastoral (como Diana, de Montemayor) e histórias de temática árabe. A obra narrativa mais importante do período é o Lazarillo de Tormes.

Teatro

Autores como Lucas Fernández, Sánchez de Badajoz e Yanguas desenvolveram farsas e peças religiosas. Gil Vicente escreveu obras como a Trilogia das Barcas. Naharro dividiu sua obra entre o realismo e a fantasia. Lope de Rueda, ator e autor, popularizou os pasos, peças curtas de caráter cômico que antecederam os entremezes modernos.

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