Literatura Espanhola e o Iluminismo no Século XVIII

Classificado em Língua e literatura

Escrito em em português com um tamanho de 4,25 KB

O Iluminismo

O pensamento europeu do século XVIII (primeiramente nas nações mais avançadas como Inglaterra e França, e depois em outros países) sofre uma grande mudança. A segurança que existia em muitos aspectos do pensamento humano nos séculos anteriores está desaparecendo.

Inicia-se o domínio da burguesia como classe social, que disputa o poder político com a nobreza. Com a ascensão da burguesia, ocorre a extensão do Iluminismo. Este movimento rejeita dogmas políticos ou religiosos. Em oposição ao antigo princípio de autoridade, agora apoiam-se apenas as conclusões que a razão humana pode alcançar.

Até meados do século, é publicada na França a Enciclopédia, liderada por Diderot e d'Alembert. É um conjunto de conhecimentos humanos baseados apenas em princípios racionais.

Os Enciclopedistas mostram um ceticismo religioso claro, que terá grande influência em toda a Europa. Muitos pensadores deixaram o cristianismo nesta época, substituindo-o por uma vaga crença em Deus (deísmo) ou pelo ateísmo.

No campo político, desenvolve-se neste momento o chamado despotismo esclarecido, cujo lema era "tudo pelo povo, mas sem o povo". É uma tentativa de reformar e racionalizar a economia, a educação e os costumes, embora se pretendesse que isso não implicasse uma mudança na estrutura social. Para esse efeito, estabelecem-se indústrias públicas, academias, centros de pesquisa e bibliotecas; além disso, incentiva-se a agricultura e as comunicações.

No entanto, esses projetos de reforma são insuficientes para os membros conscientes e ativos da classe média, entre os quais estão enraizadas as ideias igualitárias e liberais promovidas pelo Iluminismo. Eles acreditam que chegou a hora de governar sua sociedade. Então, inicia-se a Revolução Francesa de 1789, que abre uma nova etapa na história do mundo.

Principais etapas no desenvolvimento da literatura espanhola no século XVIII

  1. Anti-barroco e introdução de ideias iluminadas: Até a metade do século, a literatura de estilo e mentalidade barroca continuou a dominar. Nesta linha, destacam-se autores como Diego de Torres Villarroel. Alguns autores argumentaram em suas obras a nova mentalidade racionalista e usaram um estilo claro e simples; a figura mais importante nesse período é o Padre Benito Jerónimo Feijoo.
  2. Neoclassicismo: Os autores que seguem essa tendência procuram implementar padrões em seu trabalho defendidos pelo francês Boileau.
    • Rejeição do artifício e do excesso da literatura barroca.
    • Proteção da finalidade moral e educacional, e não apenas a literatura de lazer. A razão deve prevalecer sobre os sentimentos e a fantasia.
    • Triunfo das unidades de ação, lugar e tempo nas peças teatrais.
    • Proteção da unidade de estilo na obra e na separação de gêneros: nas obras, impede-se a mistura do trágico com o cômico, do verso com a prosa, ou do tom elevado com o familiar.
    • Cultivo, por um lado, de uma alta poesia de temática filosófica, moral e social, em consonância com os princípios filantrópicos do Iluminismo; e, por outro, de uma poesia de tema amoroso em linguagem simples e sentimentos que ocorrem em um cenário bucólico (gênero festivo).
  3. O Sentimentalismo (Pré-romantismo): Nas últimas décadas do século (e em paralelo com o desenvolvimento do Neoclassicismo), ocorre uma reação sentimental, influenciada especialmente pela literatura inglesa. Também contribuíram para isso as ideias sobre o sentimento do filósofo e escritor suíço Jean-Jacques Rousseau. Assim, há uma presença significativa na literatura de temas melancólicos e noturnos, repletos de sentimentalismo.

Os principais autores espanhóis na segunda metade do século XVIII (José de Cadalso e Gaspar Melchor de Jovellanos, entre outros) combinam e alternam diferentes tendências literárias. Assim, na produção de José de Cadalso, por exemplo, escreveram-se peças ensaísticas em que se divulgam os pontos de vista do Iluminismo.

Entradas relacionadas: