Literatura Medieval: Romancero e Mester de Clerecía

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O Romancero: A Poesia Épica dos Séculos XIV e XV

O Romancero é o poema épico que surgiu nos séculos XIV e XV. Um romance é um poema escrito em comprimento variável de versos de oito sílabas, com rima assonante nos versos pares, enquanto os ímpares ficam soltos.

Temas Históricos

Focam em acontecimentos políticos da história dos reinos cristãos da Península Ibérica. Podem concentrar-se em um personagem ou ter como fundo uma notícia importante para transmitir; esses são chamados de novidades. Existem dois tipos principais:

  • Romances de Fronteira: Relatam os eventos na fronteira durante a Reconquista.
  • Romances Mouriscos: Narram o desenvolvimento da guerra contra os mouros, capturando a visão dos vencidos com grande drama e sensibilidade.

Há também os epítetos e literatura: composições épicas derivadas de poemas épicos espanhóis, lírica carolíngia (temas de amor e morte) e o Romancero propriamente dito.

Coleções e Estilos

Os romances começaram a ser recolhidos de acordo com o tema em coleções impressas denominadas baladas. Existem dois tipos:

  • Baladas Antigas: Consistem em textos da tradição oral e, portanto, anônimos.
  • Baladas Novas: Consistem em romances escritos por autores conhecidos com intenção artística.

O estilo privilegia a ação sobre a descrição. A estrutura dialógica muitas vezes leva ao "romance de conversação". O início costuma ser in medias res (iniciado sem preparar o leitor). Utiliza arcaísmos sintáticos, morfológicos e substituição lexical (formas do passado por outras), além de repetições e uso de recursos líricos, como perguntas e exclamações.

Mester de Clerecía

O Mester de Clerecía era um grupo de clérigos que escreviam na forma de quaderna via.

Gonzalo de Berceo

Suas obras não pretendem ser originais, focando em assuntos religiosos:

  • Vidas de Santos: Como a vida de Santo Domingo de Silos.
  • Trabalhos Acadêmicos: O Sacrifício da Missa e O Juízo Final.
  • Obras Marianas: Milagres de Nossa Senhora.

Estilo: Linguagem simples, tendência a romantizar fontes escritas, utilização de recursos de menestrel, emprego do dialeto de Rioja e a métrica da quaderna via.

Milagres de Nossa Senhora

Na introdução, o protagonista é o narrador que se identifica com Berceo. Ele é apresentado como um peregrino entrando em um jardim descrito como um locus amoenus por comparação. Este lugar está associado à Virgem, símbolo da recuperação do paraíso. Nos 25 milagres, a Virgem aparece caracterizada em termos humanos, mas também como uma figura autoritária, forte e grave, que recompensa e pune em cada história.

Arcipreste de Hita

Sua obra não tem um objetivo específico de aprendizagem, pois seu trabalho é ambíguo: aborda questões do amor de Deus, mas também do amor carnal.

Estrutura: Começa com um prólogo que adverte sobre os perigos do amor. Inclui uma biblioteca de exemplos (contos e fábulas) como uma sátira anti-educativa sobre o dinheiro e contra os vícios do clero. Contém digressões didáticas sobre direito civil e canônico. Inclui a adaptação de Pamphilus de Amore (do poeta latino Ovídio) e a recreação do amor entre Dom Melão e Dona Endrina.

Poesia Lírica: Uma coleção de poesias que inclui canções seculares e piedosas, histórias e paródias alegóricas que celebram a chegada da primavera.

Estilo: Predominância de frases justapostas e uso frequente de interjeições, repetição da linguagem falada (diminutivos e aumentativos), uso de tecnicismos e valores conotativos. Emprega artifícios retóricos como a metáfora, paralelismos, anáforas e antíteses.

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