Livre-Arbítrio, Determinismo e Responsabilidade Moral
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1. Perspetiva de John Searle e o Argumento Central
Perspetiva: O excerto defende o Libertismo. Argumento: O argumento principal baseia-se na experiência subjetiva da liberdade ou evidência fenomenológica. Searle afirma que temos a consciência imediata de que poderíamos ter agido de forma diferente. Mesmo havendo razões para uma escolha, temos a perceção de que existiam razões para escolher outra coisa e que estava no nosso poder agir de acordo com essas outras razões.
2. Análise dos Cenários (A e B) para o Compatibilismo
- O que têm em comum: Para um compatibilista, em ambos os casos, o comportamento do João (não comer) é o resultado de causas antecedentes. Tanto a decisão de protestar como a queda que causou a perna partida fazem parte da cadeia causal de acontecimentos.
- O que os distingue: A diferença reside na natureza da causa. No Cenário A, a ação é livre porque é voluntária; o João não come porque não quer, agindo de acordo com os seus desejos internos sem coação externa. No Cenário B, a ação não é livre porque há um impedimento físico (a perna partida e a impossibilidade de se mover) que o obriga a não comer, independentemente da sua vontade.
3. Objeção Decorrente da Aceitação do Determinismo
Objeção: A inexistência de responsabilidade moral. Explicação: Se o determinismo radical for aceite, todas as nossas ações são consequências inevitáveis do passado e das leis da natureza. Se não podemos escolher agir de modo diferente daquele que efetivamente agimos, então não temos verdadeiro controlo sobre as nossas ações. Sem esse controlo (livre-arbítrio), não faz sentido atribuir culpa ou mérito; ou seja, as pessoas não podem ser consideradas moralmente responsáveis pelo que fazem.
4. Relação entre Liberdade e Responsabilidade Moral
A liberdade é uma condição necessária para a responsabilidade. Se um agente não "pode fazer" algo (não tem liberdade de escolha ou de ação), então não merece castigo ou recompensa. A responsabilidade moral pressupõe que o sujeito é o autor da sua ação e que tinha a possibilidade de ter agido de outra forma. Se a liberdade for eliminada, o conceito de justiça e de mérito perde o seu fundamento.
Grupo III: Análise do Texto de Lucrécio
Problema subjacente: O problema da compatibilidade entre o determinismo e o livre-arbítrio. O autor questiona como pode surgir o livre-arbítrio se todos os movimentos (átomos) estiverem conectados numa ordem fixa de causa e efeito.
Sugestão de resposta:
- Se concordar (Compatibilismo): Pode argumentar que, embora o mundo natural siga leis causais, a liberdade consiste na ausência de constrangimentos imediatos à nossa vontade. Somos livres quando agimos segundo o que queremos, mesmo que esse "querer" tenha causas prévias.
- Se discordar (Determinismo Radical ou Libertismo): Pode argumentar que liberdade e determinismo são incompatíveis. Se o determinismo for total (como sugere o "fado" e a "cadeia infinita" no poema), então o livre-arbítrio é apenas uma ilusão. Para que o livre-arbítrio exista de facto, teria de haver uma quebra na cadeia causal (como o "desvio" dos átomos mencionado por Lucrécio).