Locke e a Epistemologia: a Experiência como Limite do Conhecimento

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Locke e a Epistemologia

A experiência fixa os limites.

Locke intuiu que se pode avançar muito pouco em ciência e em qualquer investigação humana se, antes, não se esclarecerem quais são realmente as possibilidades e capacidades do entendimento humano.

Seu valor consiste em ter fixado o princípio do empirismo: a razão não é infalível nem completamente autônoma, mas trabalha com o material da experiência. Por isso, a experiência constitui a garantia e o limite do êxito racional.

Origem das nossas idéias

Segundo Locke, só podemos acessar o mundo que nos cerca e conhecê-lo por meio das representações que nos fazemos, pois essas idéias constituem os conteúdos básicos com que trabalha o entendimento.

O primeiro passo é constatar que não há idéias inatas: nenhuma idéia é connatural ao entendimento e não existe nenhum conteúdo mental anterior à experiência. Ao nascer, a mente é uma tabula rasa (um white paper, um papel em branco) que, pouco a pouco, vai se preenchendo de informações. Tudo o que existe em nossa mente, qualquer idéia, provém da experiência.

Idéias simples e idéias complexas

  • Idéias simples: são as que não se podem dividir em partes e provêm da experiência, seja da sensação (experiência externa), seja da reflexão (experiência interna).
  • Idéias complexas: são fruto da tarefa de combinação e união que o entendimento realiza com as idéias simples. Dividem-se em modos (combinação de idéias simples), relações (comparação de idéias simples) e substâncias (abstração).

A idéia de substância

A idéia de substância é uma idéia complexa, ou seja, um produto do processo de união e combinação que o entendimento realiza com as idéias simples. A idéia de substância não é apenas o nome que damos ao conjunto de sensações que costumam se produzir juntas, mas a realidade material que permanece como suporte e causa dessas sensações. Essa idéia de substância como suporte é justamente o que Locke problematizará.

A substância permanece inapreensível e incognoscível.

Embora não possamos ter experiência das substâncias, Locke não chega a rejeitar totalmente sua existência. Por senso comum e por necessidade, devemos crer na existência de uma realidade que seja a causa de nossas experiências.

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