A Lógica da Dádiva: Análise da Obra de Marcel Mauss
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- Destaque os aspectos econômicos da dádiva e os rituais de destruição de riquezas. Nas sociedades “primitivas” ou arcaicas, os fenômenos de troca e contrato não são destituídos de mercado econômico, apenas seu regime é diferente. A troca também pode assumir a forma de destruição de riquezas, como os escudos brasonados de cobre jogados ao mar. No potlatch, a troca substitui a guerra, mas mantém um sentido de rivalidade: vence quem dá ou destrói mais, configurando a “luta dos nobres” como afirmação de poder. Em certos potlatchs, o chefe deve gastar tudo o que possui para evitar a acumulação de riqueza e manter uma “igualdade de renda” na tribo, evitando disparidades nas trocas.
- Dar, receber e retribuir: as obrigações sociais e o perigo da dádiva. Analisando as noções de mana e hau, Mauss conclui que “o que, no presente recebido e trocado, cria uma obrigação, é o fato de que a coisa recebida não é inerte”. Nesse sistema, o doador exerce dominação sobre o beneficiário. Há um perigo inerente ao ato de dar, relacionado à possibilidade de não aceitação e à ascendência do doador na iniciativa da troca.
- A natureza da esmola e sua distinção da dádiva. Mauss demonstra que a vida social é constituída por um constante dar e receber, onde retribuir é uma obrigação universal. As esmolas, presentes tanto no contexto polinésio quanto no noroeste norte-americano, são definidas como “dádivas oferecidas às crianças e aos pobres que agradam aos mortos” e aos deuses. Mauss sugere uma relação entre o sacrifício e a esmola, tratando-a como um fato social total, e não apenas como um ato de misericórdia cristã.
- A dádiva como fato social total e sua aplicação contemporânea. Trazendo essa lógica para os dias atuais, o ato de DAR seria o pagamento pela compra de uma mercadoria ou serviço; o RECEBER seria a aceitação da confirmação da compra pelo fornecedor; e o RETRIBUIR seria a entrega plena do produto ou serviço, livre de vícios ou práticas abusivas.
- A recusa em receber como declaração de guerra. Recusar-se a dar, não demonstrar hospitalidade ou abster-se de receber para, no tempo certo, retribuir dignamente, equivale a uma grave ofensa e representa a recusa da aliança e da comunhão. A guerra é, portanto, o resultado da desonra do contrato e a quebra da ética do Potlatch. Ela é a consequência inevitável do descumprimento de um pacto e a expressão de relações de troca fracassadas.