Lógica, Retórica e Teoria do Conhecimento: Guia Completo

Classificado em Filosofia e Ética

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Lógica e Argumentação

Representação canónica: Consiste em identificar quais são as premissas e a conclusão de um argumento.

Argumentos: Podem ser válidos ou inválidos (quanto à sua forma/estrutura) e verdadeiros ou falsos (quanto ao seu conteúdo).

Lógica Silogística Aristotélica

  • Tipo A (Universais afirmativas): "Todo o S é P".
  • Tipo E (Universais negativas): "Nenhum S é P".
  • Tipo I (Particulares afirmativas): "Algum S é P".
  • Tipo O (Particulares negativas): "Algum S não é P".

Regras de Validade Silogística

  • O silogismo deve ter, obrigatoriamente, três termos.
  • O termo médio nunca pode aparecer na conclusão.
  • O termo médio tem de ser tomado universalmente pelo menos uma vez (pelo menos uma das proposições deve ser universal).
  • Nenhum termo pode ter maior extensão na conclusão do que na premissa onde ocorre.
  • De duas premissas afirmativas não se pode extrair uma conclusão negativa.
  • De duas premissas negativas nada se pode concluir.
  • De duas premissas particulares nada se pode concluir.
  • A conclusão tem de seguir sempre a "parte mais fraca" (se houver uma premissa negativa, a conclusão será negativa; se houver uma particular, a conclusão será particular).

Falácias Formais

  • Falácia do termo médio não distribuído.
  • Falácia da ilícita menor.
  • Falácia da ilícita maior.
  • Falácia do quarto termo.

Demonstração vs. Argumentação

Demonstração:

  • Estabelece uma relação necessária entre a conclusão e as premissas, compelindo à sua aceitação.
  • Não permite interpretações, pois sustenta-se numa linguagem formal.
  • Está limitada pelo cálculo lógico-formal estabelecido.
  • É formal e independente do conteúdo das proposições ou do seu significado.
  • Independe de quem a profere, do contexto ou do auditório.
  • Pertence ao domínio da evidência e constrange à sua aceitação.

Argumentação:

  • Estabelece uma relação provável ou verosímil entre as razões e a tese.
  • Permite a refutação e expressa-se em linguagem natural.
  • Permite o uso aberto de razões para fortalecer a tese.
  • Depende da interpretação do conteúdo das razões apresentadas.
  • Depende do orador, do contexto e do auditório a que se dirige.
  • Pertence ao domínio da persuasão e do plausível, não obrigando à aceitação imediata.

Retórica e os Modos de Persuasão

A Retórica deriva do termo grego Rhetoriké, que significa "arte da palavra". Segundo Aristóteles, é a arte de estudar os melhores meios para persuadir pela palavra.

  • Ethos (Orador): Centrado na credibilidade do orador. A moral, o caráter e a virtude são essenciais para a eficácia argumentativa.
  • Pathos (Auditório): Ligado à emoção do público. Um auditório envolvido emocionalmente é mais facilmente persuadido pelo tom de voz e convicção do orador.
  • Logos (Mensagem): Refere-se à estrutura lógico-argumentativa do discurso. A argumentação deve ser clara e racional para obter o assentimento do auditório.

Filosofia: Sofistas vs. Sócrates

Sofistas: Possuíam uma visão relativista e cética do mundo. Ensinavam a retórica como instrumento de afirmação política, focando-se no verosímil e na persuasão, em vez da verdade absoluta.

Sócrates: Defendia o "conhece-te a ti mesmo". Recusava o poder enciclopédico e adotava a douta ignorância ("Só sei que nada sei"), combatendo o ceticismo. O seu método dividia-se em:

  • Fase destrutiva (Ironia): Através de perguntas, levava o interlocutor a reconhecer a sua ignorância.
  • Fase construtiva (Maiêutica): Convidava cada um a "dar à luz" as suas próprias ideias e verdades.

Platão e o Dualismo

  • Cosmológico: Mundo sensível vs. Mundo inteligível.
  • Antropológico: Alma vs. Corpo.
  • Gnosiológico: Episteme (Ciência/Conhecimento) vs. Doxa (Opinião).

Aristóteles e a Retórica

Aristóteles considera a retórica uma técnica para fundamentar áreas do conhecimento que não permitem demonstração, servindo como um conjunto de regras para tornar a expressão dos argumentos mais clara.

Teoria do Conhecimento (Epistemologia)

O ato de conhecer envolve um sujeito (cognoscente) e um objeto (cognoscível). Para que haja conhecimento proposicional, são necessárias três condições: Crença + Verdade + Justificação.

  • S acredita em P.
  • P é verdadeiro.
  • S justifica racionalmente a crença em P.

Tipos de Conhecimento

  • Por contacto: Exige contacto direto (ex: conhecer uma pessoa ou lugar).
  • Prático: Habilidade ou competência (ex: saber conduzir).
  • Proposicional: Saber que algo é verdadeiro (ex: saber que Lisboa é a capital de Portugal).

Explicação Fenomenológica do Conhecimento

O sujeito e o objeto são interdependentes e transcendentes entre si. No ato de conhecer:

  1. O sujeito sai de si em direção ao objeto.
  2. O sujeito apreende as determinações do objeto, criando uma representação ou imagem mental.
  3. O sujeito regressa a si com essa imagem, permanecendo o objeto inalterado.

O conhecimento é uma correlação onde o sujeito é modificado pelo objeto (ao adquirir a sua imagem), mas o objeto permanece exterior e independente.

Origem do Conhecimento

  • Racionalismo (A Priori): O conhecimento provém da razão, é independente da experiência, sendo universal e necessário.
  • Empirismo (A Posteriori): O conhecimento provém dos sentidos e da experiência sensorial, sendo contingente e dependente da comprovação experimental.

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