Macroeconomia: Guia de Política Fiscal e Monetária
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Medição e Política Fiscal
1) Discorra sobre a relevância dada à oferta e demanda agregadas pelos modelos clássico e keynesiano.
O modelo clássico confere importância praticamente nula à demanda agregada na determinação do produto de equilíbrio. Como vimos, a curva de oferta (no eixo preço x PIB) tem inclinação vertical e, por isso, a demanda não tem poder para determinar a produção.
O modelo keynesiano considera a demanda fundamental. No seu formato mais estrito, compatível com o curtíssimo prazo, a oferta é horizontal (no eixo preço x PIB) e, por isso, variações na demanda agregada têm poder pleno para determinar o produto de equilíbrio. (Não foi à toa que passamos tanto tempo estudando, à parte, a demanda agregada...).
Compare:
2) Considerando as variáveis preço e quantidade (que na MACRO é representada pelo PIB real), como o modelo keynesiano representa graficamente a oferta agregada no curtíssimo prazo? Desenhe.
Já está representado acima, mas: aliás, note que, como o preço fica constante, poderia colocar apenas PIB na abscissa, já que PIB real e nominal, nesse caso, são iguais.
5) Que informação a reta de 45 graus oferece?
Os pontos de equilíbrio possíveis entre oferta e demanda.
6) Verdadeiro ou Falso? Justifique: no equilíbrio, a poupança é sempre zero.
Falso. Regra geral: no equilíbrio, a poupança é igual ao investimento. Claro que, se o investimento for 0, a poupança de equilíbrio será 0.
7) Qual a relação que vimos entre poupança, renda e consumo?
Y = C + S, onde S é a poupança.
8) Esboce graficamente essa relação, usando:
a. O consumo na ordenada e a renda na abscissa.
b. A poupança na ordenada e a renda na abscissa.
10) Explique o mecanismo do multiplicador de gastos em palavras.
Vamos imaginar que uma empresa qualquer decida expandir sua planta e invista (Ip) um milhão de reais.
- Esse valor será usado para pagar os trabalhadores e os proprietários das empresas envolvidas. A renda dessas pessoas aumentará em um milhão, no total.
- Essas pessoas consomem, porém, bens e serviços. Se todas se comportam como prega a função consumo que usamos até agora, têm uma PMC = 0,8. Logo, para cada real a mais, consomem 80 centavos. Para um milhão, 800.000 reais.
- O processo continua. Aqueles que ofereceram serviços e bens para tais pessoas também consomem. Para a mesma PMC, teremos 0,8 * 800.000, que dá R$ 640.000.
- O processo continua, com valores de consumo cada vez menores.
O milhão de reais gasto a mais em investimento põe em marcha toda uma cadeia de gasto de consumo secundário, cujo ritmo é ditado pela PMC. O multiplicador informa o quanto o investimento impactará na renda (PIB) de equilíbrio, sendo dado por 1 / (1 - PMC).
11) Suponha: Curtíssimo Prazo, C = 200 + 0,4*Y. Economia sem investimento, sem governo e fechada.
a) Encontre algebricamente o ponto de equilíbrio desta economia (OAeq, DAeq), desenvolvendo o raciocínio inteiro.
OA = DA
Y = C
Porque estamos no curtíssimo prazo. Porque não existe investimento, nem governo e a economia é fechada.
Y = 200 + 0,4*Y
Y - 0,4*Y = 200
0,6*Y = 200
Yeq = 200 / 0,6 = 333,33 (aproximadamente)
Como neste caso DA = C e, além disso, Y = OA no curtíssimo prazo, o gráfico é equivalente ao do exercício 8a. O ponto de equilíbrio é (333,33; 333,33).
c) Qual a função poupança desta economia? E o valor da poupança no equilíbrio?
Temos que Y = C + S. Logo, S = Y - C.
Substituindo C pela função:
S = Y - (200 + 0,4*Y)
S = Y - 200 - 0,4*Y
Função Poupança: S = -200 + 0,6*Y
No equilíbrio, Seq = -200 + 0,6 * 333,33 = 0 (os valores ficam aproximados por causa da dízima). É possível observar a regra geral de equilíbrio. No equilíbrio, além da OA = DA, temos que S = I. Aqui o investimento é nulo, logo Seq = 0.
= 333,33
= 333,33
d) Ilustre graficamente o equilíbrio usando a função poupança.
f) Se, por acaso, o consumo autônomo aumentasse 100%, qual seria o novo ponto de equilíbrio?
Um aumento de 100% no consumo significa um aumento de $ 200,00.
A variação no equilíbrio é dada pelo multiplicador vezes o novo gasto: 1,66 * 200 = 332 (aprox.).
Logo, o novo Yeq = 333,33 + 332 = 665,33 (aprox.).
12) Suponha: Curtíssimo Prazo, C = 200 + 0,4*Y, Ip = 200. Economia fechada e sem governo.
a) Encontre algebricamente o ponto de equilíbrio desta economia (OAeq, DAeq), desenvolvendo o raciocínio inteiro.
OA = DA
Y = 200 + 0,4*Y + 200
Porque estamos no curtíssimo prazo. Porque a economia é fechada e sem governo.
Y - 0,4*Y = 400
Yeq = 400 / 0,6 = 666,66 (aprox.)
O ponto de equilíbrio é (666,66; 666,66).
b) Qual a função poupança desta economia? E o valor da poupança no equilíbrio?
Temos que Y = C + S. Logo, S = Y - C.
Substituindo C pela função:
S = Y - 200 - 0,4*Y
Função Poupança: S = -200 + 0,6*Y
No equilíbrio, Seq = -200 + 0,6 * 666,66 = 200 (os valores ficam aproximados por causa da dízima). É possível observar a regra geral de equilíbrio. No equilíbrio, além da OA = DA, temos que S = I. Aqui o investimento é 200, logo Seq = 200.
d) Qual o multiplicador de gastos desta economia?
= 1 / (1 - 0,4) = 1 / 0,6 = 1,66 (aproximadamente).
e) Use o multiplicador para mostrar o impacto da inclusão de $ 100 de gastos do governo nessa economia. Qual seria o novo equilíbrio?
A variação no equilíbrio é dada pelo multiplicador vezes o novo gasto: 1,66 * 100 = 166 (aprox.).
Logo, o novo Yeq = 666,66 + 166 = 832,66 (aprox.).
13) Suponha: Curtíssimo Prazo, C = 200 + 0,4*Y, Ip = 200, G = 100. Economia fechada.
a) Encontre algebricamente o ponto de equilíbrio desta economia (OAeq, DAeq), desenvolvendo o raciocínio inteiro.
OA = DA
Y = 200 + 0,4*Y + 200 + 100
Y - 0,4*Y = 500
0,6*Y = 500
Yeq = 500 / 0,6 = 833,33 (aprox.)
O ponto de equilíbrio é (833,33; 833,33).
b) Qual o multiplicador de gastos desta economia?
= 1 / (1 - 0,4) = 1 / 0,6 = 1,66.
14) Suponha: Curtíssimo Prazo, C = 200 + 0,4*Y, Ip = 200, G = 100, T = 100. Economia fechada.
a) Encontre algebricamente o ponto de equilíbrio desta economia (OAeq, DAeq), desenvolvendo o raciocínio inteiro. (Lembre-se, T são impostos).
Os impostos impactam o Consumo. Como? A renda disponível para ser consumida é menor que a renda total. Portanto: C = 200 + 0,4 * (Y - T).
C = 200 + 0,4 * (Y - 100) = 200 + 0,4*Y - 0,4*100 (NÃO SE ESQUEÇA DE QUE O IMPOSTO DEVE SER MULTIPLICADO PELA PROPENSAO MARGINAL A CONSUMIR).
C = 200 + 0,4*Y - 40 = 160 + 0,4*Y.
No equilíbrio, portanto, teremos:
OA = DA
Y = 160 + 0,4*Y + 200 + 100
Y - 0,4*Y = 460
Yeq = 460 / 0,6 = 766,66.
O ponto de equilíbrio é (766,66; 766,66).
b) Qual o multiplicador de gastos desta economia?
= 1 / (1 - 0,4) = 1 / 0,6 = 1,66 (aproximadamente).
c) Agora, ao invés de 100, T = 0,2*Y. Qual a nova propensão marginal a consumir?
Primeiro vejamos como fica a nova função consumo:
C = 200 + 0,4 * (Y - 0,2*Y)
C = 200 + 0,4 * (0,8*Y)
C = 200 + 0,32*Y
Dentro da função consumo, podemos notar que a nova PMC é 0,32.
d) Qual o multiplicador de gastos, agora?
= 1 / (1 - 0,32) = 1,47 (aprox.). Perceba que ele diminuiu com a introdução de impostos proporcionais.
e) Encontre algebricamente o ponto de equilíbrio desta economia (OAeq, DAeq), desenvolvendo o raciocínio inteiro e usando T = 0,2*Y.
OA = DA
Y = 200 + 0,32*Y + 200 + 100
Y - 0,32*Y = 500
0,68*Y = 500
Yeq = 500 / 0,68 = 735,29 (aprox.)
O ponto de equilíbrio é (735,29; 735,29).
15) Suponha: Curtíssimo Prazo, C = 200 + 0,4*Y, Ip = 200, G = 100, T = 100, X = 100, M = 0,2*Y. Os impostos só afetam a compra de produtos domésticos.
a) Encontre algebricamente o ponto de equilíbrio desta economia (OAeq, DAeq), desenvolvendo o raciocínio inteiro.
OA = DA
Y = 200 + 0,4 * (Y - 100) + 200 + 100 + 100 - 0,2*Y
Y = 200 + 0,4*Y - 40 + 200 + 100 + 100 - 0,2*Y
Y - 0,4*Y + 0,2*Y = 560
0,8*Y = 560
Y = 700
O ponto de equilíbrio é (700, 700).
b) Qual o multiplicador de gastos dessa economia?
Como consta no slide 78 do arquivo geral, com as importações o multiplicador passa a ser dado por: 1 / (1 + m - c).
Logo, se chamarmos o multiplicador de u:
u = 1 / (1 + 0,2 - 0,4) = 1 / 0,8 = 1,25.
Perceba que ele diminuiu ainda mais com a introdução das importações.
20) O que é renda disponível? Expresse matematicamente.
Renda disponível é a renda que sobra após a dedução de impostos. Já usamos nos exercícios anteriores. Chamando a renda disponível de Yd, temos que: Yd = Y - T. (Se ao invés de tributar o governo retirar impostos ou oferecer subsídios, teremos Yd = Y - (-T) = Y + T).
21) Explique o que são orçamento público, déficit e superávit.
O orçamento público representa os bens e serviços adquiridos, transferências realizadas e impostos recebidos pelo Governo durante certo período de tempo.
Superávit: receita advinda dos impostos é superior ao total da despesa. Déficit: receita advinda dos impostos é inferior ao total da despesa.
Desconsiderando as transferências, o déficit orçamentário é dado por: Déficit = G - T. Isto é, se não houver transferências, a despesa é igual aos gastos do governo, apenas.
22) Por que se diz que o aumento de impostos é uma medida restritiva de política econômica?
Porque incide negativamente sobre a demanda agregada e a produção.
23) Se numa situação qualquer considerarmos um aumento de G = 100 e uma redução de T = 100, qual delas promove um crescimento maior da demanda?
ΔG = 100. Lembre-se que o deslocamento da demanda causado por T é multiplicado pela PMC, por isso na altura a demanda vai se movimentar menos e, consequentemente, cruzar num ponto menor da reta de 45º.
Outra maneira, mais direta, de ver isso é lembrar que a variação no Yeq será dada não pelo multiplicador vezes 100, como seria no caso do gasto do governo, mas pelo multiplicador vezes PMC vezes 100. E lembre: 0 < PMC < 1.
Vide, por exemplo, o exercício 14(a). Lá tratamos de um aumento de T, por isso o PIB de equilíbrio caía. Mas se considerássemos uma diminuição de T, o PIB aumentaria aproximadamente 66,6. Esse valor, mais uma vez, é dado por: PMC * Multiplicador * 100.
Vale a pena fazer: voltando ao exercício 14a, se ao invés de colocar imposto o governo retirar, sua renda disponível para consumo aumenta. Ao invés de Y, você terá Y + T. A solução segue como de hábito:
OA = DA
Y = C + Ip + G
Y = 200 + 0,4 * (Y + 100) + 200 + 100
Y = 500 + 0,4*Y + 40
(1 - 0,4) * Y = 540
Yeq = 540 / 0,6 = 900.
Podemos chegar no mesmo resultado usando o multiplicador de gastos (vimos que era mais ou menos 1,66), a PMC e o Yeq calculado para situação com investimento e governo, mas sem imposto (exercício 13a, valor 833,33):
ΔYeq = 1,66 * 0,4 * 100 = 66,66...
Yeq = 833,333 + 66,666 = 900.
Ora, se ao invés de reduzir 100 de imposto, aumentarmos o gasto em mais 100, teremos:
OA = DA
Y = C + Ip + G
Y = 200 + 0,4*Y + 200 + 200
Y = 600 + 0,4*Y
(1 - 0,4) * Y = 600
Yeq = 600 / 0,6 = 1000.
Ou, usando o multiplicador e o equilíbrio anterior:
ΔYeq = 1,66 * 100 = 166,66...
Yeq = 833,333 + 166,666 = 1000.
24) Os economistas keynesianos não acreditam que a economia, sozinha, seja capaz de atingir seu PIB potencial. Verdadeiro ou falso? Justifique.
Verdadeiro. Os economistas keynesianos defendem fortemente a intervenção do governo para obtenção de crescimento econômico. Observamos ao longo do curso como a alteração nos gastos do governo e impostos podem afetar o PIB de equilíbrio, via demanda agregada. Vimos que G e T compõem o orçamento do governo. Durante períodos de crise, os keynesianos muitas vezes defendem o aumento do déficit orçamentário através, por exemplo, de uma redução nos impostos. Claro que isso depende das hipóteses adotadas pelo modelo, principalmente no que se refere à oferta agregada.
Além de interferir diretamente em G e T, o governo pode tentar estimular os investimentos, as exportações ou reduzir as importações. Afinal de contas, vimos que estas variáveis também afetam o PIB de equilíbrio no modelo keynesiano, pelo canal da demanda.
Vale salientar que o PIB potencial é aquele a que uma economia pode chegar se estiver a pleno vapor, usando todos os seus recursos da maneira mais eficiente possível (pleno emprego). Os keynesianos não acreditam que os recursos encontrem sua alocação eficiente de forma natural.
É preciso enfatizar que a realidade é mais complexa e que os modelos indicam a tendência de atuação de economistas com postura mais keynesiana, ou seja, os modelos indicam apenas o jeitão que a política econômica keynesiana assume na prática.
25) Vimos que hoje a postura clássica é tomada como a que melhor explica a economia no LONGO PRAZO. Qual a opinião dos clássicos sobre a política fiscal?
O modelo clássico defende que a economia sempre está próxima do pleno emprego, ou que no mínimo é capaz de alcançá-lo sozinha, sem intervenções externas. A oferta para eles, como vimos, é vertical e, como visto no exercício 1, alterações na demanda não impactam o PIB. A produção é dada de forma eficiente, com o uso de todos os fatores. Novamente: caso haja algum problema, a economia tem mecanismos autocorretivos (a questão é mais, digamos, tecnológica). Para os clássicos, portanto, o orçamento do governo deve estar sempre em equilíbrio, com o gasto (G) limitado ao mínimo possível. Ao longo do curso nosso foco foi a abordagem keynesiana. Os clássicos apareceram apenas como contraponto. Valem aqui as mesmas ressalvas vistas para os keynesianos: o modelo clássico também depende de hipóteses e, por isso, os resultados na prática nem sempre são semelhantes aos resultados previstos pelo mesmo.
Política Monetária
26) Explique em linhas gerais o que é um ativo financeiro.
Alguém que possui poupança pode emprestar essa quantia para uma empresa que precise de dinheiro. O emprestador recebe do tomador de empréstimo um papel que garante o pagamento futuro da dívida. Este direito em forma de papel é a ideia mais geral de ativo financeiro. O tomador tem a obrigação de pagar o empréstimo mais juros.
27) Discuta a diferença entre gasto em investimento e investimento em ativos (Problemas de terminologia).
É comum chamar a compra de um ativo financeiro ou físico de investimento. E isso vale mesmo para coisas usadas: se você usa suas economias para a compra de um imóvel usado, diz-se que você investiu em imóvel, em um ativo físico. Não é errado falar assim.
Para efeitos de cômputo no PIB, porém, somente imóveis novos contam. Vale a pena reforçar a distinção: gasto em investimento (I), naquela categoria de formação bruta de capital físico, são só imóveis e equipamentos novos. A variação de estoques, que também entra neste gasto em investimento (I), se refere igualmente a itens novos que não foram comprados naquele ano.
Para que não haja confusão, lembre sempre que o investimento que aparece em PIB = C + I + G + (X - M) pertence à ótica da despesa, junto com outros gastos. Portanto, somente uma parte do que chamamos investimento em ativos faz parte do I (gasto em investimento) que entra no PIB.
28) Vimos que empréstimos simples, ações, títulos e depósitos bancários são modalidades de ativos financeiros. Discorra sobre títulos.
Títulos são promessas de pagamento. Modalidade mais comum: o tomador de empréstimos vende um papel padrão que promete pagar uma soma fixa de juros a cada ano e o principal (o valor que aparece estampado) numa data futura fixada. Se você compra um título, você adquire um ativo financeiro. Aquele que vendeu assume uma obrigação.
29) Por que se diz que a utilização de títulos para captação de empréstimo tende a diminuir o custo de transação de grandes empresas?
Custo de transação: despesas relacionadas à negociação e execução de qualquer acordo/barganha. Neste sentido, existe toda uma padronização em torno dos títulos que os torna vantajosos em relação ao empréstimo puro e simples:
- O tomador (vendedor do título) não precisa sair por aí garimpando e negociando empréstimos com várias instituições. Basta lançar a venda de títulos.
- As informações sobre a integridade do tomador têm caráter público, o que diminui o risco de calote para aquele que empresta (compra o título). Na prática, o negócio é tão organizado que existem agências de avaliação de títulos.
- Os títulos podem ser revendidos (mercado de títulos), sendo mais líquidos que os empréstimos.
30) Verdadeiro ou falso? Justifique em palavras: a demanda das empresas por empréstimos aumenta conforme diminui a taxa de juros.
Verdadeiro. A decisão de uma empresa demandar um empréstimo (oferecer títulos) depende da taxa de retorno do projeto de investimento:
Taxa de retorno = [(R - C) / C] * 100%
Onde: C = Custo do Projeto; R = Receita Esperada.
Se a taxa de retorno é maior que a taxa de juros com a qual ela se depara no mercado, vale a pena investir no projeto. Então, para financiá-lo, ela vai demandar empréstimos. A quantidade de projetos de investimento que dão um retorno de, por exemplo, 4%, é maior que o número que retorna 12%.
31) Verdadeiro ou falso? Justifique em palavras: a oferta de empréstimos por parte das famílias aumenta conforme a taxa de juros aumenta.
Verdadeiro. Trata-se de uma decisão entre consumo presente versus consumo futuro. Se elas deixarem de emprestar, poderiam utilizar este dinheiro para consumo imediato. (Em outras palavras, o custo de oportunidade do empréstimo é o consumo presente). Mas, se emprestarem, receberão o montante corrigido por juros e, assim, poderão consumir mais no futuro. Quanto maior a taxa de juros, mais elas poderão consumir futuramente.
32) Complete: Ao demandar empréstimos, a empresa oferta títulos. Ao demandar títulos, as famílias ofertam empréstimos.
34) Uma economia possui apenas duas empresas, A e B. Suponha que a empresa A possua um projeto de expansão, cujos valores sejam: Receita = 500 mil reais, Custos = 400 mil reais. A empresa B também possui um projeto, cujos valores são: Receita = 500 mil reais, Custos = 250 mil reais.
a) Qual a taxa de retorno destes projetos (em termos percentuais)?
TxA = [(500 - 400) / 400] * 100% = 25%
TxB = [(500 - 250) / 250] * 100% = 100%
b) Para viabilizar seus projetos, ambas as empresas precisam captar recursos e têm de decidir se ofertam ou não títulos no mercado. Suponha que a necessidade de recursos seja fixa em 30 mil reais para ambas as empresas, independentemente de qualquer coisa. Caso a taxa de juros nominal seja de 30%, qual será o volume total de empréstimos (em R$) demandados nesta economia?
Somente a empresa B demandará empréstimos, porque somente para ela Tx > taxa de juros. Afinal, 100% > 30%. Então o volume será de 30 mil reais, isto é, apenas o empréstimo de B.
c) Caso a taxa de juros nominal seja 20%, qual será o volume total de empréstimos demandados por esta economia?
Agora a empresa A também demanda, porque TxA > 20%. Portanto, o volume de empréstimos total será a soma da demanda de A e B, ou seja, 60 mil reais.
35) Ações e títulos são mais ou menos líquidos que ativos físicos? Explique.
São mais líquidos, posto serem facilmente comercializáveis e conversíveis em moeda (papel-moeda ou depósito à vista). Ativos físicos costumam ter comercialização mais demorada e a troca por moeda, consequentemente, é mais lenta.
36) Ações e títulos são perfeitamente líquidos? Explique.
Não. É possível que surja um imprevisto e a demanda urgente por moeda possa não ser atendida pela venda dos títulos ou ações, afinal a transação leva algum tempo. Somente moeda (papel-moeda e depósitos à vista) em si mesma é perfeitamente líquida. Tanto é que a taxa de juros paga pela moeda é zero.
37) Discuta o papel fundamental dos bancos na economia.
Um banco é uma instituição que ajuda a resolver o conflito entre a possível necessidade dos emprestadores por liquidez e as necessidades de financiamento dos potenciais tomadores que não querem ou não podem recorrer a ações ou títulos. Um banco é um intermediário financeiro que provê ativos financeiros líquidos na forma de depósitos para os emprestadores e usa estes fundos para financiar a necessidade de investimento dos tomadores.
38) Quando você realiza um depósito em conta corrente, você se torna um emprestador. Explique isso em palavras.
Este é o trabalho dos bancos, mesmo que você, ao depositar em conta corrente, não tenha essa intenção de emprestar. O banco não apenas toma emprestado de você no sentido de manter uma quantia sua, mas também empresta uma parte desta quantia, na sequência, para terceiros. Mas mesmo que tal terceira parte tome um empréstimo que vença daqui a muitos meses, você tem direito de receber imediatamente a quantia que depositou à vista.
39) O que são corridas bancárias?
É quando todos os depositantes (de depósitos à vista) decidem sacar suas quantias simultaneamente. São situações raras e o sistema financeiro vem aprimorando a regulamentação para evitá-las.
40) A moeda resolve o problema da dupla coincidência de desejos e gera ganhos de comércio na economia. Explique.
A moeda resolve o problema da dupla coincidência de desejos na economia. Imagine uma economia de trocas diretas (escambo). Suponha um cirurgião que tenha um serviço muito valioso a ofertar: operações cardíacas. De outro lado, há uma loja que vende geladeiras. O cirurgião quer uma geladeira. Como fazer? A moeda surge como intermediária, em uma troca indireta, que permitiria ao cirurgião comprar a geladeira na ausência de desejo (e necessidade!) do vendedor ser operado. A moeda garante ganhos no comércio ao facilitar as trocas. Por causa disso, contribui para o aumento do bem-estar mesmo sem produzir nada.
41) Descreva as três funções da moeda.
Meio de troca: um ativo que os indivíduos usam para comercializar bens e serviços ao invés de consumi-lo.
Reserva de Valor: para agir como meio de troca, a moeda também precisa ser uma maneira de estocar valor, ou seja, de manter o poder de compra ao longo do tempo.
Unidade de Conta: medida de que os indivíduos se utilizam para fixar os preços e fazer os cálculos monetários.
42) Descreva os três tipos históricos de moeda.
Moeda Mercadoria: bem com valor intrínseco usado como meio de troca. Ouro ou prata, os quais têm outros usos, foram a moeda por muito tempo.
Moeda com garantia: meio de troca sem valor intrínseco cujo valor, em última instância, é garantido pela promessa de que pode ser convertido em bens.
Moeda Fiduciária: meio de troca cujo valor advém única e exclusivamente de seu status oficial de meio de pagamento. As pessoas têm confiança, normalmente no governo, de que estes papéis possuem valor.
43) O M1 é normalmente utilizado para estudar oferta e demanda no mercado monetário. O que compõe o M1? Qual critério utilizado para passar para os outros agregados?
M1 = PAPEL-MOEDA EM CIRCULAÇÃO + (TODOS) OS DEPÓSITOS À VISTA. O critério é a perda de liquidez.
44) Verdadeiro ou falso? O Banco Central é a autoridade monetária e único órgão autorizado a emitir papel-moeda.
Verdadeiro.
45) Verdadeiro ou falso? Justifique. Somente o Banco Central cria moeda.
Falso. Como os depósitos à vista fazem parte do conceito de moeda e como os empréstimos bancários tomam a forma de papel-moeda, podemos dizer que os bancos comerciais também criam moeda (entendida como papel + depósito à vista). Isso acontece porque os bancos não mantêm 100% de reservas, ou seja, sempre emprestam um pedaço dos depósitos em conta corrente.
46) Suponha que as pessoas depositem toda moeda em conta corrente e que a taxa de reservas seja 40%. Suponha que o BACEN emita uma nota nova de R$ 100,00 e que ela seja recebida por você, que, como todas as outras pessoas, vai ao banco e a deposita.
a) Monte, no formato de balanço bancário, as situações de 0 a IV tal como vimos em aula.
SITUAÇÃO 0
Ativo (Direitos): Reservas 100, Empréstimos 0. Total 100.
Passivo (Obrigações): Depósitos 100. Total 100.
SITUAÇÃO I
Ativo: Reservas 40, Empréstimos 60. Total 100.
Passivo: Depósitos 100. Total 100.
SITUAÇÃO II
Ativo: Reservas 100 (40 + 60), Empréstimos 60. Total 160.
Passivo: Depósitos 160 (100 + 60). Total 160.
SITUAÇÃO III
Ativo: Reservas 64 (40 + 24), Empréstimos 96 (60 + 36). Total 160.
Passivo: Depósitos 160. Total 160.
SITUAÇÃO IV
Ativo: Reservas 100 (64 + 36), Empréstimos 96. Total 196.
Passivo: Depósitos 196 (160 + 36). Total 196.
b) Qual o multiplicador bancário desta economia?
Como todo mundo deposita tudo o que recebe, pode ser expresso por 1 / taxa de reservas = 1 / 0,4 = 2,5.
c) Qual a variação na oferta monetária resultante da emissão desta nota de R$ 100,00?
É dada pelo multiplicador vezes a moeda emitida: ΔM = 2,5 * 100 = 250.
d) Se os bancos decidissem diminuir a taxa de reservas para 20%, qual seria a variação na oferta monetária?
O novo multiplicador seria 1 / 0,2 = 5. ΔM = 5 * 100 = 500.
e) Se ao invés de depositar toda a moeda em conta corrente, as pessoas retivessem 10% em papel-moeda, qual seria o multiplicador bancário?
Quando isso acontece, devemos usar a fórmula completa: Multiplicador Bancário = 1 / [1 - d * (1 - r)]. Nela, r é a taxa de reservas (0,4). Se as pessoas retêm 10%, depositam 90%, ou seja, d = 0,9.
Multiplicador = 1 / [1 - 0,9 * (1 - 0,4)] = 1 / [1 - 0,9 * 0,6] = 1 / [1 - 0,54] = 1 / 0,46 = 2,17 (aprox.).
47) O que determina o tamanho do multiplicador bancário?
- A taxa de reservas determinada pelo BACEN: quanto maior, menor o multiplicador bancário.
- A quantidade de moeda retida pelo público: isto é, não depositada. Quanto mais moeda as pessoas retêm, menor o multiplicador.
48) Qual a diferença entre base e oferta monetária?
BASE MONETÁRIA = PM + R
OFERTA MONETÁRIA (M1) = PM + DV
Onde: PM = papel-moeda; R = reservas; DV = depósitos à vista. As reservas bancárias não são consideradas na oferta monetária (não estão disponíveis para ser usadas como moeda). Depósitos à vista não fazem parte da base monetária.
49) Suponha que o total de papel-moeda seja $ 50,00, o total de reservas $ 50,00, o total de depósitos $ 450,00. Qual o multiplicador bancário desta economia?
O multiplicador bancário (b) também pode ser redefinido usando a relação entre oferta monetária (M) e base (B):
b = M / B = (PM + DV) / (PM + R) = (50 + 450) / (50 + 50) = 500 / 100 = 5.
50) Descreva os três instrumentos de controle monetário usados pelo BACEN. Qual ele utiliza mais?
Reservas Exigidas (ou depósitos compulsórios): regulamentação sobre o montante mínimo de reservas que os bancos devem manter. Um aumento na taxa de reservas diminui o multiplicador e a oferta de moeda.
Taxa de redesconto: taxa de juros sobre os empréstimos que o BACEN concede aos bancos comerciais. Se a taxa aumenta, os bancos tomam menos empréstimos, as reservas diminuem e a oferta monetária cai.
Operações de Mercado Aberto (Open Market): compra e venda de títulos do governo. Para aumentar a oferta, o BACEN compra títulos. Para reduzir, o BACEN vende títulos. É o instrumento mais usado.
51) O controle do BACEN sobre a oferta monetária é direto ou indireto? Justifique.
O controle é indireto e imperfeito, porque a quantidade de moeda também depende do comportamento das pessoas (decisão de reter moeda) e dos bancos (decisão de manter reservas em excesso).
52) O que as pessoas comparam para decidir quanto demandar de moeda (papel-moeda e depósitos à vista)?
A comparação relevante é entre a liquidez da moeda (que não paga juros) versus a rentabilidade de outros ativos que pagam juros. As pessoas escolhem entre praticidade e rentabilidade.
53) Qual a taxa de juros paga pela moeda (papel-moeda e depósitos à vista)?
Zero.
55) Por que a curva de demanda por moeda tem inclinação negativa?
Porque uma taxa de juros mais alta significa um custo de oportunidade maior de manter moeda, reduzindo a quantidade demandada.
56) Ilustre graficamente o que acontece com a curva de demanda por moeda em cada uma das seguintes situações:
- Ocorre inflação: a demanda por moeda aumenta para realizar as mesmas transações. A curva desloca-se para a direita.
- PIB real diminui: há menos bens e serviços para adquirir, logo a necessidade de moeda diminui. A curva desloca-se para a esquerda.
58) Suponha que a economia se encontre em cima de sua curva de demanda por moeda, mas que essa demanda seja maior que a oferta monetária. Explique o mecanismo de ajuste.
Se a quantidade de moeda que o público quer manter é maior que a ofertada (ML > M), as pessoas tentarão converter ativos que pagam juros (títulos) em moeda. Como a demanda por títulos cai, os ofertantes de títulos terão que aumentar a taxa de juros para atrair compradores, até que o equilíbrio seja restabelecido.
59) Suponha que o Banco Central queira elevar a meta de taxa de juros. O que ele pode fazer usando cada um de seus instrumentos?
Para elevar a taxa de juros, o BACEN deve reduzir a oferta monetária:
- Reservas Exigidas: aumentar a taxa de depósitos compulsórios.
- Taxa de redesconto: aumentar a taxa de juros cobrada dos bancos.
- Open Market: vender títulos governamentais ao público.