Manejo da Cana-de-Açúcar: Práticas, Pragas e Solo
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Vantagens da Rotação de Cultura com Leguminosas
A rotação de cultura com leguminosas na cana oferece diversas vantagens: reposição nutricional, descompactação do solo, renda extra para o produtor, cobertura do solo no período chuvoso (primavera/verão) evitando erosão, controle de plantas daninhas, melhoramento das propriedades químicas, físicas e biológicas, e quebra do ciclo de pragas. As leguminosas promovem a fixação biológica de nitrogênio e a incorporação de matéria orgânica, o que resulta na redução do uso de nitrogênio fertilizante em cana-planta e contribui para o sistema radicular da cana, dispensando o preparo intensivo do solo.
Uso de Inoculantes
O uso de inoculante para a cana ocorre através de bactérias diazotróficas endofíticas; elas incorporam o nitrogênio da atmosfera e o disponibilizam para a planta, além de estimular os hormônios de crescimento. Exemplos: Gluconacetobacter diazotrophicus e Azospirillum amazonense.
Corretivos e Processos Químicos
A escória de siderurgia e o calcário calcítico são semelhantes na correção da acidez do solo. A inversão de sacarose é o processo pelo qual a cana interrompe a produção de sacarose e direciona esses nutrientes para a floração; a planta fica "isoporizada". Quando submetida à ação de ácidos diluídos ou da enzima invertase, a sacarose sofre hidrólise e libera moléculas de glicose e frutose, que fazem parte da sua estrutura, numa reação química denominada inversão de sacarose.
Subprodutos: Vinhaça e Torta de Filtro
A vinhaça é um subproduto do processo de produção de álcool e fornece principalmente Potássio (K). Já a torta de filtro é um resíduo industrial sucroenergético proveniente da filtração do caldo extraído das moendas nos filtros rotativos. Apresenta elevada umidade (70%) e é fonte de matéria orgânica, fósforo, cálcio, magnésio e nitrogênio, proporcionando melhor desenvolvimento radicular e menores riscos de toxidez da planta por alumínio.
Fisiologia das Plantas C4
Como plantas C4, a cana sequestra o carbono que ela mesma libera; esse processo ocorre duas vezes. Quando ela captura o carbono, ocorre todo o processo novamente: o primeiro resgate ocorre no mesofilo e a segunda captação ocorre na bainha vascular.
Maturadores, Inibidores e Retardantes
Maturadores/Inibidores: Atuam sobre a gema apical, inibindo o crescimento. Exemplo: Glifosato (inibidor da síntese de aminoácidos). Retardantes: Retardam o desenvolvimento sem atuar na gema apical. Exemplo: Etil-trinexapac (redução do nível de GA ativa).
Fitossanidade: Doenças Fúngicas e Viróticas
Doenças Fúngicas
- Podridão-abacaxi (Colletotrichum falcatum): É um fungo oportunista secundário; seus conídios entram onde as brocas fazem suas galerias. A infecção não ultrapassa os vasos entrelaçados. Encontram-se sintomas nas folhas e colmos, com disseminação por vento e chuva. Está associada à broca da cana (complexo broca-podridão). Pode desenvolver estruturas como tubos germinativos, hifas intracelulares necrotróficas e acérvulos.
- Ferrugem: Fungo Puccinia melanocephala.
- Carvão: Fungo Ustilago scitaminea.
- Podridão-vermelha: Fungo Colletotrichum falcatum, que cria galerias no colmo da cana.
Doenças Viróticas
- Mosaico: Vírus Potyviridae, transmitido pelos pulgões Melanaphis sacchari e Rhopalosiphum maidis (tipo não persistente).
- Amarelinho: Vírus Polerovirus, transmitido pelos mesmos pulgões, porém, neste caso, o vírus é persistente, circulativo e não propagativo.
Pragas e Controle Biológico
Pragas da Parte Aérea
- Broca-do-colmo (Diatraea saccharalis ou Diatraea flavipennella): Controle biológico com Cotesia flavipes. Causa o "coração morto", enraizamento aéreo, brotações laterais e quebra do colmo por galerias transversais. Inverte a sacarose, diminuindo a pureza do caldo.
- Cigarrinha-das-folhas (Mahanarva fimbriolata ou Posticata): Controle biológico com o fungo Metarhizium anisopliae. Produz uma espuma de proteção na base da cana.
Pragas Subterrâneas e Outras
- Cupins (Migdolus): Controle químico no solo.
- Escaldadura: Causada pela bactéria Xanthomonas albilineans.
Condições Ideais de Solo
Apesar de se desenvolver em solos de baixa fertilidade, a cana-de-açúcar responde muito bem a solos férteis e fisicamente adequados. Os solos ideais são bem arejados, profundos, com boa retenção de umidade e alta fertilidade. O valor do pH em cloreto de cálcio (CaCl2) deve ser de aproximadamente 6,0.