Manejo e Produtividade: Arroz Irrigado e Cana-de-Açúcar
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O Sistema Pré-germinado: Vantagens e Desafios
O sistema pré-germinado apresenta como principais vantagens a formação do lameiro, que reduz a porosidade do solo, diminuindo as perdas por percolação e por lixiviação de nutrientes. Com isso, há menor necessidade de vazão para manter a lâmina de água. A inundação também promove a elevação natural do pH do solo, reduzindo ou até dispensando a necessidade de aplicação de calcário para correção da acidez. Além disso, o produtor torna-se menos dependente das condições climáticas para definir a época de semeadura, obtém melhor controle de plantas daninhas não aquáticas e, devido à sistematização em nível, consegue manter uma lâmina de água mais uniforme, favorecendo o controle de pragas, da brusone e proporcionando maior estabilidade térmica da água.
Desvantagem: O sistema pré-germinado apresenta maior custo de implantação devido à necessidade de sistematização do terreno e formação do lameiro, exige maior disponibilidade e controle da água desde antes da semeadura, dificulta a mecanização de algumas operações, principalmente o controle mecânico de plantas daninhas, e requer maior planejamento e manejo da irrigação. Além disso, o preparo do solo é mais complexo e a implantação da lavoura demanda maior nível tecnológico quando comparada ao sistema de semeadura em solo seco.
Comparação entre Arroz e Milho
A folha bandeira é mais importante para o rendimento de grãos no arroz do que no milho porque está muito próxima da panícula, facilitando a relação fonte-dreno. No início do florescimento, o colmo principal do arroz possui apenas cinco a seis folhas verdes, sendo a folha bandeira responsável por cerca de 20% da área foliar da planta. Além disso, o colmo do arroz não acumula reservas que possam ser remobilizadas para o enchimento dos grãos. No milho, a folha bandeira está a mais de um metro da espiga e o colmo funciona como órgão de reserva, podendo remobilizar açúcares quando ocorre redução da área foliar.
Efeito da densidade de plantas sobre o rendimento de grãos: O arroz apresenta maior capacidade de compensar alterações na densidade de plantas porque produz perfilhos. Em baixas densidades, as plantas emitem maior número de perfilhos, compensando parcialmente a redução do estande. Em densidades muito elevadas, ocorre menor perfilhamento devido à maior competição entre plantas. Já o milho possui baixa capacidade de compensação, pois normalmente produz apenas um colmo e uma espiga por planta. Assim, reduções ou aumentos excessivos na densidade afetam mais diretamente a produtividade da cultura.
Semeaduras feitas com profundidades maiores que 5 cm em relação à superfície do solo: O arroz apresenta menor tolerância à semeadura profunda, pois suas reservas são menores e a plântula tem menor capacidade de emergir quando a semente é depositada em profundidades superiores a 5 cm. Já o milho tolera melhor semeaduras mais profundas devido ao maior tamanho da semente e à maior quantidade de reservas acumuladas no endosperma, permitindo que a plântula emerja com maior facilidade mesmo quando a semeadura é realizada em maior profundidade.
Qualidade da Água e Salinidade
Qual é o principal problema com a qualidade da água de irrigação? O principal problema é a alta concentração de cloreto de sódio na água, a utilização de água salina ou salobra.
Quais são as fases do ciclo em que o arroz é mais sensível a este problema?
- a) Na fase de emergência;
- b) Durante o perfilhamento;
- c) Da diferenciação do primórdio floral até o emborrachamento.
Em que regiões do estado de Santa Catarina este problema é mais comum? Em regiões próximas do mar, ou seja, em lavouras instaladas ao longo do litoral de Santa Catarina ou próximas do litoral.
Que condições climáticas favorecem a ocorrência deste problema nas regiões onde ele é mais comum? Em anos de La Niña. Os problemas com água salina normalmente ocorrem em anos de La Niña, que são anos onde chove pouco nos meses de verão, o leito dos rios baixa muito e há uma inversão do fluxo hídrico. A água do mar adentra o leito dos rios.
Produtividade e Toxidez de Ferro
Compare a produtividade dos sistemas de arroz irrigado: O arroz irrigado apresenta produtividade muito superior à do arroz de sequeiro; a produtividade média estimada é de aproximadamente 8.200 kg ha⁻¹ para o arroz irrigado e cerca de 2.700 kg ha⁻¹ para o arroz de sequeiro. Também se observa essa diferença entre os estados produtores: Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde predomina o sistema irrigado, apresentam produtividades próximas de 8.600 e 8.300 kg ha⁻¹, respectivamente, enquanto Mato Grosso e Maranhão, onde predomina o cultivo de sequeiro, apresentam produtividades bem menores.
As diferenças de produtividade são explicadas por quatro fatores principais:
- Disponibilidade de água, pois no arroz irrigado praticamente não há restrição hídrica;
- Alterações químicas provocadas pela inundação do solo, que elevam naturalmente o pH, eliminam o alumínio trocável e aumentam a disponibilidade de fósforo;
- Maior potencial produtivo das cultivares de arroz irrigado;
- Maior investimento em boas práticas de manejo da cultura por parte dos produtores.
A toxidez direta ocorre quando o ferro na forma reduzida (Fe²⁺) chega à raiz, é absorvido pela planta, translocado para a parte aérea e se acumula nas folhas em níveis tóxicos. Esse excesso de ferro provoca a formação de radicais livres, causando morte de células foliares, senescência precoce e coloração acinzentada ou amarronzada das folhas, sintoma conhecido como bronzeamento.
A toxidez indireta ocorre quando o ferro reduzido chega à raiz e entra em contato com o oxigênio liberado pela própria planta. O ferro é novamente oxidado (Fe³⁺) e precipita sobre a superfície das raízes, formando uma crosta de óxidos férricos. Essa crosta dificulta a absorção de nutrientes, principalmente nitrogênio, provocando sintomas de deficiência nutricional, como folhas amareladas, alaranjadas e cloróticas.
As cultivares modernas são mais sensíveis porque apresentam maior potencial produtivo, porém desenvolvem menor quantidade de raízes do que as cultivares tradicionais. Como produzem mais com um sistema radicular menor, tornam-se mais afetadas quando a absorção de nutrientes é prejudicada pela toxidez de ferro.
A toxidez de ferro é mais frequente no sistema pré-germinado por três motivos principais:
- O solo permanece em anaerobiose por um período muito maior, pois a inundação inicia ainda durante o preparo do solo;
- A sistematização em nível exige, muitas vezes, cortes profundos que expõem horizontes do solo com maior teor de ferro;
- Maior dificuldade de realizar rotação com culturas de sequeiro, favorecendo a repetição do problema ao longo dos anos.
Recomendação Técnica: Cana-de-Açúcar
O gestor da propriedade está em dúvida entre optar por um sistema de cana-de-açúcar de 12 meses ou cana-de-açúcar de 18 meses. Como consultor técnico, para uma área de 100 hectares, recomendaria o sistema de cana-de-açúcar de 18 meses (cana de ano e meio). Nesse sistema, o plantio é realizado entre janeiro e abril, permitindo um período maior de desenvolvimento da cultura antes do primeiro corte. O maior tempo de crescimento favorece a formação de maior quantidade de biomassa e maior potencial produtivo. Além disso, o plantio na segunda estação possibilita melhor distribuição das operações de preparo do solo, plantio e colheita ao longo do ano, facilitando o manejo de uma área extensa. Já a cana-de-açúcar de 12 meses é plantada no início da estação chuvosa, entre setembro e novembro, sendo indicada quando se deseja realizar o primeiro corte após aproximadamente um ano.