Marxismo, Imperialismo e Colonialismo no séc. XIX

História3,68 KB

Marxismo e luta de classes

Apesar de se ter proclamado a igualdade dos homens perante a lei, continuavam a haver diferenças sociais, nomeadamente no que toca a rendimentos. A burguesia enriquece porque explora a classe proletária e a classe proletária empobrece porque é explorada pela burguesia. Revoltados com a situação, vários socialistas decidiram desenvolver propostas de modo a acabar com a injustiça. Dois desses pensadores foram Karl Marx e Friedrich Engels.

Marx incentivou os trabalhadores a dar início a uma revolução social. O marxismo defende que o capitalismo assentava na mais-valia: isto é, o salário do operário não correspondia ao valor do seu trabalho e a exploração do operário era o lucro do burguês. Segundo Marx, a história da sociedade baseava-se na luta de classes ("A história de toda a sociedade...").

Marx dizia que foi a luta de classes que provocou a passagem de um modo de produção para outro: o escravismo foi substituído pelo feudalismo devido a lutas de classes, e o feudalismo deu lugar ao capitalismo também por esse movimento. Por esta lógica, Karl acreditava que uma nova luta entre proletários e burgueses conduziria à destruição do capitalismo e à construção do comunismo — uma sociedade sem classes, sem Estado e sem exploração. Em suma, a desigualdade só poderia ser superada com a união das classes proletárias numa luta revolucionária ("Proletários de todos os países, uni-vos").

Imperialismo e colonialismo

No séc. XIX, a Europa dominava o mundo. Uma nova fase de expansão europeia conduziu ao imperialismo, isto é, um Estado exercia domínio militar, político, económico e cultural sobre outros países, como aconteceu com Portugal e com a Grã-Bretanha, por exemplo. Uma das formas de domínio dos europeus era o colonialismo: exercia-se domínio sobre colónias a nível militar, económico, político, cultural e racial.

Os objetivos das principais potências coloniais eram:

  • obter matérias-primas baratas;
  • criar novos mercados de venda — para colocar "todo o excesso da (...) produção";
  • obter territórios para emigração;
  • garantir o escoamento da produção industrial e aliviar a pressão demográfica na Europa.

Isto porque, quando os mercados europeus se fecharam devido ao protecionismo, apenas os novos territórios poderiam fornecer as matérias-primas necessárias. A exploração de novos territórios era apoiada em ideias de superioridade civilizacional e racial, proclamando com orgulho a superioridade das potências colonizadoras. O colonialismo fez de África e Ásia locais bastante cobiçados. África foi o continente mais cobiçado devido aos seus recursos naturais e era visto como "um dos vastos quarteirões ..."


Conferência de Berlim (1884–85)

Entre 1884 e 1885 teve de se ditar as regras de partilha de África, por ser um local tão cobiçado. Na Conferência de Berlim, os chefes de Estado repartiram entre si o território africano, ignorando as fronteiras que tinham sido definidas pelos povos nativos. Proclamaram também o princípio da ocupação efetiva, pondo fim ao direito histórico (a nação que descobrisse ou conquistasse determinado território tinha direito a fazer dele o que quisesse).

Assim, só teria direito a ocupar uma região a nação que tivesse capacidade económica, cultural, política e militar para o fazer, e não aquela que chegasse em primeiro lugar a determinado local. Portugal saiu bastante prejudicado.*

Baixar

PDF Word HTML