Flúor Tópico, Fluorose Dentária e Aplicação Clínica
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Mecanismo de Ação do Flúor Tópico
Seja sistêmico (onde o flúor acaba sendo excretado também pela saliva) ou tópico, ambos possuem o mesmo mecanismo de ação. O efeito dá-se de duas formas:
- Primeiro: pela manutenção da concentração de flúor na saliva, por meio do uso frequente de um método, como, por exemplo, a utilização de dentifrício fluoretado.
- Segundo: pela formação de produtos da reação do esmalte-dentina com o flúor, formando o mineral do “tipo” CaF2 (fluoreto de cálcio), que, depositado no biofilme e em lesões iniciais de cárie, é capaz de evitar a progressão da doença.
Durante o tratamento tópico com fluoretos em concentrações maiores de 100 ppm, ocorre uma rápida formação de CaF2 (porém, há fatores que influenciam na formação de CaF2, tais como a concentração na aplicação, o pH do meio, o tempo de aplicação, a estrutura mineralizada, o tempo de erupção dentária e a condição do dente).
Fluorose Dentária
É um efeito sistêmico que depende do flúor no sangue, do flúor ingerido e da quantidade absorvida. Qualquer fluoreto absorvido tem potencial para causar fluorose dental, independentemente da fonte; ocorre no processo de formação do dente, sendo que a duração da exposição é mais relevante que a quantidade. Por exemplo, a prevalência e a severidade da fluorose em uma criança que bebeu água fluoretada com 1,4 ppm de flúor apenas 1 dia por mês será inferior à daquela exposta diariamente a concentrações ótimas de 0,7 ppm de flúor.
A fluorose se manifesta em diferentes graus de aumento da opacidade do esmalte, caracterizado através de linhas brancas transversais, sempre bilateral, e dentes formados no mesmo período vão sempre apresentar o mesmo grau de alteração. O tratamento consiste em realizar uma microabrasão, pois a camada de esmalte alterada é superficial; em casos mais graves, podemos desgastar e confeccionar uma peça protética.
Índices de Fluorose e Diagnóstico
Segundo o Índice de Dean (que é o mais utilizado para o registro das fluoroses dentárias para cada grau de comprometimento), a fluorose dentária pode ser classificada em: Normal, questionável, muito leve, leve, moderada e severa. Há também o Índice de TF (Thylstrup & Fejerskov) e o Índice de TSIF.
Para diagnosticar a fluorose, é necessário realizar a profilaxia e, posteriormente, secar bem o dente.
Flúor Tópico de Aplicação Profissional
Podem-se utilizar géis, soluções ou vernizes fluoretados.
Modo de Aplicação
- Solução: Fazer a profilaxia para remover placa e biofilme com escova de Robinson + pedra-pomes na face oclusal e taça de borracha + pedra-pomes em superfícies lisas. Deve-se sempre utilizar o sugador, pois, se o paciente cuspir, acaba criando outra camada de biofilme. Lavar, secar e fazer isolamento relativo com roletes de algodão; aplicar o flúor com um pincel em toda a superfície do dente e deixar no paciente por 4 minutos (de boca aberta); remover o excesso com gaze e pedir ao paciente para cuspir.
- Gel: O gel permite o uso de moldeira e utiliza o mesmo método de aplicação.
- Verniz fluoretado: Realizar profilaxia e isolamento relativo; aplicar nos dentes com o auxílio de um pincel (onde o mesmo ficará com cor castanha) e gotejar em cima do verniz aplicado para que ele contraia e grude. O paciente deve ficar 2 horas sem se alimentar e 12 horas sem escovar os dentes, sendo permitido beber água. A desvantagem dessa técnica é que não é estética.
Aplicar na cárie e pedir ao paciente para que retorne em 1 semana; caso não tenha remineralizado, aplicar novamente e solicitar retorno em mais uma semana; caso não resolva, mudar a técnica.
Frequência de Aplicação e Eficácia
A frequência de aplicação depende do risco de cárie do paciente:
- Baixo risco: 1 vez ao ano;
- Médio risco: Semestral (2 vezes ao ano);
- Alto risco: Bimestral ou até mais vezes;
- Para áreas desmineralizadas e sensibilizadas: apenas 4 vezes.
Poder do modo de aplicação: redução de até 40% do índice de cárie.