Mediadores terciários e fagocitose: mecanismos essenciais
Mediadores químicos terciários
Mediadores químicos terciários — são ativados no plasma. São substâncias inativas no plasma que precisam ser ativadas; não são produzidas por células. As cininas plasmáticas são mediadores químicos terciários, encontradas no plasma.
Exemplo:
Mastócitos produzem calicreína, que age sobre o bradicinogênio e o transforma em bradicinina, aumentando a vasodilatação e a sensação de dor.
É chamado terciário porque é uma substância que provoca vasodilatação, mas é ativada no plasma. Os mediadores secundários são produzidos pela célula e os mediadores primários já estão armazenados nos mastócitos.
Fagocitose
Fagocitose — é a principal função dos neutrófilos e macrófagos.
Há seletividade do material a ser fagocitado para evitar a ingestão de células do próprio organismo. Os critérios que favorecem o reconhecimento e a fagocitose são:
- Superfície rugosa.
- Ausência de camada proteica protetora.
- Presença de anticorpos de superfície que identificam o agressor.
Geralmente, no processo inflamatório ocorre a fagocitose, pois é necessária a presença de algo estranho para ativá-la.
Marginalização e alterações hemodinâmicas
Para ocorrer fagocitose é necessária a marginalização dos neutrófilos e macrófagos em direção ao tecido. Para que a marginalização seja facilitada, é necessário haver uma diminuição do fluxo sanguíneo: vasodilatação das arteríolas, diminuição da circulação por qualquer motivo, estase (parada) quando o fluxo está muito lento — em resumo, qualquer alteração vascular que diminua o fluxo sanguíneo.
Moléculas de adesão e diapedese
Para que o leucócito passe ao tecido é necessário que primeiro ocorra a marginalização. Quando o leucócito está próximo do endotélio, expressa moléculas de adesão que fixam o leucócito ao endotélio e facilitam a diapedese. Essas moléculas de adesão são ativadas no processo inflamatório.
Quimiotaxia e migração
Depois de passar para o tecido, as bactérias liberam substâncias quimiotáxicas positivas que atraem o leucócito para que ele possa fagocitar. Temos substâncias químicas exógenas, produzidas por bactérias, e substâncias endógenas, como o sistema complemento e citocinas (linfócitos T e outras), produzidas no processo inflamatório pelo próprio organismo.
Então o leucócito realiza migração, deslocando-se até a bactéria por quimiotaxia positiva, movendo-se por movimentos ameboides.
Reconhecimento e opsonização
Ao chegar ao local onde a bactéria está, o leucócito precisa reconhecê-la (superfície rugosa, ausência de camada protetora, presença de anticorpos de superfície, etc.). Para facilitar o contato, é necessária a opsonização: a utilização das chamadas opsoninas, que aceleram o contato do leucócito com a partícula estranha. As principais opsoninas são componentes do sistema complemento e anticorpos de superfície.
É possível haver fagocitose sem opsoninas, porém com velocidade muito menor, o que é prejudicial ao organismo.
Englobamento e digestão intracelular
O leucócito entra em contato, emite pseudópodes e começa a englobar a partícula até envolvê-la completamente. Quando a partícula está dentro do fagossomo, as enzimas lisossomais atuam e promovem a destruição. Esse processo aumenta o metabolismo do leucócito.
Quando o metabolismo aumenta, o principal componente produzido é o CO2 em grande quantidade; em contato com a água intracelular forma-se H2CO3 (ácido carbônico) que se dissocia em HCO3– (bicarbonato) e H+. Essa alteração pode reduzir o pH intracelular. A acidificação ativa as enzimas lisossomais, que podem degradar componentes do próprio leucócito, contribuindo para a morte celular durante o processo.
Piócito e formação do pus
O leucócito degradado ou morto torna-se um piócito; um conjunto de piócitos forma o pus. O pus é esbranquiçado porque contém células mortas.
Antibióticos e infecções
Os antibióticos bactericidas ajudam a eliminar bactérias e, assim, auxiliam a ação dos leucócitos.
Em infecções virais não se forma pus da mesma maneira, porque os leucócitos não reconhecem os vírus da mesma forma que reconhecem bactérias. Nesses casos, o controle depende principalmente do sistema imune adaptativo.