Medidas e Avaliações na Educação Física: Guia Completo

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Introdução

O conceito de medidas e avaliações em Educação Física é encarado como sendo um processo para se atribuir notas ou conceitos. Certamente, esta atribuição assume um papel importante dentro do quadro educacional, mas não é o único e nem o mais importante propósito das medidas e avaliação.

O objetivo é mostrar aos profissionais de Educação Física como um programa de medidas e avaliação assume um papel de capital importância no processo de aprendizagem e, ainda, como e quando empregar técnicas e instrumentos para medir e avaliar determinadas características ou habilidades com precisão, resultando em um processo calcado em bases científicas, dando, desta forma, origem a um trabalho mais credível.

Testes, Medidas e Avaliações – Um Referencial Teórico

Pensar que a avaliação é o ato final do julgamento e não um meio para se observar o progresso algumas vezes é um engano. Outro conceito errôneo é pensar em avaliação como sendo sinônimo de medida, que, na realidade, é apenas uma parte do processo da avaliação.

Para que essas dúvidas sejam esclarecidas, é conveniente conceituar teste, medida e avaliação.

Teste

É um instrumento, procedimento ou técnica usada para se obter uma informação.

Formas: escrito, observação e performance.

Exemplo: Teste da Estatura (medida em centímetros), (Johnson & Nelson, 1979).

  • O TESTE obtém uma informação.

Medida

É um processo utilizado para coletar as informações obtidas pelo teste, atribuindo um valor numérico aos resultados.

As medidas devem ser precisas e objetivas. Podem ser coletadas de duas formas: formal (a pessoa sabe que irá ser testada) e informal (a pessoa não sabe que irá ser testada).

Exemplo: medida, em centímetros, da estatura do testando (Johnson & Nelson, 1979).

  • A MEDIDA dá valor numérico a essas informações.

Avaliação

Determina a importância ou o valor da informação coletada.

Decisão: classifica os testados, reflete o progresso, indica se os objetivos estão ou não sendo atingidos, indica se o sistema de ensino está sendo satisfatório, entre outros.

Deve refletir a filosofia, as metas e os objetivos do profissional. Faz comparação com algum padrão.

Exemplo: o testando é classificado como sendo de estatura alta, média ou baixa (Johnson & Nelson, 1979).

  • A AVALIAÇÃO dá uma classificação a esses valores.

Tipos de Avaliações

Em geral, quando o termo avaliação é mencionado, pensa-se em administrar testes e atribuir graus aos indivíduos. Como será visto a seguir, a avaliação tem um papel mais amplo do que testar e atribuir graus. Dependendo do objetivo, o avaliador pode lançar mão de três tipos de avaliação: Diagnóstica, Formativa e Somativa.

Avaliação diagnóstica

Nada mais é do que uma análise dos pontos fortes e fracos do indivíduo, ou da turma, em relação a uma determinada característica.

Esse tipo de avaliação, comumente efetuado no início do programa, ajuda o profissional a calcular as necessidades dos indivíduos e elaborar o seu planejamento de atividades, tendo como base essas necessidades ou, então, a dividir a turma em grupos (homogêneos ou heterogêneos) visando facilitar o processo de assimilação da tarefa proposta (Johnson & Nelson, 1979; Paniago et al., 1979; Kirkendall et al., 1980).

  • Nada mais é do que a análise dos pontos fortes e fracos do indivíduo, ou seja, é a nossa primeira avaliação, a qual ajuda o profissional a calcular as necessidades do indivíduo e elaborar um programa de treinamento tendo em vista essas necessidades.

Avaliação formativa

Este tipo de avaliação informa sobre o progresso dos indivíduos no decorrer do processo ensino-aprendizagem, dando informações tanto para os indivíduos quanto para os profissionais. Indica ao profissional se ele está ensinando o conteúdo certo, da maneira certa, para as pessoas certas e no tempo certo.

A avaliação é realizada quase que diariamente, quando a performance do indivíduo é obtida, avaliada e, em seguida, é feita uma retroalimentação, apontando e corrigindo os pontos fracos até ser atingido o objetivo proposto (Johnson & Nelson, 1979; Paniago et al., 1979; Kirkendall et al., 1980).

  • Avaliação Formativa é como chamamos a reavaliação que é feita a cada 3 meses para informar e auxiliar no progresso do indivíduo.

Avaliação somativa

É a soma de todas as avaliações realizadas no fim de cada unidade do planejamento, com o objetivo de obter um quadro geral da evolução do indivíduo (Johnson & Nelson, 1979; Paniago et al., 1979; Kirkendall et al., 1980).

  • Objetiva ter um quadro geral da evolução do indivíduo.

Objetivos das Medidas e Avaliações

Os objetivos das medidas e avaliação nem sempre são claramente entendidos. Algumas vezes há um engano como, por exemplo, pensar que a avaliação é o ato final do julgamento, em vez de ser um meio para se observar o progresso. Ela é o processo que pode servir para muitos objetivos, como será mostrado a seguir.

Determinar o progresso do indivíduo

O objetivo mais comum das medidas e avaliação é determinar o progresso dos indivíduos. Medindo-se no começo e no fim do planejamento, é possível comparar marcas individuais para mostrar a mudança de comportamento do indivíduo (Scott & French, 1972; Johnson & Nelson, 1979; Kirkendall, 1980; Safrit, 1981).

Classificar os indivíduos

Algumas vezes, quando se necessita distribuir os indivíduos em grupos homogêneos, tendo por base certas características ou habilidades, empregam-se as medidas e avaliação para classificar os indivíduos. O agrupamento homogêneo facilita o ensino e cria uma atmosfera social muito mais agradável para as sessões do que um agrupamento heterogêneo; porém, em alguns casos, é conveniente agrupar os indivíduos heterogeneamente, facilitando a troca de informações entre eles.

As classificações mais comuns e mais utilizadas são feitas com base no nível de aprendizagem do indivíduo, idade, condições clínicas, estrutura corporal (peso e estatura), capacidade funcional, sexo e interesse. Em geral, o objetivo da classificação dos indivíduos é melhorar a instrução (Scott & French, 1972; Johnson & Nelson, 1979; Kirkendall, 1980; Safrit, 1981).

Selecionar os indivíduos

As medidas e avaliação são usadas para selecionar alguns indivíduos do grupo inteiro, do colégio, da cidade, do estado ou da nação. Por exemplo, para fazer a seleção para a formação de um time, de líderes de grupo, ou selecionar indivíduos que necessitam de atenção especial, pode-se e deve-se lançar mão das medidas e avaliação (Scott & French, 1972; Johnson & Nelson, 1979; Kirkendall, 1980; Safrit, 1981).

Diagnosticar

Este objetivo é parecido com o processo de tomar decisão. É necessário para assegurar, continuamente, os pontos fortes e fracos dos indivíduos, para guiá-los através de um programa de Educação Física indicado para atender suas necessidades, proporcionando-lhes uma assistência sistemática (Scott & French, 1972; Johnson & Nelson, 1979; Kirkendall, 1980; Safrit, 1981).

Motivar

A avaliação, se for administrada adequadamente, poderá ser um processo motivacional positivo. Entretanto, se usada erroneamente, poderá se tornar negativa. Os indivíduos podem ser motivados a melhorar suas performances se forem informados e aconselhados sobre seus níveis atuais, que são indicados pelos testes, e incentivados a participar de atividades fora dos programas (Scott & French, 1972; Johnson & Nelson, 1979; Kirkendall, 1980; Safrit, 1981).

Manter padrões

Um programa de avaliação ajuda a manter os padrões de performance que são esperados nos indivíduos. Deve-se determinar se um programa está fornecendo suficiente instrução para orientá-los e motivá-los a alcançar os níveis desejados. Em outras palavras, as medidas e avaliação servem como guia para se poder determinar se está ou não indo ao encontro dos objetivos determinados no planejamento. Caso não se esteja no caminho proposto, o projeto precisa ser revisto.

Não é somente o que está sendo ensinado que precisa ser avaliado, mas também a maneira como está sendo feito, ou seja, se o que está sendo proposto poderia ser melhor exposto aos indivíduos. Esta avaliação serve para dar informações ao profissional e só pode ser efetiva se for bem planejada (Johnson & Nelson, 1979; Kirkendall, 1980; Safrit, 1981).

Experiência indivíduo/profissional

Tanto os indivíduos quanto os profissionais devem tirar proveito do processo de avaliação. Os primeiros devem saber sobre si mesmos tão bem quanto sobre as atividades que serão avaliadas. Já o profissional não deve somente aprender alguma coisa sobre aquele, mas também deve retirar informações valiosas a respeito do seu método de ensino, das atividades que estão sendo realizadas e sobre os efeitos que estão causando no indivíduo (Johnson & Nelson, 1979; Kirkendall, 1980; Safrit, 1981).

Diretriz para a pesquisa

Pesquisa é o meio pelo qual o conhecimento é expandido. Esta depende de informação precisa e adequada, obtida através de procedimentos de medidas cuidadosamente planejadas. Os dados obtidos para a pesquisa devem ser avaliados por sua significância. Outro importante objetivo da avaliação é prover os instrumentos para que se possa levar os conhecimentos adquiridos na realização de determinado trabalho a outras pessoas da área (Johnson & Nelson, 1979; Kirkendall, 1980; Safrit, 1981).

Princípios das Medidas e Avaliações

  • Para que um programa de medidas e avaliação tenha sucesso, deve-se ter em mente certos princípios que são fundamentais ao bom andamento do programa. Sendo assim, o programa deve ser compatível com sua própria filosofia.

É inconcebível conduzir um projeto que não esteja de acordo com sua filosofia. Um programa desse tipo está fadado ao fracasso, pois é impossível desenvolver com sucesso algo em que não se acredita.

  • Para se avaliar efetivamente, todas as medidas devem ser conduzidas com os objetivos do programa em mente.

Antes de se administrar os testes, é preciso determinar os objetivos do programa para se poder avaliar os resultados advindos de acordo com os objetivos propostos. Em todos os aspectos da avaliação, deve-se ter em mente as metas. De outra maneira, o programa de avaliação não terá uma direção a seguir e não frutificará.

  • Deve-se lembrar sempre a relação existente entre teste, medida e avaliação.

A avaliação inclui testes e medidas. Entretanto, avaliar é muito mais amplo do que simplesmente testar e medir. A avaliação é uma tomada de decisão. Os dados coletados através dos procedimentos de medidas são características que devem fazer parte de um todo que é o indivíduo.

  • Devem ser conduzidos e supervisionados por pessoas treinadas.

Não é qualquer pessoa que pode administrar efetivamente um programa de medida e avaliação, que é um assunto muito sério para ser conduzido por alguém não treinado na área. Além do mais, as decisões poderão afetar importantes aspectos da vida de um indivíduo. Com o objetivo de administrar um programa de avaliação de Educação Física que seja efetivo, o profissional deve ter proficiência não só naquilo que vai ministrar, como também deve saber como e quando empregar corretamente as técnicas e instrumentos que irão avaliar o que foi ensinado (Kirkendall et al., 1980).

  • Os resultados devem ser interpretados em termos do indivíduo como um todo: social, mental, física e psicologicamente.

Se um indivíduo sai-se mal num teste, o profissional consciente irá verificar quais as razões que levaram a tal resultado e, na medida do possível e se necessário, prover assistência especial à pessoa. As razões de resultados "fracos" em um teste físico podem ser várias; entretanto, se a razão for física, o bom profissional deverá descobrir qual o ponto fraco do indivíduo e dirigir um programa para que ele possa superar tal deficiência (Kirkendall et al., 1980).

  • Tudo o que existe pode ser medido.

Em outras palavras, qualquer assunto incluído em um programa de Educação Física deve ser medido. Existem, naturalmente, áreas da Educação Física que ainda não estão muito bem definidas e, por esta razão, ainda não foram desenvolvidos testes para medi-las. A área de desenvolvimento social, que inclui socialização, coleguismo e desenvolvimento emocional, ainda não está exatamente definida. Suas medidas não são muito precisas e, por isso, deve-se ter bastante cuidado quando forem usadas. Entretanto, a área de desenvolvimento social não deve ser ignorada, e deve ser lembrado que não é só nesta área que a Educação Física precisa de instrumentos. Mesmo algumas capacidades físicas ainda necessitam do desenvolvimento de testes mais eficazes ou a reformulação de alguns já existentes (Kirkendall et al., 1980).

  • Nenhum teste ou medida é perfeito.

Os profissionais, às vezes, depositam tanta confiança nos testes e medidas que acabam acreditando que eles são infalíveis. Deve-se usar sempre o melhor teste possível, mas ter sempre em mente que podem existir erros (Kirkendall et al., 1980).

  • Não há teste que substitua o julgamento profissional.

Este talvez seja o mais importante princípio da avaliação. Como problema de fato, a avaliação é julgamento. Algumas vezes, os profissionais tentam substituir medidas objetivas por julgamentos; entretanto, as primeiras não podem nunca tomar o lugar dos segundos. Se não houvesse lugar para o julgamento em medidas e avaliação, então o profissional poderia ser substituído por uma máquina ou por um técnico. Por outro lado, julgamentos feitos sem dados substanciais são sempre inaceitáveis. As medidas fornecem os dados que levam o profissional a fazer um melhor julgamento ou tomar uma melhor decisão (Kirkendall et al., 1980).

  • Deve sempre existir o reteste para se observar o desempenho.

Se a habilidade inicial do indivíduo não for medida, então não se terá conhecimento sobre o seu desempenho no programa de Educação Física. Não é possível reconhecer as necessidades do indivíduo sem se saber por onde começar, como também não se pode determinar o que os indivíduos aprenderam ou melhoraram se não se souber em que nível eles estavam antes de começar o programa. Se a habilidade dos indivíduos for medida somente no fim da unidade, aula ou semestre, o teste só vai informar onde eles estão naquele espaço de tempo, isto é, não irá esclarecer nada sobre os efeitos que o programa exerceu nos mesmos. Em outras palavras, se não forem medidos tanto o começo como o final do programa, os métodos e materiais empregados permanecerão desconhecidos, sem que possam ser avaliados. Os testes, medidas e avaliação irão possibilitar ao profissional a elaboração de um programa que atenda às necessidades individuais de cada aluno (Kirkendall et al., 1980).

  • Usar os testes que mais se aproximem da situação da atividade.

Os testes devem refletir as situações da atividade. Por exemplo, um jogador de futebol chuta a gol, tendo por objetivo que a bola entre na meta. O teste deve ser construído de tal maneira que, com um certo número de tentativas, o indivíduo deva chutar a bola a uma determinada distância e atingir um alvo. Deve-se lembrar, entretanto, que uma combinação de habilidades não é necessariamente uma situação de atividade. No teste acima, por exemplo, não foi considerado se a bola estava parada ou em movimento, por isso iria depender do objetivo do teste: para bolas paradas (cobrança de faltas) ou para bolas em movimento. Também não foi analisada a existência ou não de marcador ou barreira. Outro fator que deveria ter sido examinado era se o jogador iria conduzindo a bola e então, ao atingir uma predeterminada distância, chutaria. Todos estes fatores devem ser levados em consideração para que se possa construir testes que irão refletir, da melhor maneira possível, a situação da atividade (Scott & French, 1972).

  • Usar os testes mais válidos, fidedignos e objetivos.

Os testes devem medir, consistentemente, o que se pretende que eles meçam e devem ter o mesmo resultado, independente da pessoa que os está aplicando. Como nenhum teste é perfeito, nenhum teste será totalmente válido, fidedigno e objetivo. Entretanto, devem ser usados os melhores disponíveis e deve-se pesquisar, continuamente, para melhorar os instrumentos e medidas (Kirkendall et al., 1980).

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