Meios de Cultura e Biossegurança em Microbiologia

Classificado em Medicina e Ciências da Saúde

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Preparação, Acondicionamento e Controle dos Meios de Cultura

Exigências Nutritivas

  • Fonte de Carbono
  • Fonte de Nitrogênio
  • Fonte de Energia
  • Fonte de Sais Minerais
  • Vitaminas e Aminoácidos

Exigências Inerentes

  • pH: apropriado e não ácido
  • Temperatura: antes = frio
  • Pressão Osmótica
  • Grau de Umidade
  • Tensão de Oxigênio: aeróbias, anaeróbias, facultativas e microaerófilas

Preparo do Meio

  • Sólido: em placa
  • Tubo: (1) horizontal e (2) inclinado

Classificação dos Meios de Cultura

Quanto à Consistência

  • Líquido: Nutrientes em solução aquosa e inexistência de ágar;
  • Semissólido: Presença de nutrientes e ágar em concentração [ ] menor que 15g/1000ml;
  • Sólido: Presença de nutrientes e ágar em concentração [ ] maior que 15g/1000ml.

Quanto à Função

  • Enriquecedor: Permite o crescimento de microrganismos que necessitam de fatores de crescimento, mas não inibem o crescimento de outros;
  • Seletivos: É aquele que inibe o crescimento de microrganismos, porém permite o crescimento de outros;
  • Diferenciador: Possui substâncias que evidenciam uma característica que permite separar um grupo ou uma espécie de microrganismos;
  • Manutenção: Permite a viabilidade e manutenção de características fisiológicas de um microrganismo.

Quanto à Natureza

  • Animados: É constituído de células vivas (animais de laboratório, tecidos vivos ou ovos embrionados);
  • Inanimados: Não é formado por células vivas.
    • Naturais: Contêm substâncias provenientes da natureza;
    • Sintéticos: Formados por substâncias químicas preparadas em laboratório;
    • Semissintéticos: União de compostos naturais e sintéticos.

Exemplos de Meios de Cultura

Quanto à Consistência

  • Líquido: THIO (Thioglycollate medium), BHI (Brain Heart Infusion);
  • Semissólido: SIM (Sulfeto Indol Motilidade);
  • Sólido: MSA (Manitol Salt Ágar), AS (Ágar Sangue).

Quanto à Função

  • Enriquecedor: BHI, AS;
  • Seletivos: MSA, MC (MacConkey);
  • Diferenciador: MC, AS;
  • Manutenção: NA (Nutriente Ágar).

Quanto à Natureza

  • Animados: Cultura Celular;
  • Inanimados: Natural (Leite), Sintéticos (MSA), Semissintéticos (AS).

Composição dos Meios

BHI (Meio enriquecido e líquido): Infusão de cérebro e coração, Peptona, Dextrose, Cloreto e Fosfato de Sódio, Água destilada.

MC (MacConkey – meio seletivo e sólido em placa): Sais biliares, Peptona, Lactose, Cloreto de Sódio, Ágar, Vermelho Neutro, Cristal Violeta, Água destilada.

Controle e Armazenamento

  • Autoclavagem: 121 °C por 30 min;
  • Refrigeração: contínua.

Armazenamento dos Meios

  • Inicialmente devem ser guardados na geladeira dentro de plásticos para evitar a desidratação;
  • Os tubos devem ser isolados com rolhas e alumínio na geladeira;
  • Após a inoculação, deve ser incubado em estufa à temperatura ambiente;
  • Identificação do conteúdo, data de preparação e vencimento.

Controle de Qualidade

Uma amostra do lote deve ser inoculada e observada para testar a viabilidade dos nutrientes e a certeza de resultados. Ex: Estreptococos grupo A em ágar sangue – observar bom crescimento e beta-hemólise.

Crescimento Bacteriano

O crescimento bacteriano depende de: Exigências Nutritivas e Exigências Inerentes.

Medidas Assépticas para a Inoculação do Meio de Cultura

  • Alças flambadas antes e depois;
  • Deve-se esperar o resfriamento;
  • Os recipientes contendo meios deverão ser abertos somente na zona de esterilidade gerada pelo Bico de Bunsen;
  • A boca do tubo de ensaio deve ser aquecida antes e depois de ser retirada a tampa;
  • A rolha nunca deve ser apoiada na bancada.

Inoculação Pour-plate

O objetivo é obter colônias isoladas (estudo qualitativo) para realizar a contagem de colônias (estudo quantitativo).

Plaqueamento - Pour-plate

Acondicionamento X Crescimento:

  • Identificação no fundo da placa e tubo;
  • Temperatura e tensão de oxigênio ideais;
  • Período: entre 18 e 24 horas;
  • Observa-se macroscopicamente a multiplicação bacteriana (Fase LOG).

Resultados e Interpretação

  • Quantidade de Crescimento: escassa, moderada ou abundante;
  • Margem: uniforme ou irregular;
  • Forma: circular, irregular ou rizoides;
  • Distribuição de crescimento no meio de cultura:
    • Uniformemente distribuído;
    • Confinado à superfície do meio como um filme ou película;
    • Acumulado como sedimento que pode ser granuloso ou viscoso.
  • Cromogênese: opaca, translúcida ou com pigmento;
  • Odor: pútrido, aromático ou desprezível.

Investigação da Atmosfera de Crescimento

O Laboratório de Microbiologia

Vidraria

Normas Adotadas

  • Desinfetar a bancada e equipamentos;
  • Não comer ou fumar;
  • Usar jaleco dentro do laboratório;
  • Lavar as mãos;
  • Notificar acidentes;
  • Seguir o protocolo de manuseio dos equipamentos;
  • Trabalhar dentro da área de segurança do bico de Bunsen;
  • Flambar alças, agulhas e pinças;
  • Observar manobras assépticas.

Processos de Controle do Crescimento Bacteriano

  • Esterilização: Inativação total por processos físicos e químicos quanto ao potencial reprodutivo;
  • Microbiostático ou Bacteriostático;
  • Microbicida ou Bactericida;
  • Desinfecção: Elimina microrganismos quanto à sua potencialidade infecciosa no objeto, superfície ou local tratado;
  • Antissepsia: Semelhança à desinfecção no organismo humano.

Agentes Físicos e Químicos

Infecções Adquiridas em Laboratório

  • Vias normais de infecção: pele, mucosas, vetores, inalação, ingestão.
  • Outras Vias - Inoculação acidental: agulhas e seringas, objetos cortantes como vidro quebrado, mordida ou arranhão de animal de laboratório.
  • Ingestão acidental: Respingos nos olhos, face e dedos.
  • Aerossóis: São micropartículas sólidas ou líquidas, com dimensões aproximadas entre 0,1 micrômetro e 50 micra, que podem permanecer em suspensão em condições viáveis por várias horas e alcançam alvéolos pulmonares.

Detecção de Contaminação Profissional

Em casos de o profissional do laboratório apresentar certa doença, como detectar que a contaminação foi feita com um microrganismo isolado no laboratório? Resposta: Utilizar biologia molecular. Fazer o sequenciamento do material genético do microrganismo que contaminou o profissional e da amostra isolada, comparando as regiões homólogas. A presença destas regiões homólogas determina a positividade do teste.

Classificação dos Microrganismos por Classe de Risco

Para classificar um microrganismo dentro dessas classes, é preciso caracterizá-lo da seguinte forma:

  • Ele é patogênico para o ser humano?
  • Há risco de contaminação para os técnicos de laboratório?
  • É transmissível à comunidade?
  • Há tratamento ou medidas profiláticas?

Classes de Risco

  • Grupo I: Microrganismos que possuem poucas chances de causar doença ao ser humano. Ex: Bacillus cereus.
  • Grupo II: Microrganismos que representam risco moderado e coletivo limitado. Possuem potencial para causar doença no homem, mas com poucas chances de transmissão para os profissionais do laboratório. Ex: Schistosoma mansoni.
  • Grupo III: Microrganismos que representam alto risco de causar doença no homem, com elevadas chances de transmissão para os profissionais do laboratório. Ex: Mycobacterium tuberculosis, HIV.
  • Grupo IV: Microrganismos que representam risco altíssimo de causar doença no homem, sendo estas doenças muito graves e sem tratamento ou medidas profiláticas. Elevado risco de espalhar-se pelo laboratório e para os profissionais. Ex: Vírus Ebola.

Cabines de Segurança Biológica e Fluxo Laminar

São equipamentos apropriados que oferecem proteção para se trabalhar com patógenos. As cabines são sempre verticais e os fluxos são horizontais. São classificadas em Grau I, II, III e mista.

Classificação das Cabines Biológicas

  • Classe I: O ar penetra pela frente da cabine, os aerossóis não escapam em direção ao operador, fornecendo proteção somente a este. Trabalha-se com microrganismos do grupo de risco I.
  • Classe II: O ar penetra pela grade do chão da cabine e sobe, fornecendo um elevado grau de proteção ao operador e ao material manipulado. Podem ser trabalhados microrganismos dos grupos de risco I, II e III.
  • Classe III: O operador é separado da área de trabalho por uma barreira física e só entra em contato com o material através de luvas. Trabalha-se com microrganismos do tipo IV.
  • Classe híbrida I/III: É a cabine de classe I cuja barreira física só é atarraxada quando necessário. Funciona como I e III.

As cabines de segurança possuem filtros formados por microfibras com alumínio intercalado. Esse filtro chama-se HEPA (High Efficiency Particulate Air) e possui uma eficiência de filtração de 99,7%.

Nota sobre vírus: Os filtros são eficientes para microrganismos até 300 nm (tamanho de bactérias). Os vírus, por leis físicas, quando estão sob forma de aerossóis, não estão individualizados; eles estão agrupados em partículas maiores que 300 nm, tornando a filtração eficiente.

Classificação das Unidades de Trabalho (Níveis de Contenção)

A classificação dos laboratórios em níveis de contenção depende do grupo de risco do microrganismo e das manipulações e procedimentos utilizados.

Nível de Contenção I

  • Trabalha-se com microrganismos do grupo de risco I.
  • Exige-se uma pia e um lava-olhos.

Nível de Contenção II

  • Trabalha-se com microrganismos do grupo de risco I e II.
  • Localiza-se longe de escritórios e áreas de acesso público.
  • Possui sinalização na porta; as portas permanecem trancadas durante o trabalho.
  • Exige-se uma pia e um lava-olhos.
  • A autoclave está dentro do laboratório.
  • É obrigatória a presença de cabine de segurança.

Nível de Contenção III

  • Trabalha-se com microrganismos do grupo de risco I, II e III.
  • Localiza-se longe de escritórios e áreas de acesso público.
  • Possui sinalização na porta; as portas permanecem trancadas durante o trabalho.
  • Exige-se uma pia e um lava-olhos.
  • A autoclave está dentro do laboratório.
  • É obrigatória a presença de cabine de segurança.
  • O acesso de visitantes é controlado.
  • Trabalha-se sob pressão negativa.
  • O ar eliminado para o exterior tem de passar pelo filtro HEPA.
  • O pessoal é altamente treinado e submetido a acompanhamento médico com controle sorológico.

Nível de Contenção IV

  • Trabalha-se com microrganismos do grupo de risco IV.
  • Geograficamente isolado; possui uma unidade independente.
  • É obrigatória a presença de cabine de segurança classe III.
  • Trabalha-se sob pressão positiva e com roupas apropriadas.
  • O pessoal é altamente treinado e submetido a acompanhamento médico constante.
  • Segue todas as recomendações dos níveis anteriores.

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