Memória, Emoções e Motivação: Fundamentos da Psicologia

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1. Processo de recordar os conteúdos que foram adquiridos e armazenados para serem posteriormente utilizados.

2. A memória tem quatro momentos essenciais: o de receção e codificação, que é a informação recebida, tendo que ser devidamente preparada para que o armazenamento possa ser feito; o de armazenamento, ou seja, depois do tratamento das informações, estas são guardadas num grande depósito; o de recuperação, isto é, sempre que necessitamos de uma informação, há que ir procurá-la ao armazém; e o de esquecimento, que é o facto de os dados mnésicos se perderem com o tempo, permitindo adquirir novos conteúdos.

3. A memória a curto prazo é uma área iluminada da nossa mente. É o centro da consciência, pois é onde se encontram os pensamentos, as informações e as lembranças. A sua função é reter temporariamente a informação. Tem também uma capacidade limitada de armazenamento e seleciona e envia conteúdos significativos para a memória a longo prazo. A memória a longo prazo confere-nos a capacidade de recordar uma quantidade substancial de informação durante períodos longos. Nela se encontra armazenado o que foi aprendido e sujeito à codificação na memória a curto prazo. Há uma grande flexibilidade na codificação dos materiais. Esta codifica-se tanto em termos de imagens como em termos verbais, ou ainda em termos de ambos. No caso de se tratar de material verbal, este é essencialmente retido pelo seu significado. No entanto, estamos continuamente a recuperar informação da memória a longo prazo, sendo a recordação um processo gerido pela memória a curto prazo.

4. O esquecimento é uma atividade essencial para a memória; funciona para eliminar certas informações não desejadas, armazenadas no cérebro, para poder ter espaço para nova informação.

5. As situações propícias ao despertar das emoções são as situações novas, as situações insólitas e as situações inesperadas.

6. Os afetos são predisposições do indivíduo para reagir de modo penoso ou agradável nas relações de vinculação que estabelece com as pessoas ou outros elementos do mundo que o envolve. Os sentimentos são o estado afetivo agradável ou desagradável, de grande estabilidade e média intensidade, com papel moderador nas relações que o sujeito estabelece com as pessoas e com outros elementos do mundo, sendo estes sentimentos conscientes e também estados voltados para a interioridade. A emoção é a reação agradável ou desagradável do organismo, geralmente de curta duração e grande intensidade, a um acontecimento inesperado, que interfere na relação que o sujeito estabelece com a realidade; a emoção pode ser consciente ou inconsciente e também pode ter reflexo nas reações comportamentais.

7. As emoções servem para nos ajudar a entender os outros; estas preparam-nos para agir, permitem a tomada de decisões e moldam o nosso comportamento.

8. Os marcadores-somáticos são um caso especial do uso de sentimentos que foram criados a partir de emoções secundárias. Estas emoções e sentimentos foram ligados, por via da aprendizagem, a certos tipos de resultados futuros ligados a determinados cenários. Quando um marcador-somático negativo é justaposto a um determinado resultado futuro, a combinação funciona como uma campainha de alarme. Quando, ao invés, é justaposto um marcador-somático positivo, o resultado é um incentivo. Os marcadores-somáticos não tomam decisões por nós; apenas ajudam o processo de decisão, dando destaque a algumas opções, tanto adversas como favoráveis, e eliminando-as rapidamente da análise subsequente.

9. Uma atividade voluntária é o conjunto de atos de natureza automática, como os implicados no funcionamento dos nossos órgãos internos, os reflexos simples e as condutas habituais. Esta contém quatro fases principais: a conceção, que é a representação dos objetivos ou fins a alcançar e dos meios adequados à sua prossecução; a deliberação, que é a ponderação das vantagens e inconvenientes da ação, atendendo aos meios de que dispomos para executar e à avaliação das suas consequências; a decisão, que é a escolha ou determinação por uma conduta entre várias possíveis; e a execução, que é a concretização do que se decidiu fazer.

10. A intenção é a finalidade ou o objetivo dinamizador e organizador de um ato ou comportamento; esta diz respeito às ações executadas de acordo com um projeto, isto é, que foram concebidas para atingir um determinado fim. As tendências são disposições internas de um organismo para efetuar determinadas ações ou facilitar a sua execução. Também chamadas motivações, estas manifestam necessidades que desequilibram o organismo e o colocam em estado de tensão, ou seja, desta surgem impulsos que levam o organismo a um comportamento visando a satisfação dessa mesma necessidade.

11. O ciclo motivacional integra-se num conjunto de elementos: a necessidade, que é o estado de desequilíbrio provocado por uma carência ou privação (ex: falta de alimento); o impulso, que é o estado energético capaz de ativar e dirigir o comportamento (força que move o indivíduo para obter comida); o comportamento, que é a atividade desenvolvida e desencadeada pela pulsão (procura de alimento); o objetivo, que é a finalidade ou meta que se procura atingir com a atividade (ingestão do alimento); e a saciedade, que é a redução ou eliminação da pulsão (desaparecimento da fome).

12. A hierarquia das necessidades segundo Maslow é composta por três tipos de necessidades: as básicas, as psicológicas e as de realização pessoal. As necessidades básicas, por sua vez, são constituídas pelas necessidades fisiológicas (como a comida, o abrigo, a roupa) e pelas necessidades de segurança (como a estabilidade, a proteção e a ausência de medo). As necessidades psicológicas são compostas pelas necessidades sociais (por exemplo, a aceitação, o afeto, o amor) e pelas de estima (como a autoestima, o reconhecimento e a autonomia). As necessidades de realização pessoal são compostas apenas pela necessidade de autorrealização, como o desenvolver de talentos. Esta teoria assenta no pressuposto de que as pessoas só atingem um nível superior de motivação se as necessidades do nível inferior estiverem satisfeitas; que, à medida que se sobe na escala hierárquica de tendências, aumenta a diferença entre o que é comum aos seres humanos e animais e o que é específico aos seres humanos; e que as necessidades de níveis inferiores surgem em todos os seres humanos, enquanto as superiores só surgem em alguns.

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