Memorial do Convento: Principais Símbolos e Significados
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A Passarola
Funciona como o elo de ligação entre a terra e o céu e surge, na obra, metaforicamente referida como uma ave, o que remete, de imediato, para o voo. O sonho de voar conota a ousadia e a conquista, mas pode ter um lado negativo: a queda e a desilusão.
Convento
Símbolo do definitivo, do imutável e do eterno; nesse sentido, opõe-se à passarola. É evidente o contraste entre o caráter libertador do projeto de Bartolomeu de Gusmão, que evidencia a atitude criadora do homem e a capacidade de vencer barreiras através do trabalho coletivo, e a natureza opressora da promessa do rei, que espelha uma vontade egoísta e megalómana.
Os Olhos e o Olhar
Ocupam um espaço privilegiado devido ao poder visionário de Blimunda. O seu olhar mágico seduz Baltasar e será, muitas vezes, uma forma de comunicação entre o casal.
Mutilação de Baltasar
Aparece frequentemente como uma marca de inaptidão e de marginalidade. Todavia, na obra, Baltasar conseguirá superar a sua incapacidade ao contribuir para a construção da passarola e do convento.
Sonho
É o espaço onde as personagens deixam transparecer as suas emoções, medos, frustrações e desejos, funcionando, por vezes, como um fator de equilíbrio. É o caso da rainha, que compensa, no mundo onírico, as suas frustrações afetivas e sexuais. Em relação ao rei, os sonhos espelham, acima de tudo, a manifestação do seu poder. Os sonhos comuns de Baltasar, Blimunda e Bartolomeu são uma forma de sublinhar a sua cumplicidade e partilha.
Música
Simboliza a harmonia e a plenitude do cosmos. A música de Scarlatti representa a comunicação e tem o poder de curar. O som do seu cravo irá fascinar o padre e acompanhar o processo de construção da passarola e o momento em que ela se eleva no céu.
Pedra (A Mãe Pedra)
Símbolo da Terra-Mãe, exige um esforço enorme por parte dos trabalhadores que, com coragem, força, habilidade e inteligência, a transportam de Pero-Pinheiro até Mafra. É uma laje descomunal que evidencia a pequenez do homem, mas que, comparativamente ao convento, se torna pequena. Conseguir transportar a pedra até ao seu destino transforma estes homens em verdadeiros heróis. A pedra, pela sua firmeza, também se pode associar à sabedoria.
Fogo
É conforto, aconchego, purificação e regeneração, mas também destruição. O fogo da lareira, em casa de Blimunda, é proteção e bem-estar; o fogo que Bartolomeu Lourenço lança à sua máquina é uma forma de destruir o seu sonho fracassado; o da fogueira dos autos de fé é opressão, destruição e morte.
Sete-Sóis e Sete-Luas
Os nomes de Baltasar e de Blimunda têm o mesmo número de letras, começam por "B" e as suas alcunhas mostram a sua complementaridade:
- Baltasar (Sete-Sóis): Relacionado com o Sol, fonte de luz, calor e vida.
- Blimunda (Sete-Luas): Relacionada com a Lua, símbolo da dependência, da periodicidade e da renovação.
A vida de Blimunda necessita da presença de Baltasar, mas o contrário também é verdadeiro, o que dá uma nova perspetiva a esta correlação. Os dois formam um só ser, como se as particularidades ou defeitos de um fossem colmatados pelo outro. Estas alcunhas aparecem associadas ao número sete, que representa a perfeição que, no caso, apenas se atinge em conjunto. Eles são perfeitos porque se amam e se entregam sem reservas a esse amor.