Mercantilismo e Crise Económica em Portugal (1670-1703)

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Entre 1670 e 1692, Portugal enfrentou uma grave crise comercial provocada por:

  • A concorrência de franceses, ingleses e holandeses, que competiam com os portugueses na produção de açúcar e tabaco;
  • Os efeitos da política protecionista de Colbert;
  • Os efeitos da crise espanhola de 1670-1680 (redução do afluxo de prata da América espanhola, com a qual os holandeses compravam o sal português).

Uma vez que os stocks nacionais se iam acumulando, sem comprador, apesar dos preços cada vez mais baixos, a política do reino orientou-se, de acordo com as tendências mercantilistas da época, para a criação de manufaturas e a implantação de medidas protecionistas.

No entanto, foi o Conde da Ericeira (vedor da Fazenda de D. Pedro II, a partir de 1675) quem, atuando como um "Colbert português", impôs, na prática, a adoção do mercantilismo. De acordo com o modelo francês, deu um forte impulso às manufaturas para atingir uma balança comercial positiva.

As principais medidas do Conde da Ericeira foram:

  1. Estabelecimento de fábricas com privilégios (por exemplo, de panos — sedas e lanifícios — de vidro e de papel).
  2. Contratação de artífices estrangeiros que introduziram em Portugal novas técnicas de produção.
  3. Proteção da produção nacional através das pragmáticas (leis que proibiam o uso de produtos de luxo estrangeiros).
  4. Desvalorização monetária (para tornar os produtos nacionais mais baratos em relação aos estrangeiros).
  5. Criação de companhias monopolistas (por exemplo, a Companhia do Maranhão, para o comércio brasileiro).

Retrocesso da Política Industrializadora Manufatureira Portuguesa

A decadência do esforço industrializante deveu-se, acima de tudo, à descoberta de minas de ouro e de diamantes no Brasil. A entrada de toneladas de metal precioso em Portugal, ao longo do século XVIII, levou a que houvesse grande circulação de dinheiro no reino. As leis pragmáticas já não eram respeitadas e o país voltou-se para o comércio como atividade prioritária.

Dependência Económica de Portugal face à Inglaterra

Segundo o Tratado de Methuen (1703), a Inglaterra comprava os vinhos portugueses enquanto Portugal comprava os lanifícios ingleses. Este tratado gerou uma situação de dependência de Portugal em relação à Inglaterra pois, não só contribuía para o abandono das manufaturas de panos em Portugal, como conduzia ao escoamento do ouro brasileiro para pagar as importações inglesas.

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