Metabolismo dos Carboidratos: Digestão e Vias
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Metabolismo dos Carboidratos (CHO)
Digestão dos Carboidratos
Saliva e suco pancreático / oligossacarídeos / borda em escova / monossacarídeos
- Amilose 10% → Maltose → Maltase → Glicose
- Amilopectina 80 a 90% → Dextrinas → Isomaltase → Glicose
- Amilopectina 80 a 90% → Sacarose → Sacarase → Glicose + Frutose
- Amilopectina 80 a 90% → Lactose → Lactase → Glicose + Galactose
Digestão e Absorção
- 1º - Na boca, a enzima amilase salivar inicia a digestão dos carboidratos.
- 2º - O pH ácido do estômago inativa a amilase salivar.
- 3º - O pâncreas libera a amilase pancreática.
- 4º - No duodeno, as células intestinais liberam as enzimas que completam a digestão dos carboidratos, transformando-os em monossacarídeos.
- 5º - Os monossacarídeos são absorvidos pelas células intestinais por meio de transporte ativo ou difusão simples.
Absorção: Enzimas de Membrana
Luz da parede intestinal (provido do amido): oligossacarídeos, maltose, isomaltose, sacarose, lactose.
Borda em escova: glicoamilase, maltase, isomaltase, sacarase, lactase.
Enterócito: glicose + glicose // glicose + frutose // glicose + galactose
Sítios de Absorção
- Lactose: duodeno e no jejuno proximal.
- Maltose: jejuno e íleo proximal.
- Sacarose: jejuno distal e íleo (principalmente jejuno proximal).
Mecanismos de Absorção
Existem dois mecanismos principais:
- Transporte coativo de sódio: transporta glicose e galactose contra o seu gradiente de concentração (da baixa concentração extracelular para a alta concentração intracelular).
- Difusão facilitada (frutose): realizada por carregadores específicos (GLUT). A GLUT é uma proteína localizada na membrana celular.
Tipos de GLUT:
- GLUT1: maioria das células.
- GLUT2: principalmente no fígado e nas células beta do pâncreas; também encontrado no hipotálamo.
- GLUT3: principalmente nos neurônios; também encontrado na placenta e nos testículos.
- GLUT4 (ativados pela insulina): tecidos sensíveis à insulina (tecido muscular esquelético, cardíaco e tecido adiposo).
- GLUT5: superfície da mucosa do intestino delgado e nos espermatozoides maduros.
Metabolismo Hepático
Fígado (Agente Glicostático): Depois de absorvidos, os carboidratos chegam ao fígado pela veia porta. As células hepáticas convertem frutose e galactose em glicose, e também convertem o excesso de glicose em estoques (glicogênio), revertendo esse estoque em glicose quando há necessidade de manutenção dos níveis de glicose sanguínea. A glicose nos tecidos é transformada em ATP.
Vias Metabólicas
- Via catabólica: Quando o corpo necessita de energia → utilização da glicose para gerar ATP (quebra).
- Via anabólica: Quando não há necessidade de energia → o excesso de glicose é estocado na forma de glicogênio no fígado e nos músculos (construção).
Fosforilação da Glicose
Glicose → (Hexoquinase) → Glicose-6-P: Ligação entre as principais vias metabólicas da glicose.
Glicose + ATP → hexoquinase → Glicose-6-Fosfato + ADP
Glicogenólise → Glicose-6-P → Glicólise → Ciclo de Krebs (ligado à Glicose-6-P pelo ciclo das pentoses) e (ligado à glicólise pela fermentação lática).
Glicólise: Conceitos
Lise = quebra; glico = glicose (quebra da glicose).
- Acontece no citossol (hialoplasma); é uma via do catabolismo da glicose.
- Etapa preliminar necessária para a liberação de energia.
- Sequência de reações que degradam a glicose (6C) em duas moléculas de ácido pirúvico/piruvato (3C).
- Composta por duas fases: uma de consumo de energia e outra de geração de energia, catalisada pela ação consecutiva de onze enzimas diferentes.
Moléculas energéticas:
- ATP (Adenosina Trifosfato): 3 fosfatos.
- ADP (Adenosina Difosfato): 2 fosfatos.
- NAD (Nicotinamida Adenina Dinucleotídeo): transporta elétrons, gera 3 ATPs, naturalmente encontrada nas células.
Balanço da Glicólise
Total de 8 ATP.
Descarboxilação Oxidativa do Piruvato
Acontece na mitocôndria sob condição aeróbia. Vitaminas envolvidas como coenzimas:
- Tiamina (B1): TPP (Tiamina pirofosfato)
- Riboflavina (B2): FAD (Flavina adenina dinucleotídeo)
- Niacina (B3): NAD
- Ácido Pantotênico (B5): Coenzima A
Piruvato → Acetil-CoA. Ligação do catabolismo dos carboidratos e de alguns aminoácidos ao Ciclo de Krebs. De piruvato até a formação de Acetil-CoA (via aeróbica), atua a enzima piruvato desidrogenase (NAD+ → NADH).
Ciclo de Krebs
Acetil-CoA: Sequência de 8 reações, juntamente com o oxaloacetato, tendo como produto o próprio oxaloacetato, que retorna ao ciclo e pode prosseguir indefinidamente.
Etapas sucessivas: Acrescentam-se moléculas de água; ocorre a liberação de dióxido de carbono e átomos de hidrogênio.
- H+: Oxidados para a formação de ATP.
- CO2: Dissolve-se nos líquidos corporais e é transportado até os pulmões, onde é eliminado do organismo.
Balanço do Ciclo de Krebs
1 molécula de glicose → 2 piruvatos → 2 Acetil-CoA → 2 ciclos do ácido cítrico.
Rendimento energético: 24 ATP
- NADH: 3 ATP → (2 x 3 → 18 ATP)
- FADH2: 2 ATP → (2 x 1 → 4 ATP)
- GTP: 1 ATP → (2 x 1 → 2 ATP)
Ciclo de Cori
Ativado em situações onde há fornecimento limitado de oxigênio (ex: músculo durante exercício vigoroso) → o piruvato é reduzido a lactato. Quando o oxigênio torna-se novamente disponível, o lactato é reoxidado no fígado, gerando glicose novamente.
Reações:
- Piruvato → Lactato (lactato desidrogenase, consome NADH para gerar NAD) → via anaeróbia.
- Piruvato → Acetil-CoA (piruvato desidrogenase, utiliza TPP, FAD e converte NAD para NADH) → via aeróbia.
- Glicose → Lactato → Lactato → Lactato → Glicose → Glicose (músculo e sangue).
Glicogenólise
Quebra do glicogênio em glicose, ocorre no fígado e nos músculos. Utilizada quando há necessidade de glicose no organismo; a glicose é produzida a partir dos depósitos existentes de glicogênio (fígado).
Glicogênio → (Fosforilase) → Glicose-1-Fosfato → Glicose-6-Fosfato → Glicose.
* Processo que converte o glicogênio em glicose.
Glicogênese
Síntese de glicogênio a partir de glicose. Utilizada sempre que o nível de glicose no sangue estiver acima do normal.
Glicogênio ← Glicose-1-Fosfato ← Glicose-6-Fosfato → Piruvato.
Entre o glicogênio e a glicose-1-fosfato atua a enzima glicogênio sintetase. Ligado à glicose-6-fosfato (com duas setas à esquerda), atuam a glicoquinase e a hexoquinase derivadas da glicose (Glicose-6-P ← Hexoquinase, Glicoquinase ← Glicose).
Gliconeogênese ou Neoglicogênese
Formação de glicose partindo de fontes que não sejam carboidratos (CHO), ou seja, de aminoácidos, glicerol e lactato.
- É o reverso da glicólise.
- O fígado tem capacidade enzimática de realizar a gliconeogênese.