Metabolismo e Farmacocinética: Guia Completo
Metabolismo de Fármacos
O metabolismo transforma substâncias lipofílicas em polares para facilitar a eliminação via urina e bile. Sem esse processo, fármacos se acumulariam no tecido adiposo e membranas fosfolipídicas. Outra função é a inativação biológica de fármacos por hidrólise (éster ou amida).
Pró-fármacos e Ativação
Um pró-fármaco possui pouca atividade inicial. Exemplo: o Enalapril sofre hidrólise para se tornar Enalaprilato (ativo). A enzima conversora de angiotensina (ECA) transforma angiotensina I em II (vasoconstritor); inibir a ECA é uma estratégia terapêutica para controle da pressão arterial.
Toxicidade e Reações Metabólicas
A formação de metabólitos tóxicos pode causar danos celulares, como a hepatotoxicidade do paracetamol. O metabolismo divide-se em duas fases:
- Fase I (Catabólicas): Oxidação, redução ou hidrólise. Introduz grupos funcionais para aumentar a hidrossolubilidade. Envolve enzimas como a superfamília CYP (citocromo P450) e flavinas.
- Fase II (Anabólicas): Envolve conjugação (ex: glutationa, ácido glicurônico, sulfato) para aumentar o peso molecular e a hidrossolubilidade, favorecendo a excreção.
Farmacocinética e Disposição
A depuração (clearance) relaciona a velocidade de eliminação com a concentração plasmática. O metabolismo de primeira passagem ocorre no trato gastrointestinal e fígado antes de o fármaco atingir a circulação sistêmica, reduzindo sua biodisponibilidade.
Cinética e Distribuição
- Cinética de Primeira Ordem: Fração constante do fármaco eliminada por unidade de tempo.
- Cinética de Ordem Zero (Saturação): Velocidade constante de eliminação, independentemente da dose.
- Volume de Distribuição: Refere-se ao volume necessário para conter todo o fármaco na mesma concentração encontrada no plasma.
Eliminação e Excreção
Fármacos são eliminados por excreção renal, biliar, leite ou pulmões. A excreção renal envolve filtração, reabsorção tubular passiva e secreção tubular ativa (mediada por transportadores como a Glicoproteína P e MRP2). O pH urinário influencia a reabsorção passiva de ácidos e bases fracas.
Superfamílias de Enzimas
As enzimas CYP (CYP1, CYP2, CYP3) são as mais abundantes no fígado e cruciais para o metabolismo de xenobióticos. A administração simultânea de fármacos metabolizados pela mesma enzima pode gerar competição, inibição ou indução enzimática, alterando a eficácia terapêutica.