Metafísica e o Ser em Aristóteles e Tomás de Aquino
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A Ontologia Aristotélica e a Primazia da Substância
O que Aristóteles realiza não é uma ciência técnica ou particular, mas algo que aborde o todo, que seja universal; fazer ontologia é compreender o todo do ser. A metafísica de Aristóteles é o estudo das causas e dos primeiros princípios. O autor argumenta que há uma substância, sendo esta o significado primeiro do ser. As diferentes substâncias que pertencem à Filosofia cobrem a realidade por inteiro. Para Aristóteles, o ser é a realidade fundamental que é comum a todas as coisas. O autor entende que o ser não é unívoco nem um gênero transcendente. O ser se expressa em uma multiplicidade de significados; há uma "via do meio" que é a significação. Cada ser possui sua própria maneira única de ser e suas próprias características distintas.
Ele reconhece que, embora as coisas individuais possuam características únicas, há uma referência comum que nos permite entender e comunicar sobre essas coisas. A substância é aquilo que faz com que algo seja o que é, com suas características essenciais. Aristóteles via a substância como o princípio organizador que unifica os diferentes modos de ser, como atributos, relações, quantidade, lugar e tempo. No pensamento aristotélico, excluir a substância de qualquer consideração implicaria excluir a própria base da identificação e definição do ente. A substância é o centro que unifica e dá significado aos diferentes modos de ser. A substância é, portanto, o fundo do ser, ao qual remete, de um modo ou outro, aquilo que em qualquer nível é dito ser. A substância implica todo ente em si mesmo. Ela é o "o que é" de algo, sua essência e as características que definem sua identidade; portanto, a substância é o núcleo unificador dos atributos e acidentes. Os acidentes são características que não são essenciais à identidade da substância, mas ainda estão relacionados a ela. Na compreensão do autor, a investigação do ser estava diretamente relacionada à compreensão do conceito de "um" e das noções relativas. Portanto, a investigação da filosofia aristotélica envolve não apenas explorar os modos de ser, mas também compreender como esses modos se conectam e como as relações entre eles contribuem para a realidade. Ser e Um indicam a mesma realidade; na filosofia aristotélica, o ser e o um estão ligados.
A Metafísica de Tomás de Aquino e a Hierarquia do Ser
Para Tomás de Aquino, os conceitos e as ideias se resolvem no pensamento do Ser; o conteúdo da metafísica é o ser, porque ele é o fundamento de toda a realidade concreta. No entanto, ele enfatizou que o conhecimento intelectual depende do conhecimento sensível como seu fundamento. Após enfatizar a importância do conhecimento sensível como ponto de partida e, em seguida, o conhecimento dos sentidos, Aquino chega ao terceiro estágio, que envolve o próprio conhecimento do intelecto. Para ele, o ser é o primeiro conceito que aprendemos com a nossa inteligência, porque apreendemos as realidades sensíveis a partir das sensações. Portanto, Aquino via o conhecimento das realidades sensíveis como o ponto de partida fundamental para nossa compreensão do ser e da realidade em geral.
O objeto próprio da Filosofia Primeira é o conhecimento universal do ser em comum. Aquino argumentou que, por meio desse processo de abstração, a mente humana é capaz de alcançar um entendimento mais amplo do ser e da realidade. O autor também considera que o conceito de ser comum e abstrato não basta por si só; há conceitos múltiplos e distintos entre si, ordenados segundo uma escala de perfeição. Segundo o autor, a busca pela verdade envolve uma visão mais ampla das causas e princípios que explicam por que as coisas são como são. Na compreensão de Aquino, nossa inteligência verifica a existência de graus ou níveis de perfeição nas coisas e na ordem das coisas. Quando se trata do ser ontológico transcendente (Deus), este não se percebe de maneira intuitiva, mas ascendendo através das qualidades dos seres múltiplos contingentes. Portanto, a ideia do ser ontológico transcendente não é algo que se pode perceber diretamente, mas é uma conclusão alcançada por meio da razão e da reflexão filosófica sobre a natureza da existência e da realidade. Além disso, Aquino defende que a realidade é hierárquica, o que significa que existem diferentes níveis ou graus de ser, e esses níveis estão interligados de maneira ordenada. Essa hierarquia é baseada na concepção de que existe uma pluralidade.
As Vias de Conhecimento do Ser
Para Tomás, existe o ser e podemos conhecê-lo através de diferentes faculdades:
- Pelos Sentidos: Nós nos colocamos em comunicação com os seres reais; os sentidos nos dão a garantia da multiplicidade dos seres.
- Pela Inteligência: Nós elevamos o nível de conhecimento e a certeza sobre os seres, penetrando na essência desses mesmos seres. A inteligência nos proporciona a conceitualização, enquanto pela razão se realiza a abstração.