Metodologia do Trabalho Científico: Guia de Severino
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O livro Metodologia do Trabalho Científico, de Antônio Joaquim Severino, visa a contribuição para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem, citando a importância de orientar estudantes para uma postura investigativa, especialmente no ensino superior. Nesta edição, o autor amplia a finalidade do livro apresentando o conceito de aprimoramento do conhecimento passando por três grandes dimensões: a epistemológica, a metodológica e a técnica. Desta forma, traz algumas informações de fundamentação da ciência visando uma iniciação mais metódica da prática da pesquisa; ainda assim, trata-se de um livro instrumental, para ser usado em situações de consulta e não um livro de leitura analítica corrida, recomendando-se apenas a leitura do primeiro capítulo para melhor entendimento e utilização dos recursos técnicos e metodológicos disponíveis.
Dividido em sete capítulos, o Manual prepara técnica e cientificamente todos os atores sociais envolvidos no processo ensino-aprendizagem. Inicialmente, em “Universidade, ciência e formação acadêmica”, o autor faz uma ampla discussão sobre o “tripé” que sustenta a universidade, demonstrando a importância da pesquisa que deve permear o ensino e a extensão. Relata a atual situação do ensino superior no Brasil, ou seja, a mercantilização do conhecimento, além dos equívocos cometidos pela própria LDB que deu valor legal à dicotomia entre universidades de ensino e universidades de pesquisa. Defende que não se trata de tornar a universidade um instituto de pesquisa e muito menos uma instituição assistencial quando trabalha a extensão; o que está em pauta é que a atividade de ensino deve ser realizada sob atitude investigativa, mesmo em faculdades isoladas. O segundo capítulo enfoca uma metodologia de estudo eficiente, denominado “O trabalho acadêmico: orientações gerais para o estudo na universidade”, que ajuda o estudante a se organizar para desenvolver a aprendizagem e a maturação do próprio pensamento, bem como realizar uma leitura mais rica e proveitosa de textos teóricos.
Não menos interessante, o terceiro capítulo, “Teoria e prática científica”, aborda os conceitos de teoria e método científico, explica a ciência em suas fases dedutiva e indutiva e os paradigmas epistemológicos das ciências naturais e das ciências humanas. Expõe as ideias do positivismo, do funcionalismo, do estruturalismo, do método dialético, da fenomenologia e da hermenêutica; ao final do texto de cada corrente, faz indicações de bibliografias visando o aprofundamento. O capítulo também trata das modalidades e metodologias de pesquisa detalhadamente.
“A pesquisa na dinâmica da vida universitária” é o foco do IV capítulo, que inicia demonstrando como deve ser a estrutura de um projeto de pesquisa, o desenvolvimento do processo de investigação e as fontes para levantamento de dados até chegar no momento da análise e apresentação dos resultados. Os aspectos técnicos da redação e a formatação do trabalho, fazendo uso das normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), também foram descritos.
No capítulo V, “As modalidades de trabalhos científicos”, foram apresentados os formatos e funções dos diferentes tipos de trabalhos acadêmicos. Na sequência, o capítulo VI explica “A atividade científica na pós-graduação”. Nesse âmbito, o grau de exigência em relação ao rigor científico dos trabalhos apresentados é muito maior. Ao escolher o tema da dissertação ou tese, o pesquisador busca investigar problemáticas que fazem parte do seu universo, ou seja, questões que tenham relevância social; neste sentido, a realização do trabalho é também um posicionamento político. Cabe ao pesquisador, juntamente com seu orientador, determinar o método e a sistematização do trabalho acadêmico, que deve sempre se pautar nas orientações descritas nos capítulos anteriores. O capítulo explica as características específicas da dissertação de mestrado e da tese de doutorado, comenta o processo de orientação dos trabalhos, dos exames de qualificação e da defesa pública. Orienta sobre as possibilidades de expansão da vida acadêmica, apresenta o Currículo Lattes como documento fundamental e o Memorial como documento autobiográfico que relata as experiências de forma qualitativa. As contribuições dos grupos de estudos, das associações científicas e das agências de fomento à pesquisa também são elencadas, demonstrando que a prática da pesquisa científica prepara não só os professores universitários, mas também qualquer outro profissional.
O VII e último capítulo da obra, “Da docência universitária”, aborda questões inerentes à vida do professor universitário e questões relativas às universidades. Novamente, a pesquisa deve ser constante na vida do docente no sentido de atualização em sua área e para aperfeiçoamento de seu plano de ensino, do projeto pedagógico do curso e para fundamentar o sistema de avaliação. As aulas devem ser previamente organizadas e didaticamente elaboradas, visando sempre propor aos alunos uma postura concreta de investigação. O capítulo trata também da importância da carreira docente, indicando que as universidades devem não apenas utilizar os dispositivos das leis trabalhistas como sistema de reconhecimento e valorização do trabalho do professor, mas também estabelecer vantagens funcionais às diferentes categorias da carreira de acordo com critérios objetivos e transparentes.
A obra é indiscutivelmente um excelente material de consulta porque apoia técnica e cientificamente todos os atores sociais envolvidos e interessados no processo ensino-aprendizagem.