Métodos e Paradigmas nas Ciências Sociais

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Métodos e Desafios na Investigação das Ciências Sociais (CCSS)

Item 1

Em CCSS, em nível epistemológico, não existe um método científico rigoroso, detalhado, universal e manual aplicável. O objeto de investigação das CCSS é complexo, mutável e subjetivo, envolvendo a sociedade e o indivíduo. Existem vários e diferentes métodos científicos para buscar uma aproximação com a realidade social a ser medida. Os métodos da sociologia não são intercambiáveis ou aleatórios, mas sim adequados a cada caso, dependendo da aparência do objeto (social) que se deseja conhecer. Existem diversos métodos para abordar o estudo da realidade social.

Métodos de Investigação Social

Método Histórico: Utilizado para analisar fenômenos sociais ao longo do tempo. Busca fatores causais, todas as causas em torno de um fenômeno e as relações entre elas e os fatos históricos. Visa uma generalização, uma abstração dos fatos, em oposição à história como um mero conjunto de eventos. (Fazemos sociologia do presente, em termos do que aconteceu).

Método Comparativo: Semelhante ao método experimental, mas na sociologia não se pode controlar ou manipular variáveis diretamente. Envolve a comparação sistemática de diferentes tipos de fenômenos e ambientes espaciais a fim de obter uma visão mais rica e livre de um fenômeno social. Interessa-se pelo desenvolvimento e teste de teorias aplicáveis além das fronteiras de uma única unidade. Interessa-se tanto pelas diferenças quanto pelas semelhanças. (Evita etnocentrismo e promove naturalismo).

Método Racional Crítico: Leva em consideração os valores e objetivos sociais como objeto de estudo das CCSS (Valor socialmente aceite).

Tendências Históricas na Metodologia

Existem duas tendências históricas:

  • Racionalismo: Usa a dedução (da teoria para os dados).
  • Empirismo: Usa a indução (dos dados para a teoria).

Método Hipotético-Dedutivo: É o método que verifica se uma teoria é verdadeira, conferindo-lhe validade. A pesquisa científica é considerada quando possível, usando este método, apresentar os fatos em enunciados. Através de testes de hipóteses deduzidas das teorias, avalia-se o grau de consolidação, o que permite rejeitar ou aceitar as declarações.

Wallace: Começamos com uma teoria, por inferência estabelecemos os pressupostos. Estes pressupostos devem ser operacionalizados (tornados mensuráveis), medidos através de observação e coleta de dados. Após a análise dos dados, verificamos se é possível generalizar, ou seja, se os dados corroboram a teoria baseada na indução.

Conceitos Fundamentais

Teoria: Proposições logicamente ligadas das quais se podem obter explicações dos fenômenos (Cea D'Ancona, p. 71).

Hipótese: São previsões deduzidas a partir das teorias. Afirmam ou negam a relação entre duas variáveis em um determinado período de tempo.

Generalização Empírica: Por indução, obtemos as teorias com as quais começamos.

Pluralismo Metodológico e Paradigmas

O pluralismo metodológico implica uma dicotomia entre:

  • Metodologia Qualitativa Humanística: A ênfase está na linguagem e nos aspectos micro da vida social (Face a Face).
  • Perspectiva Científica Quantitativa: A ênfase está na explicação, na medida empírica e objetiva dos fenômenos sociais.

Paradigma: Representa um modelo fundamental, uma imagem de base do objeto de uma ciência. Define o que deve ser estudado, as questões a serem respondidas, como devem ser abordadas e quais as regras para interpretar as respostas.

Diferenças entre Paradigmas

Paradigma Quantitativo:
  • Base Epistemológica: Positivismo, funcionalismo.
  • Ênfase: Medida objetiva (de fatos sociais, opiniões e atitudes individuais), demonstração do nexo de causalidade e generalização dos resultados da investigação.
  • Coleta de Informação: Estruturada e sistemática.
  • Análise: Estatística, para quantificar o social, relações causais e sua intensidade.
  • Alcance dos Resultados: Nomotética (Pesquisa quantitativa busca o comportamento geral).
Paradigma Qualitativo:
  • Base Epistemológica: Historicismo, fenomenologia, interacionismo simbólico.
  • Ênfase: O ator individual: descrição e compreensão interpretativa do comportamento humano, no seu próprio quadro de referência do indivíduo ou grupo social em ação.
  • Coleta de Informação: Flexível: um processo interativo marcado pelo desenvolvimento contínuo da investigação.
  • Análise: Sócio-linguística e semiótica dos discursos de interpretação, ações e estruturas profundas.
  • Obtenção de Resultados: Ideográfica (Pesquisa qualitativa dos significados da ação humana).

Triangulação Metodológica

A triangulação tem raízes na topografia. Em CCSS, envolve a utilização de diferentes metodologias na análise da mesma realidade social. Existem quatro tipos:

Triangulação de Dados: Utilização de múltiplas fontes de informação sobre o mesmo objeto de conhecimento.

Triangulação de Pesquisadores: Envolve uma equipe multidisciplinar.

Triangulação Teórica: Considerar todos os cenários que podem ser extraídos do mesmo problema de pesquisa.

Triangulação Metodológica: Pode ser Intramétodo ou entre métodos.

A triangulação multimétodo seria a combinação dos quatro tipos. Para ser eficaz, a escolha de métodos e como utilizá-los depende das informações necessárias para esclarecer o problema. Muitos estudos têm objetivos mistos, podendo-se gerar uma teoria com um e verificar com o outro. Algumas variáveis podem ser acessíveis a um método e não a outro. É preciso projetar métodos de coleta de dados que permitam a interação entre eles. Todos os métodos devem medir o mesmo conceito teórico, se quisermos que os resultados (obtidos por procedimentos diferentes) sejam comparáveis. Para que a aplicação de um método não afete os resultados obtidos por outro, deve-se seguir a coleta de dados em fases, dividir a amostra em subamostras, ou desenhar várias amostras e aplicar uma técnica diferente a cada uma para coletar informações. O objetivo não é subordinar uma metodologia à outra, mas sim combiná-las da forma mais eficiente.

Vantagens da Triangulação:

  • Cobrindo mais dimensões da realidade social, alcança-se uma compreensão mais profunda e diversificada.
  • Os resultados do estudo assumem um maior grau de validade (se os mesmos resultados forem atingidos com métodos diferentes).
  • A teoria é reforçada se confirmada. Caso contrário, fornece uma base maior para modificação.
  • Facilita a comparabilidade dos dados por diferentes métodos.
  • Demonstra que as duas metodologias (quantitativas e qualitativas) podem e devem ser utilizadas de forma complementar.

Desvantagens da Triangulação:

  • Pode levar a custos adicionais e tempo para executar mais de um método.
  • Dificuldade em encontrar uma unidade de observação comum aplicável a diferentes métodos.
  • Dificuldade em encontrar uma equipe de pesquisadores bem treinada em ambos os métodos (quantitativos e qualitativos).
  • Maior dificuldade em repetir o estudo.
  • O uso de uma variedade de técnicas de informação pode afetar observações posteriores feitas por outras técnicas.
  • Problemas de comparabilidade, uma vez que a obtenção de diferentes taxas de resposta (em cada técnica de coleta de dados utilizada) ou a existência de várias fontes de erro em cada método podem não ser detectadas.
  • Capacidade de estabelecer prioridades, sem justificação, de um método sobre outro.
  • Existência de incompatibilidade epistemológica entre alguns métodos.