Microbiologia e Imunologia: Guia de Estudos
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1. a) Defina a permissividade das células a determinados vírus (correção da questão original):
Após a adsorção, penetração e desnudamento do vírus no interior da célula, o genoma viral é reconhecido por ela, sendo esta induzida a utilizar sua própria maquinaria para produzir partículas virais. Ou seja, células permissivas são aquelas que permitem a produção de partículas infecciosas pela ação do genoma do vírus, o qual possui as informações necessárias para transformá-la em uma "célula-zumbi" produtora de suas partículas virais.
b) Espículas virais e suas funções:
As espículas são glicoproteínas (também chamadas de peplômeros) inseridas no envelope viral (este derivado das membranas celulares plasmática ou nuclear, que apresentam uma bicamada lipídica).
Funções:
- Permitem a adsorção (ancoragem inicial) dos vírus aos receptores celulares;
- Auxiliam na penetração, fusão e disseminação dos vírus entre as células.
2. Explique o que ocorrerá se uma mulher grávida, portadora crônica de Hepatite B, apresentar a forma ativa ou inativa da doença:
A Hepatite B possui transmissão vertical (materno-infantil). Logo, se a gestante for:
- a) Inativa: A taxa de replicação viral é baixa e a chance de infecção do bebê é menor (o que é extremamente benéfico, pois crianças infectadas no início da vida têm grandes chances de cronificar a doença).
- b) Ativa: A replicação viral é alta, gerando um alto risco de infecção do bebê durante o parto.
3. Explique os quatro tipos de hipersensibilidade:
- Tipo I (Imediata): Mediada por IgE, que ativa os mastócitos, liberando histamina e outras enzimas vasoativas e exsudatos. É uma resposta rápida e imediata à presença do antígeno, podendo ocorrer de duas formas:
- Rápida: Ocorre de 15 a 30 minutos após o contato com o antígeno, provocando exsudação e vasodilatação.
- Tardia: Ocorre de 6 a 8 horas após o contato, caracterizada por exsudato celular com presença marcante de basófilos, eosinófilos e monócitos.
- Tipo II (Citotóxica): Induzida pela ativação do sistema complemento ou por ação citotóxica direta, envolvendo anticorpos IgG ou IgM. Ocorre a destruição de tecidos associada à toxicidade celular ou ativação do sistema complemento para promover a opsonização.
Exemplo: Eritroblastose fetal (doença hemolítica do recém-nascido). - Tipo III (Mediada por Imunocomplexos): Mediada por IgG, caracterizada pelo excesso de imunocomplexos que se precipitam em tecidos sadios, desencadeando processos inflamatórios locais. A ligação entre antígeno e anticorpo ativa o sistema complemento em cascata:
- Ativação do sistema complemento pela via clássica;
- Liberação de fatores solúveis pelos mastócitos que induzem a quimiotaxia de neutrófilos;
- Estímulo à liberação de enzimas proteolíticas, promovendo a explosão oxidativa.
- Tipo IV (Tardia ou Celular): Hipersensibilidade tardia mediada por células T específicas, que liberam citocinas com ação destrutiva direta sobre o tecido. Não envolve a produção de anticorpos. Ocorre em três fases: fase de sensibilização, fase efetora e fase de desgranulação.
Exemplo: Prova tuberculínica e formação de granulomas.
4. Fases de crescimento bacteriano: Lag, Log (Logarítmica), Estacionária e Morte Celular:
O crescimento bacteriano é dividido em 4 fases distintas:
- Fase LAG (Latência): Ocorre pouca ou nenhuma divisão celular, pois as bactérias não se reproduzem imediatamente ao serem introduzidas em um novo meio de cultura. Nesse período, as células encontram-se em estado de latência, mas apresentam intensa atividade metabólica, principalmente na síntese de enzimas e moléculas variadas.
- Fase LOG (Logarítmica ou Exponencial): Período em que a reprodução celular está extremamente ativa e o tempo de geração atinge um valor constante. É a fase de maior atividade metabólica das células, sendo a preferida para fins industriais, pois o produto de interesse é produzido com máxima eficiência. Nota: A avaliação microbiológica deve ser feita nesta fase, pois nela há o rendimento máximo das células.
- Fase Estacionária: O número de células vivas se mantém constante. Devido à alta taxa de crescimento da fase LOG, ocorre a escassez de nutrientes e o acúmulo de metabólitos tóxicos (como ácidos), levando à morte de algumas células e ao aumento do tempo de divisão celular, o que estabelece um equilíbrio populacional.
- Fase de Morte Celular (Declínio): O número de células mortas excede o de células novas. Essa fase continua até que a população bacteriana diminua para uma pequena fração do número inicial ou desapareça por completo.
5. Explique o método de esgotamento e como ele deve ser realizado:
Uma alça de inoculação estéril é mergulhada em uma cultura mista (contendo mais de um tipo de microrganismo) e, posteriormente, semeada em uma placa de Petri. O semeio é feito por meio de estriamento em zigue-zague em três divisões da placa, garantindo que as estrias de setores diferentes não se sobreponham excessivamente. Essa técnica promove a diluição progressiva da carga microbiana contida na alça ao longo do plaqueamento, até que reste apenas uma célula bacteriana isolada, permitindo a obtenção de colônias puras.
6. Diferencie placa supragengival de placa subgengival:
- Placa Supragengival: Localiza-se acima da margem gengival, encontra-se fortemente aderida ao dente, é espessa e densa, e apresenta uma organização estratificada de formas bacterianas. As bactérias são, em sua grande maioria, Gram-positivas, anaeróbias facultativas, imóveis e sacarolíticas (obtendo energia a partir dos carboidratos da dieta do indivíduo).
- Placa Subgengival: Localiza-se abaixo da margem gengival (no interior do sulco gengival), é mais fina e composta principalmente por bactérias Gram-negativas, anaeróbias estritas (obrigatórias), proteolíticas, móveis e com uma microbiota desorganizada.
7. Cite doenças sistêmicas que podem ser influenciadas ou desencadeadas pela doença periodontal:
Resposta: Endocardite bacteriana, artrite reumatoide, diabetes mellitus e indução de parto prematuro.
8. Quais são os mecanismos para evitar a infecção cruzada?
A infecção cruzada refere-se à transferência de microrganismos de uma pessoa (ou objeto) para outra, resultando em infecção. As principais medidas de prevenção incluem:
- Esterilização de todos os instrumentais;
- Manutenção do ambiente limpo e desinfetado;
- Troca de luvas a cada paciente;
- Higienização das mãos e uso de EPIs;
- Limpeza e desinfecção de materiais e equipamentos.
9. O que é o biofilme, como ocorre sua formação e qual a sua implicação clínica no tratamento de infecções?
Definição: O biofilme microbiano é uma comunidade estruturada de microrganismos (de espécies distintas ou não) aderidos a uma superfície sólida e envolvidos por uma matriz extracelular intermicrobiana de componentes orgânicos e inorgânicos, principalmente polissacarídeos e proteínas.
Formação:
- Película Adquirida: Glicoproteínas e imunoglobulinas da saliva aderem ao esmalte dentário. Íons de cálcio (Ca++) e fosfato facilitam a aproximação eletrostática inicial das bactérias.
- Colonização Primária: Bactérias Gram-positivas (como Streptococcus spp.) que possuem receptores específicos para as glicoproteínas da película realizam uma ligação química (adesão reversível e posterior adesão irreversível).
- Multiplicação e Coagregação: Os colonizadores primários multiplicam-se formando uma monocamada e produzem exopolissacarídeos. Essa matriz serve de ancoragem para colonizadores secundários, que se ligam diretamente aos pioneiros ou à matriz.
- Maturação: Ocorre a estruturação tridimensional da placa com a incorporação de bactérias Gram-negativas através de receptores de superfície, organizando uma comunidade complexa.
Implicação Clínica: A composição e a quantidade do biofilme variam entre os indivíduos, exigindo tratamentos personalizados. O controle clínico visa impedir que o biofilme atinja a maturação patogênica. Isso é realizado principalmente por meio da desorganização mecânica (escovação e uso de fio dental). A remoção periódica do biofilme impede o estabelecimento de um microambiente anaeróbio favorável à proliferação de patógenos periodontais agressivos, como os do complexo vermelho.
10. Diferença entre endósporo e célula vegetativa, e como ocorre a formação do endósporo:
As células vegetativas são as células bacterianas em sua forma metabolicamente ativa. Quando expostas a condições ambientais adversas que ameaçam sua sobrevivência, algumas bactérias produzem e liberam os endósporos. Estes são estruturas altamente resistentes que contêm o material genético bacteriano desidratado, permanecendo em estado de latência até encontrarem um ambiente favorável para germinar e restabelecer a forma vegetativa.
11. Quais são os 5 complexos microbianos e quais estão associados à doença periodontal?
Os cinco complexos descritos por Socransky são: azul, amarelo, verde, laranja e vermelho. Os complexos diretamente associados à doença periodontal são o laranja e o vermelho.
12. Sobre os órgãos linfoides:
a) Descreva a hematopoiese e cite 4 células resultantes com suas respectivas funções:
A hematopoiese é o processo de formação, desenvolvimento e maturação dos elementos figurados do sangue (eritrócitos, leucócitos e plaquetas) a partir de um precursor celular comum e indiferenciado, conhecido como célula-tronco hematopoiética pluripotente. No indivíduo adulto, essas células-tronco localizam-se na medula óssea, sendo responsáveis por gerar todas as linhagens celulares que circulam no sangue.
Exemplos de células e suas funções:
- Eritrócitos (Hemácias): Responsáveis pelo transporte de oxigênio e gás carbônico pelos tecidos corporais.
- Neutrófilos: Atuam na linha de frente da imunidade inata, realizando a fagocitose de patógenos (principalmente bactérias).
- Linfócitos T: Responsáveis pela imunidade celular, coordenando a resposta imune e destruindo células infectadas.
- Plaquetas: Atuam diretamente no processo de coagulação sanguínea e reparo de vasos lesados.
b) Quais órgãos linfoides existem e qual a função de um deles?
Os principais órgãos linfoides incluem o baço, o timo e as tonsilas. A produção e maturação de linfócitos é a principal função desses órgãos, desempenhando papel crucial na resposta imunológica, produção de anticorpos e reações de defesa.
Função do Baço:
- No feto: Atua na fabricação de hemácias e leucócitos.
- No adulto:
- Polpa Branca: Responsável pela função imunológica, atuando na produção de linfócitos e servindo como reservatório de monócitos.
- Polpa Vermelha: Responsável pela hemocaterese (remoção de hemácias antigas ou danificadas da circulação) e por atuar como um reservatório de sangue emergencial em casos de choque hemorrágico ou perda severa de sangue.