Microbiologia Oral: Cárie e Doença Periodontal

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Microbiologia Oral: Processos Patológicos

O estabelecimento do processo da doença auxilia no aumento da lesão no dente. Microrganismos como Lactobacillus sp., Actinomyces sp., Candida albicans e Streptococcus sp. desempenham papéis fundamentais.

Mecanismos de Virulência na Cárie

  • Enzima glicosiltransferase: Realiza a hidrólise da sacarose em glicose e a síntese da frutose, promovendo a polimerização das moléculas de glicose para a formação de polissacarídeos extracelulares (PEC).
  • Lectinas: Adesinas bacterianas que permitem a ligação aos componentes da película adquirida, estabelecendo a placa bacteriana e a cárie.
  • Amilopectinas: Semelhantes ao glicogênio de eucariotos, atuam na síntese de polissacarídeos intracelulares (PIC) como fonte de reserva.
  • Acidogenicidade e Aciduricidade: Capacidade de produzir ácidos através da fermentação (microrganismos acidogênicos) e de resistir a ambientes ácidos (microrganismos acidúricos).
  • Bacteriocinas: Antibióticos que inibem outras bactérias.

Principais Grupos Bacterianos

Lactobacillus sp. compõe 1% da microbiota bucal (L. casei, L. fermentum, L. acidophilus), sendo acidogênicos. Há predominância de 3 espécies de Actinomyces: A. viscosus, A. odontolyticus e A. naeslundii. A acidogenicidade produz ácido lático, acético, succínico e fórmico. A. naeslundii e A. viscosus são prevalentes em cáries radiculares, sendo que A. viscosus produz levanos e heterossacarídeos que aumentam o biofilme.

Doença Periodontal

É um processo inflamatório que compromete o periodonto, incluindo gengiva, inserção gengival, ligamento periodontal, cemento e osso alveolar. A gengivite marginal pode progredir para periodontite, formação de bolsa e, se não tratada, perda do dente. Pode ser considerada uma doença infectocontagiosa com forte componente genético (familiares têm 30% mais chances de apresentar a doença). A transmissão ocorre por talheres, copos, escovas de dentes ou saliva (beijo). Fatores intrínsecos aumentam ou diminuem a propensão, podendo estar relacionados a diabetes, reumatismo infeccioso, artrite reumatoide, osteoporose e problemas cardiovasculares.

Famílias e Gêneros Relacionados

  • Família Bacteroidaceae: Bacilos Gram-negativos, imóveis, capsulados, não-esporulados e anaeróbios estritos. B. fragilis está relacionado a infecções abdominais.
  • Gênero Porphyromonas: Cocobacilos Gram-negativos, proteolíticos. Porphyromonas gingivalis localiza-se na placa subgengival de indivíduos com periodontite.
  • Gênero Treponema: Gram-negativas, forma espiral, anaeróbias estritas. Consumidoras de proteínas do fluido crevicular, aumentam de 1% para 40% em sítios de periodontite crônica.
  • Gênero Tannarella: Bacilos Gram-negativos, anaeróbios estritos, imóveis e proteolíticos, presentes em gengivites e periodontites crônicas.

Estágios da Doença

  • Gengivite: Deposição de placa e cálculo, formando bolsa gengival. A gengiva fica avermelhada e sangra na escovação. É reversível com a remoção do cálculo.
  • Periodontite inicial: Progresso da doença com acúmulo de cálculo e sangramento.
  • Periodontite avançada: Presença de sangramento, exsudato, perda óssea e perda do dente.

Patogênese e Resposta Imune

  1. Destruição direta causada pela placa bacteriana e produtos metabólicos;
  2. Reações de hipersensibilidade do sistema imune;
  3. Imunodeficiência envolvendo a função dos neutrófilos (quimiotaxia e fagocitose).

Efeitos Indiretos: Enzimas liberadas pelos tecidos do hospedeiro (colagenases, hialuronidases e enzimas lisossomais). A resposta inflamatória é produzida pelo hospedeiro em resposta às bactérias. Inclui hipersensibilidades imediatas (imunidade humoral: anafilaxia local e reações citotóxicas) e hipersensibilidades tardias (imunidade celular: tipo IV mediada por linfócitos).

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