Modelos de Atenção à Saúde no Brasil: Uma Análise Completa
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Modelos de Atenção à Saúde no Brasil
Tópicos abordados: modelos de atenção hegemônicos e propostas alternativas.
Os modelos hegemônicos não contemplam a integralidade; ora voltam-se para a demanda espontânea (modelo médico), ora para atender necessidades que nem sempre expressam demandas (modelo sanitarista).
Modelo Médico Hegemônico
O modelo médico hegemônico apresenta os seguintes traços fundamentais:
- Individualismo;
- Saúde/doença como mercadoria;
- Ênfase no biologismo;
- Historicidade da prática médica;
- Medicalização dos problemas;
- Privilégio da medicina curativa;
- Estímulo ao consumismo médico;
- Participação passiva e subordinada dos consumidores.
Modelo Médico Assistencial Privatista
Centrado na clínica, em serviços altamente especializados e na demanda espontânea. O objeto é a doença ou o doente; é hospitalocêntrico e excludente para pessoas que não estejam alertas para a promoção da saúde e prevenção de riscos. Baseado no modelo biomédico flexneriano, é predominantemente curativo e prejudica o atendimento integral.
Modelo da Atenção Gerenciada (Managed Care)
Fundamenta-se na economia (custo-benefício e custo-efetividade) e na medicina baseada em evidências (epidemiologia clínica, informática e bioestatística). O foco é baixar custos, aumentar lucros, conter a demanda e racionar procedimentos de alto custo.
Modelo Sanitarista
Apoia-se nas correntes bacteriológicas e médico-sanitaristas, remetendo à ideia de campanha ou programa. Fundamenta-se no saber biomédico (microbiologia, parasitologia, virologia, imunologia) aliado à epidemiologia, estatística e administração sanitária. Tem como objeto os modos de transmissão e fatores de risco.
- Campanhas Sanitárias: Organização temporária e centralizada, focada em certos agravos e riscos em grupos populacionais específicos, sem considerar os determinantes sociais.
- Programas Especiais: Fortalecem uma administração vertical (ex: Hiperdia, saúde da mulher, idoso, trabalhador). Atuam de forma fragmentada, mas possuem objetivos e metas bem definidos.
Vigilância em Saúde
- Vigilância Sanitária: Atua nos riscos, regulando, controlando e fiscalizando a produção, distribuição e consumo de produtos e serviços de interesse da saúde.
- Vigilância Epidemiológica: Conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, detecção ou prevenção de mudanças nos fatores determinantes e condicionantes de saúde, visando o controle de doenças e agravos.
Modelos Alternativos e Estratégias
- PACS/PSF: Política focalizada com ações territoriais. O PSF uniu-se ao PACS, contando com equipes multiprofissionais (médico, enfermeiro, auxiliar e ACS).
- Oferta Organizada: Baseia-se na epidemiologia para programar ações em territórios delimitados, focando na demanda espontânea e no controle de agravos.
- Distritalização: Organiza os serviços em uma rede estruturada (Distrito de Saúde), enfatizando integralidade, intersetorialidade e participação comunitária.
- Vigilância da Saúde: Articula o controle de danos, riscos e causas, integrando vigilâncias, assistência médica e políticas públicas.
- Estratégia de Saúde da Família (ESF): Substitutiva à rede básica tradicional, promove a integralidade e a organização territorial.
- Linhas de Cuidado: Organização lógica da distribuição de serviços para enfrentar riscos e condições específicas, valorizando o vínculo com o usuário.
- Acolhimento: Elemento central da PNH, busca qualificar a relação profissional-usuário, humanizando o atendimento e minimizando a medicalização.
- Promoção da Saúde: Melhoria das condições e estilos de vida através da educação e políticas intersetoriais (ex: Cidades Saudáveis).