Modelos de Turismo: Leiper e Ciclo de Vida de Destinos

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Modelo de Leiper

- Desenvolvido por Richard Butler, em 1980, apresenta aquilo que seria o ciclo de vida de um destino turístico tendo em conta duas variáveis: o tempo e o nº de turistas.


1. Fase de exploração - Ocorre quando um reduzido nº de turistas procura destinos pouco explorados, de forma a interagir com a população local. São poucos os impactos económicos, sociais e ambientais e o destino em si não possui um posicionamento específico no mercado. Não há infra-estruturas que suportem o destino e apoiem o turismo, para além dos recursos naturais e culturais já existentes, nem canais de distribuição que assegurem a acessibilidade. 

2. Fase de envolvimento - Ocorre quando a popularidade do destino aumenta dada a aceitação da atividade turística e do seu envolvimento pela população. O nº de turistas aumenta. O destino deixa de ser exclusivo dos turistas inovadores, alargando-se a segmentos mais amplos do mercado. A população local envolve-se na promoção do destino. 

3. Fase de desenvolvimento - Período que regista um maior crescimento de oferta e procura. Há um reforço acrescido da atividade turística e do número de turistas, levando, por vezes, a desrespeitos nos limites de carga (em épocas de maior procura, o nº de tur. ultrapassa a população residente). Surgem os primeiros conflitos com a pressão turística: Em SMF, na altura da feira medieval, há moradores (principalmente os que não beneficiam da ativ. tur.) que começam a manifestar o seu desagrado relativamente à ativ. tur: demasiado tempo de espera nos supermercados e trânsito. Intensificam-se as campanhas promocionais, reforçando a imagem do destino. A oferta cresce com um grau de diversificação razoável, alterando muitas vezes as características do destino. O controlo da oferta passa, progressivamente, da iniciativa local para agentes externos (internacionais). 


4. Fase de consolidação - Ocorre após o final de um período de elevado crescimento. O Turismo passa a ser essencial para o desenvolvimento económico do destino, criando postos de trabalho e riqueza para o país. Desenvolvem-se esforços para aumentar a época turística e procedem a substituições e renovações de equipamentos. A época turística está relacionada com a sazonalidade. PT é um país tendencialmente sazonal - entre Junho e Outubro o nº de visitantes quadruplica, apesar de estar a atenuar a sazonalidade. 

5. Fase de estagnação - É a fase mais critica dada a incerteza que encerra em termos de futuro. O destino deixa de estar na moda pelo que a capacidade de atrair novos turistas para além dos habituais é mais reduzida. O limite da capacidade de carga (nº máx de tur.) é ultrapassado, provocando uma série de conflitos sociais, económicos e ambientais, por vezes irreparáveis. A oposição local ao turismo aumenta, associada à perceção dos impactos decorrentes do processo de desenvolvimento turístico. 

O Porto encontrava-se entre a fase de consolidação e estagnação - não a atingiu porque continua a crescer, embora a uma velocidade menor.

Uma vez atingida a estagnação:

1. Estabilização - Tenta controlar o nº de turistas e atenua os conflitos sociais, económicos e ambientais através da ações de planeamento e ordenamento do território por parte das autoridades públicas. 

2. Rejuvenescimento - Repõe o destino e reorienta fatores de atração, levando, em alguns casos, a um novo ciclo de vida com um aumento de turistas, construindo-se estrut. complement.


3. Declínio - Ocorre quando o destino não consegue competir através da introdução de novos fatores de atração. Os recursos criados especificamente para a satisfação das necessidades dos turistas (alojamento, restauração e animação) são reconvertidos para outros fins. 

COVID-19

O ciclo de vida dos destinos turísticos está relacionado com a realidade do mundo, sendo possível extrapolar este modelo teórico para o contexto atual que o mundo está a passar. 

Portugal encontrava-se na fase de estagnação (antes do Covid-19) mas não é por se encontrar nessa fase que significa que alguma coisa está a ser mal feita. Simplesmente, há outros destinos que estão a recuperar. O Norte de África, afetado pela Primavera Árabe, está agora a recuperar dessa época de declínio. Atualmente, pode-se dizer, com clareza, que Portugal e o resto do mundo se encontram numa fase de declínio. 

O nosso país estava no topo da curva do modelo e, com o impacto desta enfermidade, a curva desceu atingindo o declínio imediato, visto que, dado o aparecimento do vírus e conhecidos os seus perigos, o número de turistas reduziu bruscamente (um mês) pelo que o país recebeu muitos menos turistas do que o que estava previsto para o ano de 2020. Possivelmente, daqui a uns anos, ainda em tempos incertos, os números possam voltar a aumentar, resultando na saída do país da fase de declínio. No entanto, apesar desta análise prévia, só no futuro é possível vivenciar qual o real impacto na curva do ciclo de vida. 


Numa fase seguinte, é necessário fazer algo para travar esta fase de declínio e, depois, invertê-la, ou seja, aplicar as estratégias de rejuvenescimento do destino (não só em Portugal como nas outras regiões mundiais). Terá de haver, portanto, uma retoma global do mercado turístico visto que as pessoas estão a deixar de viajar por questões muito concretas, como restrições na mobilidade, quarentena, isolamento e questões políticas, como o encerramento das fronteiras, estando isso relacionado com questões sociais e sanitárias, expressas no ambiente externo do modelo de sistema turístico de Leiper. 

Eventualmente, quando toda esta fase passar, é preciso trabalhar em políticas e questões relacionadas com marketing e gestão dos destinos para poder trabalhar a parte da motivação e poder eliminar os fatores medo e insegurança, visto que, mesmo que esta fase passe, as pessoas irão se sentir inseguras em fazer uma próxima viagem, com medo que tudo se volte a repetir.

Principais impactos provocados pelo COVID-19: Quebra abrupta das viagens mundiais; Menos turistas; Cancelamento de reservas, de eventos, de viagens; Menos receitas provenientes do turismo; Encerramento de empresas relacionadas com o turismo; Desemprego; Menor rendimento; Menor consumo; Quebra no investimento; Incerteza quanto ao futuro. 

Oportunidades que a pandemia poderá trazer aos destinos: Oportunidade para repensar modelos de negócios baseados na sustentabilidade; Promover mais o emprego local e negócios locais; Melhor gestão dos fluxos turísticos; Distanciamento social obrigará a diferentes abordagens e acessos às atrações/


recursos turísticos; Emergência de produtos alternativos, baseados em espaços rurais, road trips, turismo de natureza; Oportunidade para territórios menos explorados;

Propostas identificadas para a recuperação pós Covid-19: Promover territórios menos explorados turisticamente; Ferramentas tecnológicas para gerir acessos e afluências (praias, museus…); Diversificação de produtos, mais personalizados, menos massificados;

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