Modernismo Brasileiro: Fases, Autores e Obras Principais

Classificado em Língua e literatura

Escrito em em português com um tamanho de 5,98 KB

Mário de Andrade: O Espírito do Modernismo

Mário de Andrade foi o principal responsável pelo espírito que caracterizou a 1ª fase do Modernismo. Atuou como poeta, romancista e crítico literário.

  • Poesia: Defendia o registro da língua brasileira, o uso do verso livre e a técnica da escrita automática (escrever sem repressão ou correção).
  • Prosa: Destacaram-se as obras Macunaíma, Amar, Verbo Intransitivo e Contos Novos.

Macunaíma é talvez sua obra mais célebre, classificada como uma rapsódia. Amar, Verbo Intransitivo, por sua vez, caracteriza bem sua escrita ao traçar um retrato cruel dos valores da burguesia ascendente paulista. Já as narrativas de Contos Novos apresentam um salto no projeto modernista: uma narrativa universal que não perde a brasilidade, com personagens em situações prosaicas e reveladoras de uma profunda percepção psicológica.

Oswald de Andrade: O Desembaraço da Invenção

Escritor, ensaísta e dramaturgo, Oswald de Andrade foi fundamental na delineação do Modernismo no Brasil. Suas ideias sintetizaram a busca pela identidade nacional, pregando a necessidade de uma renovação da linguagem com caráter libertador.

O Recruta

O noivo da moça
Foi para a guerra
E prometeu se morresse
Vir escutar ela tocar piano
Mas ficou para sempre no Paraguai.

ANDRADE, Oswald de. Pau-Brasil. 5. ed. São Paulo: Globo, 1991. p. 86.

Elementos modernistas chamam a atenção no poema: forma sintética, linguagem prosaica e a desmontagem cômica do tema amoroso. O autor incorpora temas abrangentes como a Guerra do Paraguai e o retrato da vida burguesa (indicada pelo fato de a moça tocar piano). A influência europeia não é negada, mas assimilada para contribuir na construção de uma linguagem original.

Na prosa, produziu dois livros fundamentais: Memórias Sentimentais de João Miramar, considerado o real “marco zero” da prosa modernista, e Serafim Ponte Grande, onde realiza a paródia de diversas modalidades de texto (prosa sentimental, escritos de viagem, reflexiva) e a desconstrução do ato de narrar.

Raul Bopp: As Raízes Populares da Poesia

Poeta gaúcho focado em recuperar lendas e mitos das culturas indígena e negra. Sua obra principal é Cobra Norato. Temas como a escravidão, a identidade negra e a relação com os brancos são recorrentes em sua produção.

Manuel Bandeira

Um dos mais importantes poetas brasileiros. Estreou com Cinza das Horas. Irreverência: Bandeira foi um dos mais ardorosos defensores do Modernismo. Seus poemas tornaram-se sínteses do ideal de renovação da literatura no Brasil.

Alcântara Machado: Entre Brasileiros e Italianos

Um dos primeiros grandes intérpretes do Modernismo em São Paulo, soube captar a efervescência do século XX na capital paulistana. Seu estilo era cinematográfico e sua linguagem concisa, feita de construções sintáticas coloquiais. Sua obra Brás, Bexiga e Barra Fundada narra o cotidiano de povos afastados do centro paulista.

Segunda Fase do Modernismo Brasileiro (1930-1945)

Esta fase serviu para a consolidação do movimento iniciado em 1922. Suas principais características incluem:

  • Propostas estéticas difundidas por todo o Brasil;
  • Artistas mais combativos e voltados aos problemas nacionais;
  • Questionamento do lugar do homem no mundo e diálogo com a realidade social;
  • Uso de elementos regionais e valorização de fatos históricos;
  • Foco em problemas de grupos sociais marginalizados no romance, conto e poema;
  • Perspectiva humana e politicamente comprometida, aumentando o número de leitores;
  • Influências do Simbolismo e escrita intimista na prosa;
  • Perspectiva espiritual na poesia e distanciamento do eu lírico.

Rachel de Queiroz: A Seca e suas Desgraças

Jornalista de profissão, destacou-se com a obra O Quinze (1930), utilizando uma linguagem simples e direta para retratar o flagelo da seca.

Jorge Amado: A Bahia como Protagonista

Um dos ficcionistas mais lidos da literatura brasileira. Suas obras mais conhecidas são: Cacau, Mar Morto, Capitães da Areia e Terra do Sem-Fim.

José Lins do Rego: A Memória dos Canaviais

Realizou um duplo resgate histórico: de sua biografia e das fazendas de cana-de-açúcar da Paraíba e Pernambuco. Sua linguagem é fluente e marcada pela oralidade. Obras principais:

  • Ciclo da cana-de-açúcar: Menino de Engenho, Doidinho, Banguê, O Moleque Ricardo, Usina e Fogo Morto.
  • Ciclo do cangaço: Pedra Bonita e Cangaceiros.
  • Romances independentes: Pureza, Riacho Doce, Água-Mãe e Eurídice.

Graciliano Ramos: A Escrita Medida

A paisagem nordestina em sua ficção serve como pano de fundo para o conflito do homem com a natureza e consigo mesmo. Obras: Caetés, São Bernardo, Angústia e Vidas Secas.

Érico Veríssimo: O Ciclo do Sul

Sua narrativa é dividida em três fases:

  1. Urbana: Analisa a vida burguesa gaúcha (Clarissa, Música ao Longe e Um Lugar ao Sol).
  2. Histórica: A trilogia O Tempo e o Vento.
  3. Política: Romances escritos sob o domínio da ditadura, como O Senhor Embaixador e Incidente em Antares.

Dyonélio Machado: Ratos ou Homens?

Publicou doze livros, mas sua obra-prima absoluta é o romance de estreia, Os Ratos.

Entradas relacionadas: