Modernismo e Geração de 98: Literatura Espanhola Contemporânea
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Modernismo e Geração de 98 na Literatura Espanhola
O Modernismo e a Geração de 98 (G. 98) são duas correntes fundamentais da literatura contemporânea do século XX.
1. Modernismo
O Modernismo surge na América Latina por volta de 1880. A corrente modernista instala-se em Espanha em 1899, com a segunda visita de Rubén Darío.
Influências do Modernismo
Este movimento é influenciado por duas correntes da poesia francesa:
- Parnasianismo: Enfatiza a beleza e a perfeição da forma. Os autores escrevem com o objetivo de criar uma obra de arte.
- Simbolismo: Tenta encontrar a essência e os significados da realidade através de símbolos (Enfatizando o uso que Antonio Machado faz deles).
Posições Adotadas pelos Autores Modernistas
Os autores modernistas adotam duas posições:
- Modernismo Externo: Há uma fuga no espaço e no tempo.
- Modernismo Íntimo: Os autores olham para dentro, buscando respostas para as suas preocupações mais íntimas.
Características Básicas do Modernismo
As três características básicas do Modernismo são:
- Escape: Fuga no tempo e no espaço, pois os autores rejeitam a realidade em que vivem.
- Exotismo: Criação de mundos exóticos em suas obras, cheios de cavaleiros, princesas, cisnes, etc.
- Cosmopolitismo: Sem abrir mão de suas fontes, os autores demonstram devoção a cidades como Paris.
Autores e Obras do Modernismo Espanhol
Em Espanha, os autores optaram predominantemente por uma posição íntima. Destacam-se:
- Manuel Machado (1874-1947): Sua obra passa por uma evolução. Inicialmente, adota a estética modernista (com temas como a dor do mundo, temas hispânicos, paisagens exóticas ou o Versalhes Oriental), refletida em sua obra Alma (1900). Posteriormente, muda para uma poesia mais reflexiva e íntima, como em Ars Moriendi (1921).
- Antonio Machado (1875-1939): Seu trabalho passa por diferentes fases. Numa primeira fase, enquadra-se no Modernismo, destacando-se Solidões (1903), que mais tarde seria ampliada para Solidões, Galerias e Outros Poemas (1909). Suas obras abordam temas como a juventude perdida, a morte, sonhos, lembranças, estilos de vida, o diálogo do poeta com a natureza, etc. A segunda fase baseia-se na Geração de 98, e suas produções mais recentes encerram sua poesia filosófica.
O Uso de Símbolos em Antonio Machado
O uso de símbolos é importante na obra de Machado. Observe alguns exemplos:
- O Atraso (ou Tempo Lento): Simboliza a monotonia, maturidade, envelhecimento, depressão.
- Água: Simboliza a transitoriedade da vida ou a monotonia. Água parada significa morte.
- Mar, Outono, Sombra, Lua: Simbolizam a morte.
- O Jardim: Remete ao passado, à memória e ao estado de tristeza.
- O Caminhar: Simboliza a vida.
- O Pomar: Simboliza a ilusão.
- O Poder: Simboliza a memória e o passado triste e doloroso.
- Juan Ramón Jiménez (1881-1958): Sua obra é dividida em três fases: Fase Sensível, Fase Intelectual e Fase Final (ou Verdadeira). Sua veia modernista aparece na Fase Sensível, influenciada pelo Romantismo e Simbolismo. Entre suas obras modernistas destacam-se Jardins Distantes (1904), Elegias (1907), Poemas Mágicos e Dolorosos (1909) e Sonetos Espirituais (1914).
- Ramón María del Valle-Inclán (1866-1936): Sua obra evolui do Modernismo para a crítica literária. Sua obra teatral inclui poesia modernista como Aromas de Lenda (1907) e seu livro em prosa Sonatas. Este autor é notável pela sua famosa Teoria do Esperpento, definida como a distorção grotesca da sociedade para criar uma obra de crítica contra a realidade da época, presente na sua peça Luces de Bohemia.
2. Geração de 98
Movimento puramente espanhol, composto por jovens autores que, no rescaldo do Desastre de 98, veem a necessidade de renovação em todas as áreas. Assim, um grupo de escritores formado por Pío Baroja, Azorín e Maeztu (o "Grupo dos Três") assinou o Manifesto dos Três em 1901, denunciando o atraso e os males do país e propondo soluções. No entanto, este grupo durou pouco, pois as suas soluções não eram de interesse geral, focando-se na renovação espiritual.
Características da Geração de 98
- Preocupação com a Espanha: Interesse e gosto pelo autêntico (o "puro-sangue" espanhol).
- Subjetividade: Utilizam a Espanha para projetar seus problemas pessoais.
- Paisagem Castelhana: Grande importância da paisagem castelhana, onde o poeta expressa a emoção ao contemplá-la.
- Reflexões Filosóficas: Abordagem de temas como o sentido da vida, o tempo, a existência de Deus, etc.
- Renovação da Linguagem: Busca por uma linguagem precisa e simples, destacando o que é dito (conteúdo) sobre a forma como é dito (forma).
Autores e Obras da Geração de 98
Pío Baroja (1872-1956)
Sua obra reflete o atraso da Espanha em todos os níveis. Escreve principalmente romances, e sua personalidade influencia isso. É um homem pessimista; para ele, o mundo não tem sentido e ele sente um profundo tédio vital, que se reflete em seu trabalho.
Em seu livro Memórias, ele escreve páginas sobre sua obra literária e apresenta as características essenciais que um romance de Baroja deve ter:
- Deve ser multiforme (cabe tudo).
- Os personagens de Baroja são frequentemente desajustados e fracassados, nos quais Baroja projeta suas preocupações.
- Valoriza a espontaneidade e a observação, usando-as para capturar cenários e personagens da realidade.
- Usa parágrafos breves e descritivos, dando importância ao diálogo.
Baroja agrupa seus romances em trilogias:
- Terra Basca: A Casa de Aizgorri (1900), O Primogênito de Labraz (1903), O Aventureiro Zalacaín (1909).
- A Vida Fantástica: Aventuras, Invenções e Mistificações de Silvestre Paradox (1901), Caminho da Perfeição (1902), Rei Paradox (1906).
- A Luta pela Vida: A Busca (1904), Erva Daninha (1904) e Aurora Vermelha (1905).
- A Raça: A Árvore do Conhecimento (1911), A Dama Errante (1908) e A Cidade da Névoa (1909).
- As Cidades: César ou Nada (1910), O Mundo da ANSI (1912), A Sensualidade Perversa (1920).
- O Mar: As Preocupações de Shanti Andia (1911), O Labirinto das Sereias (1923), Pilotos de Altura (1929) e O Capitão Estrela Chimista (1930).
José Martínez Ruiz, Azorín (1873-1967)
O autor começa com ideias liberais e mais tarde torna-se membro do Partido Conservador. Destaca-se como ensaísta e romancista.
Ensaios
Aborda duas questões principais:
- A Questão da Espanha: Escreve A Alma Espanhola, onde reflete sobre os problemas espanhóis, e Castela, que se concentra na paisagem e no povo de Castela.
- Interpretação de Clássicos Literários: Escreve O Percurso de Dom Quixote, À Margem dos Clássicos e Clássicos Modernos.
Romances
Demonstra predileção pela descrição detalhada, frases curtas e estilo simples. Seus romances são divididos em quatro etapas:
- Fase 1: Inclui obras com elementos autobiográficos e sensações da paisagem. Destaca-se Antonio Azorín (1903), personagem que representa a consciência de seu criador.
- Fase 2: Continua a refletir suas preocupações em seus personagens. Destacam-se Don Juan (1922) e Doña Inés (1925).
- Fase 3: Aparecem obras influenciadas pelo movimento de vanguarda. Os autores fogem do sentimentalismo e da subjetividade, buscando uma renovação na linguagem.
- Fase 4: Aparece sua obra O Escritor, depois de uma pausa motivada pela Guerra Civil.
Miguel de Unamuno (1864-1936)
Sua vida e obra são marcadas por duas crises: a perda da fé religiosa e a adesão inicial à ideia de regeneração da Espanha; e outra, posterior, onde recupera a fé e começa a refletir sobre questões como a existência e a morte. Destaca-se como romancista e ensaísta.
Ficção (Nivola)
Unamuno cunhou o termo Nivola para se referir a este tipo de romance. O diálogo entre os personagens é crucial, pois eles se tornam o alter ego do autor para refletir sobre todas as suas preocupações. Entre seus romances estão:
- Nevoeiro (1924)
- Abel Sánchez (1917)
- Tia Tula (1921)
- San Manuel Bueno, Mártir (1930)
Ensaios
Em Nas Terras de Espanha e Portugal e Tradicionalismo, o autor investiga os problemas de Espanha. Reflexões filosóficas são reunidas nos ensaios intitulados Vida de Dom Quixote e Sancho, A Agonia do Cristianismo e Do Sentimento Trágico da Vida. A poesia de Unamuno aborda os mesmos temas: o tempo, a morte, a existência.
Antonio Machado (1875-1939)
Sua inclusão na Geração de 98 é questionável devido à sua evolução ideológica. Enquanto a maioria dos autores da G. 98 partiu de uma linha revolucionária/liberal e depois se tornou mais conservadora, Machado começou liberal e, ao longo do tempo, tornou-se mais revolucionário e reacionário.
Sua obra passou por várias fases, começando no Modernismo e depois se posicionando na G. 98 com Campos de Castilla, publicado em 1912 e ampliado em 1917. Nesta obra, aparece a preocupação com a Espanha, a paisagem castelhana (objetiva e subjetiva), o surgimento do povo de Castela e a denúncia política e social do autor. Além dos poemas escritos em Soria e Baeza, este trabalho inclui uma série de provérbios e canções, e poemas de louvor. Posteriormente, escreveu o livro intitulado Novas Canções (1924).
Ramón María del Valle-Inclán (1866-1936)
A inclusão deste autor na Geração de 98 também é questionável, devido a duas causas:
- Evolução Ideológica: Começa por rejeitar o liberalismo e, posteriormente, adota uma ideologia revolucionária.
- Evolução Literária: Suas origens são modernistas e ele chega a uma crítica da literatura realizada através da sua famosa Teoria do Esperpento. Da fase Modernista até o Esperpento, passam-se 20 anos. É neste período que ele escreveu algumas peças que se encaixam na G. 98. Estas compõem a trilogia Guerra Carlista, que inclui Os Cruzados da Causa, O Brilho do Fogo e Figurões do Passado.