A Monarquia dos Reis Católicos: Religião e Sociedade
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A Imposição da Uniformidade Religiosa
A monarquia dos Reis Católicos (RRCC) enfrentava uma variedade de conflitos religiosos que estavam prestes a explodir. Com a imposição da fé católica, foram capazes de unir o povo. O título de "Reis Católicos" caracteriza-se pela persistência no momento da sua imposição religiosa. As primeiras medidas tomadas pelo Cardeal Cisneros focaram-se na reforma interna da Igreja Católica, perseguindo práticas como o nepotismo, a simonia e a prevaricação no alto clero. No baixo clero, melhorou e consolidou a formação e a moral cristã.
O principal instrumento de controle era o Tribunal da Inquisição, criado pela autoridade religiosa no século XIII. A Inquisição não atuou apenas em Castela, mas fortaleceu-se como um mecanismo de controle e unidade religiosa, encarregado da perseguição de heréticos e, especialmente, de cristãos-novos (convertidos). Estima-se que o número total de vítimas tenha sido de cerca de 50 mil pessoas até ao seu desaparecimento no século XIX, distinguindo-se pelo seu comportamento ofensivo.
Uma das primeiras grandes decisões em defesa da unidade religiosa foi a expulsão dos judeus em 1492. Este grupo não procurava privilégios, mas era rejeitado pela sociedade, culminando no fim de uma perseguição iniciada na Idade Média. A medida afetou 150 mil pessoas em Castela e Aragão, enquanto cerca de 30 mil a 50 mil aceitaram ser batizados, juntando-se aos 150 mil que já se haviam convertido.
Existiam três tipos de conversos:
- Extremistas: que abraçaram o cristianismo com fervor e integraram a mística cristã;
- Adaptados: que se ajustaram às circunstâncias;
- Falsos conversos: que continuaram com a sua fé original em segredo até serem descobertos e eliminados pela Inquisição.
Os Reis Católicos promoveram também a conquista de Granada como uma guerra contra os infiéis. Por impulso de Cisneros, realizaram-se batismos obrigatórios, apesar do que fora acordado em 1499. Em 1502, forçou-se os mudéjares de Castela a escolher entre o batismo ou o exílio; desde 1518, foram proibidos até de usar sua língua e seus hábitos. Aqueles que permaneceram tornaram-se mouriscos. A "limpeza de sangue" tornou-se um pré-requisito para o avanço social em uma sociedade dividida entre cristãos-velhos e novos.
Sociedade e Economia no Reinado dos Reis Católicos
A característica básica da sociedade da época era o reconhecimento legal da desigualdade. As leis e tradições do clero e da nobreza garantiam-lhes privilégios em relação aos demais. A atividade econômica básica era a agricultura, realizada por 90% da população.
A nobreza e a Igreja detinham três quartos das terras isentas de impostos, desempenhavam papéis cruciais no reino, recebiam penas judiciais menores e possuíam direitos diferenciados. O Conselho da Mesta também exercia grande influência; a lã exportada para a Flandres e a Inglaterra era um fator vital para a economia, gerando uma defesa rigorosa das pastagens em detrimento da agricultura.
Os plebeus, que compunham a maior parte da população (cerca de cinco milhões de pessoas), eram trabalhadores sem propriedade, com condições de vida precárias e sujeitos a direitos senhoriais. Períodos de más colheitas provocavam crises de subsistência com mortalidade excessiva. O aumento dos latifúndios e a facilidade de cercamento implicaram um maior controle da nobreza sobre a terra, piorando a vida dos camponeses.
A Catalunha foi o único lugar onde essa situação foi contida através da Sentença Arbitral de Guadalupe (1486), emitida por Fernando, que aboliu os "maus usos" e estabeleceu contratos de locação de longo prazo (censo de 20 anos). Em contraste com a população rural, os municípios tinham menos habitantes, e as atividades artesanais eram limitadas à produção familiar. Contudo, cidades comerciais como Valência, Barcelona, Valladolid, Toledo e Sevilha superaram os 30 mil habitantes no século XVI, onde o artesanato se tornou muito importante e as guildas passaram a controlar a produção e distribuição. A organização dos mercadores de Aragão expandiu-se para Castela em 1494 com a criação do Consulado de Burgos, focado na exportação de lã.