Morte, Mal e Transcendência: Perspectivas Filosóficas

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Significado da Morte e da Transcendência

O significado da morte difere dependendo de como entendemos o ser humano. Devemos considerar duas posições fundamentais: o monismo e o dualismo psicofísico.

  • Monismo: É a posição filosófica que defende que não há composição na realidade humana. Podemos diferenciar vários tipos, tais como o panteísmo, que afirma que a morte é a dissolução da individualidade no Cosmo Universal. O monismo materialista nega a possibilidade de qualquer dimensão não-material da existência humana, de modo que a morte se torna o limite absoluto da existência.
  • Dualismo: Existem muitas formas que argumentam que todos os seres humanos são compostos de dois tipos de realidade: um corpo material e uma alma espiritual. Essas teorias, muitas vezes, veem a morte como a separação dos componentes. O cristianismo, o judaísmo e o islamismo, entre as grandes religiões, defendem uma concepção deste tipo. Entre as posições dualistas, algumas compreendem que o corpo e a alma juntos só existem enquanto indivíduos, enquanto outras apoiam a existência da alma separada do corpo. Nestes casos, a morte é geralmente entendida como uma transição, ou seja, como a passagem de uma vida para outra.

A Questão do Mal (Teodicéia)

O termo teodicéia, do ponto de vista etimológico, refere-se tanto à santidade de Deus quanto à justiça de Deus diante do mal. Os filósofos têm tentado justificar a existência do mal em um mundo cujo princípio é Deus, e, por vezes, vislumbraram em Deus a única maneira de triunfar sobre o mal.

Tipos de Males

  • Mal Metafísico: É identificado com a finitude das coisas.
  • Mal Físico: Provém da operação das leis da natureza.
  • Mal Moral: Está, em última análise, enraizado na liberdade do ser humano de escolher entre diferentes formas de ação.

O Mal Metafísico e o Mal Moral

A reflexão sobre o mal metafísico tem seu maior expoente em **Leibniz**, que considera impossível que o mundo não contenha algum mal, pois o mundo é composto por seres finitos e limitados. O problema para Deus é se deve ou não criar um mundo que acomoda a finitude, que inevitavelmente gera o mal. Contudo, a questão da consciência moral do mal surge da indagação metafísica.

O Mal como Injustiça

A perplexidade causada pela realidade do mal reside no absurdo do sofrimento dos justos. **Jó** transforma-se em mistério: um Deus que está além da lógica humana, agindo de acordo com planos que são inacessíveis aos seres humanos. **Sêneca** utiliza um logos imanente cujos fundamentos são acessíveis ao intelecto humano. Ele considera que o problema do mal é resolvido ao se tornar imune a ele, desde que se seja capaz de atingir uma atitude de indiferença.

Tipos de Respostas sobre o Sentido da Existência

  • Não faz sentido: A existência e o mundo são absurdos, e até mesmo a pergunta não faz sentido. Pensadores: Jean-Paul Sartre, Jacques Monod, Albert Camus ou Cioran.
  • Há sentido inerente: A existência tem um propósito, significado ou valor, mas a morte é um limite para a humanidade. Pensadores: Ernst Bloch e Enrique Tierno Galván.
  • Há um sentido de transcendência: A transcendência significa que a própria vida tem significado em relação a uma vida que é vista como a promessa de felicidade plena e definitiva.

A Causa e o Conceito de Morte

A morte é o fim da vida, entendida como a cessação irreversível da atividade vital. A concepção da morte depende de como entendemos a vida.

O Conceito Filosófico de Vida

Existe um tipo de vida que é o modo humano de ser, ou seja, a vida ou a prática moral. Para **Ortega y Gasset**, viver é estar no mundo, é estar em uma circunstância, é saber viver humanamente. A vida é a realidade primordial. Ortega afirma: "A vida é escolha, é a construção de si".

A Morte como Fenômeno Humano

A morte só adquire pleno significado quando se trata da cessação da vida humana. Só o homem é consciente de estar vivo e, portanto, só ele sabe que deve morrer.

Morte e Filosofia (Platão, Cícero)

A filosofia é uma preparação para a morte, para que, quanto mais plenamente vivemos, mais enfrentamos a nossa morte com humanidade.

Experiência da Morte

Não podemos viver a nossa própria morte, disse **Kant**, não podemos sequer pensar na nossa própria morte.

A Morte como Definição do Ser Humano

O **Existencialismo** é uma tendência filosófica que afirma que o peculiar e único nos seres humanos não se encontra na investigação da sua essência, mas sim na reflexão sobre a sua existência. A essência é posterior à existência: primeiro existimos e, dependendo de como vivemos, adquirimos uma essência.

**Martin Heidegger**: Somos seres finitos, não temos o poder sobre tudo, somos seres históricos. A morte, para ele, é uma propriedade peculiar do modo humano de ser: o "*Ser para a Morte*". Jean-Paul **Sartre** separa os termos (morte / finitude). Finitude: manifesta a liberdade radical da existência humana.

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