Mosteiro de Poblet: Arquitetura Cisterciense e Panteão Real

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Mosteiro de Poblet: História e Arquitetura Cisterciense

Cronologia

A fundação ocorreu após 1150 (início dos séculos XII-XIII).

Estilo e Localização

O estilo predominante é o Cisterciense. O arquiteto é desconhecido. O mosteiro está localizado no município de Vimbodí (Tarragona).

Materiais utilizados: madeira e pedra.

Princípios Arquitetónicos Cistercienses

O Mosteiro de Poblet representa a transição do Românico para o Gótico. Os edifícios religiosos da Ordem Cisterciense baseiam-se em princípios de austeridade, o que resultou na proibição de elementos decorativos, tais como:

  • Portais com esculturas;
  • Vitrais elaborados;
  • Pintura mural excessiva.

Evolução Arquitetónica (Séculos XIII e XIV)

Observando a evolução das obras, desde as mais antigas (anteriores a 1200), passando pelo período de 1240-1250, até o século XIII e início do XIV, o mosteiro é caracterizado por elementos que refletem a mentalidade Cisterciense, incluindo:

  • A organicidade do programa arquitetónico;
  • A adaptação da distribuição dos edifícios à topografia do local;
  • Uma forma austera e a ausência de decoração (embora esta regra tenha sido ligeiramente flexibilizada em obras da segunda metade do século XIII).

Estrutura e Claustro

O Mosteiro de Poblet é composto por uma sucessão de três cercos de muralhas, sendo o mais interno a área monástica propriamente dita. Este espaço foca-se no Claustro, que permanece como o centro da vida monástica.

As quatro alas do claustro estão cobertas com abóbadas ogivais. Os arcos que delimitam o pátio apresentam um rendilhado sóbrio em estilo Gótico, com decoração geométrica e floral austera nos capitéis.

Em frente ao Refeitório (ala norte), ergue-se um santuário que cobre a Fonte Românica Hexagonal (o lavabo), onde os monges lavavam as mãos antes das refeições. Esta é uma característica distintiva dos mosteiros Cistercienses.

A leste, abre-se a Sala do Capítulo, um espaço quadrado e austero com quatro pilares octogonais no centro. O teto é coberto por nove abóbadas, cujos nervos se apoiam em capitéis suavemente decorados. No chão, encontram-se os túmulos dos antigos abades.

A Igreja Monástica

A igreja do mosteiro possui uma planta basilical de três naves com capelas laterais, um cruzeiro com duas capelas e uma cabeceira com deambulatório e cinco capelas radiantes.

A nave central é coberta por uma abóbada de berço ogival, reforçada por seis arcos. As naves laterais possuem cobertura em abóbada.

A austeridade das paredes é quebrada por elementos notáveis, como o espetacular Domus Gótico Octogonal do cruzeiro, os Mausoléus Reais e o grande Retábulo de Alabastro do século XVI, desenhado por Damián Forment, que decora o altar-mor.

O Dormitório é uma imensa nave gótica de 87 metros de comprimento por 10 metros de largura, com telhado de duas águas e 19 arcos de madeira apoiados sobre mísulas poderosas e delicadamente trabalhadas.

Significado Histórico

A fundação do Mosteiro de Poblet resultou de um pedido feito pelo Rei Ramon Berenguer IV ao abade do mosteiro Cisterciense de Fontfroide (França) em 1150, para estabelecer uma comunidade de monges nas terras recém-conquistadas aos muçulmanos.

Os monges chegaram um ano depois. Após explorarem a área e providenciarem uma organização monástica mínima, a obra arquitetónica começou em 1166.

Devido à sua forte ligação com a realeza, o mosteiro tornou-se o Panteão Oficial dos Reis de Aragão durante os séculos XIV e XV.

O Ideal Cisterciense

Os membros da Ordem Cisterciense procuravam retornar à pureza da Regra de São Bento (ora et labora), o que implicava um aumento do trabalho manual e uma redução do tempo dedicado a atos puramente litúrgicos. Este ideal exigia o distanciamento dos valores mundanos.

Esta circunstância determinou que os novos mosteiros fossem fundados em locais isolados e de difícil acesso, de modo a preservar a máxima privacidade e o foco na vida espiritual.

O Mosteiro de Poblet segue o modelo ideal da Ordem de Cister, fundada em Cîteaux (Borgonha, França) em 1098, como resposta aos excessos de luxo e poder da Abadia de Cluny.

O mosteiro catalão levou ao desenvolvimento do estilo arquitetónico conhecido como Gótico Cisterciense de Transição do Principado, caracterizado principalmente pela funcionalidade e austeridade.

Estes princípios arquitetónicos definiram os parâmetros que seriam posteriormente utilizados no Gótico do sul da Coroa de Aragão, como se pode observar, por exemplo, no Saló del Tinell em Barcelona.

Função e Organização Monástica

A regulamentação da vida monástica na Ordem de Cister era determinada pela observância da Regra de São Bento. Esta regra definia claramente as dependências necessárias do mosteiro:

  • Um lugar para orar (a Igreja ou Capela);
  • Um espaço para a leitura diária da regra (a Sala do Capítulo);
  • Uma área para as refeições comunitárias (o Refeitório);
  • Um lugar para dormir em comunidade (o Dormitório).

Além destes, existiam a Biblioteca e a Adega. O Claustro era o elemento que articulava todo o conjunto, à imitação dos pátios das vilas romanas. A estrutura arquitetónica foi, portanto, concebida em função das atividades que ali seriam realizadas.

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