Mudança de Comportamento Alimentar: Guia e Estratégias
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Mudança do Comportamento Alimentar
Alimentação e Doenças
A má alimentação está associada a doenças coronarianas, diversos tipos de câncer, anemia, bócio, cirrose hepática, diabetes, obesidade, hipertensão arterial e osteoporose. No Brasil, o cenário é preocupante, com as doenças cardiovasculares sendo a principal causa de mortalidade. Nos EUA e na Europa, metade das mortes em pessoas com menos de 65 anos resulta de doenças crônicas.
Estilo de Vida e Qualidade de Vida
Uma alimentação variada e balanceada, aliada à prática regular de exercícios físicos, controle do estresse, adoção de um comportamento preventivo e o não uso de drogas, compõe um estilo de vida que pode ser modificado para promover mais qualidade de vida.
Desafios na Mudança de Comportamento
Dados indicam que 38% dos pacientes abandonam tratamentos agudos e 43% não aderem a tratamentos crônicos. No caso de tratamentos anti-hipertensivos, 75% não seguem as recomendações médicas sobre mudanças no estilo de vida, como restrições alimentares e interrupção do tabagismo.
A maioria dos indivíduos que perde peso com dietas restritivas recupera o peso rapidamente, reiniciando o ciclo. Programas de educação nutricional frequentemente falham ao pressupor que os indivíduos estão prontos para a ação, uma premissa muitas vezes insustentável.
Definição de Termos
- Adesão: Sugere a participação ativa do cliente na resolução de problemas e na tomada de decisões sobre mudanças alimentares voluntárias.
- Motivação: Processo que estimula uma pessoa a agir.
A Complexidade da Motivação
A motivação é complexa e influenciada por variáveis intrínsecas e extrínsecas. Metas de curto prazo (como o prazer imediato de comer um doce) frequentemente prevalecem sobre metas de longo prazo (saúde). A automotivação (intrínseca) ocorre por meio de uma força interior que pode mudar ao longo do tempo.
Tipos de Regulação do Consumo Alimentar
- Regulação Externa: Comer de determinada maneira para evitar críticas ou obter recompensas.
- Regulação Introjetada: Comer para evitar culpa, melhorar a autoestima ou sentir orgulho.
- Regulação Identificada: Comer por acreditar que faz bem à saúde, mesmo sem prazer imediato.
- Regulação Integrada: Incluir alimentos agregando valores culturais, memória, sabor e satisfação.
Manutenção e Recaída
- Manutenção: Perda ou ganho de peso mantido ao longo do tempo com uso continuado de regulação do comportamento.
- Recaída: Recuperação do peso perdido ou retorno ao estado nutricional anterior, violando as regras do comportamento alimentar.
Fatores que Interferem nas Escolhas Alimentares
As escolhas são influenciadas por hábitos alimentares, sabor dos alimentos e aspectos fisiológicos.
- Hábitos Alimentares: Adquiridos via aspectos culturais, socioeconômicos e psicológicos. Na infância, são determinados pelos pais e pelo ambiente.
- Sabor dos Alimentos: Qualidades sensoriais (sabor, cheiro, textura e aparência) determinam o consumo e a saciedade.
- Aspectos Fisiológicos: Envolvem mecanismos neurofisiológicos e neurotransmissores na regulação da ingestão de macronutrientes.
O Papel do Nutricionista
O nutricionista auxilia na modificação de hábitos através da assistência personalizada. A resolução de problemas exige interação profissional e descoberta pessoal, indo além da simples transmissão de informações.
Prescrição e Adesão
A complexidade da prescrição é o fator mais significativo na adesão. Dificuldades em adaptar o regime à rotina, falta de acesso a alimentos ou esforço extra no preparo são barreiras comuns.
Técnicas de Mudança de Comportamento
Abordagens eficazes incluem o Modelo Transteórico, a Entrevista Motivacional, o Comer Intuitivo e o Comer com Atenção Plena (Mindful Eating).
Modelo Transteórico (MTT)
Também chamado de Teoria de Estágios de Mudança, descreve a mudança como um processo de fases discretas. O grande ganho do MTT é a mudança intencional, onde o indivíduo opta por realizar a mudança, fundamentado em diferentes níveis de motivação.
Processo de Mudança
Os estágios de mudança são flutuantes, permitindo que o indivíduo retorne a uma fase anterior e consiga transpô-la novamente. A mudança é facilitada por recursos ambientais, sociais e familiares.
Pré-contemplação
Estágio no qual o indivíduo não tem intenção de mudar e não acredita na necessidade de alteração. Frequentemente, o cliente é defensivo ou foi encaminhado por terceiros. Planos alimentares rígidos podem ser contraproducentes nesta fase.