Mudança do Comportamento Alimentar e Motivação

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Mudança do Comportamento Alimentar

Alimentação x Doenças: No Brasil, o quadro não é diferente, sendo que o grupo de doenças cardiovasculares constitui a primeira causa de mortalidade. São as doenças coronarianas, vários tipos de cânceres, anemia, bócio, cirrose do fígado, diabetes, obesidade, hipertensão arterial e osteoporose na velhice.

Componentes da categoria estilo de vida, que podem ser modificados para viver melhor, com qualidade:

  • Alimentação bem variada e balanceada;
  • Prática regular de exercícios físicos;
  • Controle do estresse;
  • Adoção de um comportamento preventivo;
  • Hábito de não usar drogas.

Mudança de Comportamento

  • 38% dos pacientes deixam de seguir um tratamento agudo recomendado (Ex: uso de antibióticos);
  • 43% não aderem a um tratamento crônico (Ex: tratamento anti-hipertensivo);
  • 75% não seguem as recomendações médicas relacionadas às mudanças no estilo de vida (Ex: restrições alimentares, parar de fumar).

A maioria dos indivíduos que perdem peso com dietas restritivas recuperam o peso dentro de um curto período de tempo. Muitos deles então reiniciam o processo de dieta e recomeçam o ciclo.

  • Adesão do paciente ao tratamento dietoterápico: 50,6% abandonam o tratamento;
  • Adesão a programas de exercícios físicos: 50% dos indivíduos abandonam dentro de três a seis meses.

Os programas de educação nutricional que vigoram atualmente consideram, em geral, que os indivíduos estão prontos para a ação, o que pressupõe uma mudança de comportamento que tem se mostrado insustentável na maioria das situações.

Definição de Termos

Adesão: Sugere a participação do cliente na resolução dos problemas e tomada de decisões sobre as mudanças alimentares, que são comportamentos voluntários.

Motivação: O processo que leva uma pessoa a agir, ou o processo de estimular uma pessoa a agir. A palavra é frequentemente utilizada para descrever aqueles processos que:

  • Instigam um comportamento;
  • Fornecem direção e propósito ao comportamento;
  • Permitem a persistência do comportamento;
  • Conduzem às escolhas ou preferências de um determinado comportamento.

Motivação

A motivação é complexa e muitas variáveis intrínsecas e extrínsecas influenciam o processo em determinado momento. As influências motivacionais de hoje podem ser diferentes das de amanhã, e metas a curto prazo podem preceder as de longo prazo. O problema é que tornar-se ou permanecer saudável, ou aprender o que alguém precisa para um cuidado apropriado em diabetes ou doença cardiovascular, envolve metas a longo prazo, enquanto comer uma torta de chocolate, “só desta vez”, satisfaz uma meta a curto prazo de prazer.

Motivação Intrínseca: Surge do indivíduo, pertence aos seus desejos, necessidades, direções ou metas. Ex: Um indivíduo que recentemente sofreu um ataque cardíaco pode estar intrinsicamente motivado a mudar sua prática alimentar.

Fatores Externos ou Extrínsecos: Podem suplementar positiva ou negativamente esta motivação. Ex: suporte familiar, o prazer e as recompensas materiais. Uma motivação pessoal em seguir as recomendações dietéticas pode ser prejudicada em ocasiões sociais, ou devido à falta de suporte familiar e de amigos.

Cada indivíduo tem a capacidade de se motivar ou desmotivar – automotivação ou motivação intrínseca. Ela ocorre por meio de uma força interior e pode mudar ao longo do tempo e sofrer influências internas e externas. Dentre os fatores internos, podemos citar:

  1. Ao aprender, explorar ou tentar compreender algo novo;
  2. Ao tentar realizar uma tarefa, o desafio de criar algo ou se superar;
  3. Pelo estímulo de sensações prazerosas associadas às mudanças (inclusive estéticas) que influenciam os sentidos. Alimentação saudável gera uma sensação que faz bem para a saúde e para a vida.

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Tipos de Regulação do Consumo Alimentar

  • Regulação Externa: Comer de determinada maneira para não levar bronca do terapeuta nutricional ou de outro alguém (pai, mãe, etc.) ou porque vai ganhar algum prêmio se assim fizer.
  • Regulação Introjetada: Comer de determinada maneira apenas para evitar sentimento de culpa ou, ainda, comer para melhorar a autoestima, aumentar o ego, sentir orgulho e outros sentimentos de valor.
  • Regulação Identificada: Comer algum alimento apenas por acreditar que faz bem para a saúde, mesmo que este não desperte nenhum prazer – por uma recomendação nutricional, por exemplo.
  • Regulação Integrada: Aceitar a inclusão de determinado alimento agregando valores culturais, memória, sabor, satisfação, vontade de comê-lo e não só seu valor nutricional ou calórico.

Manutenção e Recaída

Manutenção: 1. Pode ser definida como uma perda/ganho de peso que será mantida ao longo do tempo. 2. Uso continuado de regulação do comportamento de ingesta.

Recaída: 1. Recuperação do peso perdido ou retorno ao estado nutricional anterior. 2. Violação de uma ou mais das regras que regulam o comportamento alimentar.

Fatores que Interferem nas Escolhas Alimentares

  • Hábitos Alimentares: São adquiridos em função de aspectos culturais, antropológicos, socioeconômicos e psicológicos, que envolvem o ambiente das pessoas. A seleção de alimentos é uma parte de um sistema comportamental complexo. Na criança, é determinada primeiramente pelos pais, práticas culturais e éticas de seu grupo. Experiências precoces e interação contínua com o alimento determinam as preferências alimentares, hábitos e atitudes exibidas pelos adultos.
  • Sabor dos Alimentos: As qualidades sensoriais (sabor, cheiro, textura e aparência) são fortes determinantes do comportamento alimentar. As propriedades sensoriais dos alimentos desempenham um papel não somente na determinação do seu consumo, como também na determinação da saciedade, ingestão e seleção do alimento numa refeição.
  • Aspectos Fisiológicos: Citam-se também os aspectos fisiológicos, neurofisiológicos e o papel dos neurotransmissores cerebrais envolvidos nos mecanismos de regulação da ingestão de macronutrientes e sua influência sobre a escolha dos alimentos e tipos de refeição.
  • Outras Influências: O preço do alimento, o valor do prestígio do alimento, religião, geografia, pares e influências sociais, preparação e estocagem do alimento, habilidades no preparo de alimentos, disponibilidade de tempo e conveniência, preferências e intolerâncias pessoais. Citam-se também os fatores afetivos, envolvendo atitudes, crenças e valores.

Papel do Nutricionista

Um dos papéis do nutricionista é o de ajudar as pessoas a modificar seus hábitos alimentares, através da assistência nutricional a indivíduos e grupos populacionais. Assistência é mais do que fornecer uma informação. Livros, revistas, reportagens em jornais ou na televisão, família e amigos podem prover informação, sem o auxílio de profissionais. A resolução dos problemas, contudo, e a descoberta pessoal do significado das soluções para a sua vida, vêm da interação entre o profissional assistente e o indivíduo assistido, bem como da tecnologia empregada.

  • O conhecimento sobre o que comer é um primeiro degrau na influência do comportamento alimentar saudável, provavelmente supervalorizado.
  • A relação entre o que as pessoas sabem e o que as pessoas fazem tem sido considerada como “altamente tênue”.
  • O conhecimento não instiga a mudança, mas funciona como um instrumento quando as pessoas desejam mudar.

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