O Terceiro Mundo, o Não-Alinhamento e a Economia em Portugal

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Terceiro Mundo

Devido ao facto de ser fruto do processo de descolonização, o Terceiro Mundo dependia economicamente dos países mais ricos. A exploração colonial foi um entrave ao desenvolvimento interno desses países. Os países mais ricos continuaram a sua exploração nas matérias-primas, minérios e recursos agrícolas, contribuindo para o maior atraso económico do Terceiro Mundo. Por outro lado, enquanto os preços dos produtos industriais sobem, o valor das matérias-primas desce. Aponta-se assim para outro tipo de exploração económica feita pelos mais fortes aos mais pobres: o neocolonialismo. Ao contrário do colonialismo, este é feito de forma indireta, através da supremacia económica e financeira das nações mais ricas.

Política de Não-Alinhamento

O Terceiro Mundo visava o apoio a nações-estado contra as nações ocidentais, baseando-se no ponto de vista de que o capitalismo é essencialmente imperialista. Assim, promoveu-se a resistência às nações capitalistas mais avançadas. Esta corrente ideológica foi afirmada através da Conferência de Bandung e reafirmada posteriormente na Conferência de Belgrado, criando a política de não-alinhamento.

A Conferência de Bandung reuniu os líderes de Estado asiáticos e africanos e teve como objetivo a promoção da cooperação económica e cultural entre os continentes, de modo a fazer face ao neocolonialismo por parte dos Estados Unidos, da União Soviética e de qualquer outro país considerado imperialista.

A Agricultura em Portugal

Após a Segunda Guerra Mundial, a agricultura era a atividade dominante em Portugal, caracterizada por ser pouco desenvolvida e com índices de produtividade baixos, o que tornava o país atrasado em relação ao resto da Europa. A baixa produtividade estava relacionada com as assimetrias entre o Norte e o Sul do país:

  • Norte: predominavam os minifúndios, que não permitiam a mecanização e serviam apenas para o autoconsumo.
  • Sul: predominavam os latifúndios, que não eram explorados por falta de interesse dos proprietários.

Outro fator para a baixa produtividade era a estrutura fundiária precária. Embora se esperasse que planos de reforma trouxessem mecanização e crescimento, o investimento focou-se na indústria. Consequentemente, verificou-se um grande êxodo rural em busca de melhores condições de vida, o que levou ao défice agrícola e à necessidade de importar.

A Emigração

O grande crescimento demográfico resultou na sobrepopulação do país, que não tinha uma economia com capacidade para gerir este excedente. Muitos portugueses emigraram para outros países da Europa para fugir à pobreza, escapar ao serviço militar obrigatório e ocupar os territórios ultramarinos. Muitas emigrações eram clandestinas, pois o Estado impunha entraves.

Este tipo de emigração tinha riscos elevados, pois a deslocação era cara e muitos eram detidos pela polícia política. Porém, o Estado interveio pelos interesses dos emigrantes portugueses ao perceber os benefícios económicos e financeiros que poderia usufruir. Realizou então acordos com os países de acolhimento que permitiram a transferência dos rendimentos dos emigrantes para Portugal.

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