A Era da Mutação: Leitura e Literatura no Ciberespaço

Classificado em Psicologia e Sociologia

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Neste limiar de século e de milênio, estamos assistindo ao final de um extenso período da cultura humana (era Romântica, séculos XVIII-XIX) e, simultaneamente, estamos vivendo (conscientemente ou não) uma acelerada mutação que está engendrando uma nova cultura, radicalmente diferente da anterior, exigindo a formação de uma nova mente.

Sentimo-nos perdidos diante dessa avalanche de mudanças em todos os níveis da sociedade, porque ainda não nos foi possível descobrir racionalmente o encadeamento de todos os elos dessa transformação em curso. Talvez fique mais fácil entendermos a natureza ou o sentido desse processo que estamos vivendo se nos valermos do pensamento de Oswald Spengler (A Decadência do Ocidente, 1918-1922), ao definir cultura e civilização. [...]

Estamos hoje vivendo em pleno “ponto de mutação” (Fritjof Capra), daí a fragmentação e o desnorteamento que caracterizam o mundo que nos rodeia e que precisamos aprender a conhecer, para nele podermos agir. A grande revolução-evolução, hoje vivida por toda a humanidade, está acontecendo na esfera da cultura (da mente, do espírito, do pensamento, da reflexão, do ser interior) e, evidentemente, em conflito com a esfera da civilização, em que ainda predominam as formas consagradas ontem, mas já superadas pelas novas formas emergentes com a revolução tecnológica-cibernética que vem mudando a face do mundo, pela anulação das distâncias geográficas e pela ruptura de todos os antigos limites (espaciais, temporais, mentais, éticos, estéticos...).

[...]

É dentro desse ciberespaço, desse fascinante mundo virtual, que na esfera da educação e do ensino, o problema leitura/literatura vem crescendo em importância. E por quê? [...] Estamos vivendo em plena civilização da imagem. Mas há algum tempo se vem descobrindo que só esse contato não basta para a dinamização interior do indivíduo, para o desenvolvimento de suas potencialidades de maneira plena. Para esse estímulo, a leitura é fundamental. É o contato, a interação íntima do eu com a palavra escrita, com o texto, que o leva a desenvolver aquilo que o define como ser humano: a sua própria expressão verbal, sua fala, sua linguagem, sua própria palavra, sem a qual não há nenhuma relação profunda entre o eu e os outros que o rodeiam.

Concluímos estas reflexões enfatizando o fato de que é preciso neutralizar a ameaça de robotização que paira sobre os indivíduos neste ciberespaço. E um dos meios para essa neutralização está, sem dúvida, na literatura/leitura, que vem sendo descoberta (ou redescoberta) como um “exercício de viver” ou como fecundo instrumento de “formação das mentes” e de conhecimento de mundo, da vida [...]

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