A Natureza na Lírica de Luís de Camões

Classificado em Língua e literatura

Escrito em em português com um tamanho de 2,18 KB

Na obra de Camões, a natureza está quase sempre representada como:

  • Espaço alegre, tranquilo e sereno: propício ao amor;
  • Espelho da alma: reflete os sentimentos do poeta;
  • Confidente: testemunha da dor provocada pela ausência ou separação da amada;
  • Projeção emocional: espaço onde o “eu” projeta os seus sentimentos negativos.

A representação da natureza na lírica camoniana é um motivo poético frequente, geralmente associado à temática do amor e à representação da mulher. Esta característica percorre a lírica nacional desde as cantigas trovadorescas até à poesia palaciana.

Os quadros da natureza camoniana seguem, predominantemente, as regras do locus amoenus clássico: cenários bucólicos, diurnos e verdejantes, onde correm águas frescas e cristalinas. Associado a estes espaços idílicos, está presente o sentimento da natureza — uma influência petrarquista —, onde o sujeito poético só é sensível à beleza natural se a sua amada estiver presente ou se o seu amor for correspondido.

Existe uma relação de correspondência entre o “eu” lírico e a natureza. A sua beleza e harmonia decorrem da presença ou ausência da amada, como se verifica nos poemas “Alegres campos, verdes arvoredos” e “Se Helena apartar do campo seus olhos nascerão abrolhos”. A beleza da natureza funciona como reflexo da beleza da mulher, cuja presença tudo ilumina, como observado na cantiga “Verdes são os campos da cor de limão”. Na sua ausência, a paisagem torna-se hostil ao poeta, lembrando-lhe a saudade.

A natureza pode também estar associada ao tema da mudança (“me já não vedes como vistes”). O homem é instável, enquanto a natureza surge, aparentemente, indiferente. O poeta, então, projeta os seus sentimentos negativos na paisagem, transformando-a para que seja solidária com a sua dor, como ocorre no soneto “Alegres campos, verdes arvoredos”, onde o poeta semeia lembranças tristes e rega a terra com lágrimas para que a natureza participe do seu sofrimento.

Entradas relacionadas: