Neoplasias Odontogênicas e Cistos Maxilares: Classificação e Características

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Neoplasia: Processos e Classificação

Neoplasia: Processo caracterizado pela perda de controle dos fatores reguladores da divisão celular, levando a célula a se dividir de forma autônoma. É sinônimo de tumefação. Podem ser malignas ou benignas e são representadas por:

  • Parênquima: Células proliferantes.
  • Estroma: Tecido conjuntivo e vasos sanguíneos que sustentam e nutrem o tumor.

Tumores Benignos

Benignos: Crescimento lento e expansivo, superfície externa bem delimitada, com cápsula, com ou sem inflamação. As células são iguais às do tecido de origem, mas em maior número, bem diferenciadas. Invasão local, recidiva e metástase estão ausentes.

Tumores Odontogênicos Benignos

  • Do Epitélio Odontogênico:
    • Ameloblastoma: Raro, tem origem nos restos epiteliais de Malassez, na maxila (Max) e mandíbula (Mand).
    • Carcinoma Escamoso: Raro, origem nos restos epiteliais de Malassez, Max e Mand.
    • Tumor Epitelial Calcificante: Semelhante ao ameloblastoma, invasivo e recidivante, principalmente quando curetado.
    • Tumor Adenomatoide: Mais comum em mulheres jovens, na região anterior da Maxila, associado à coroa de caninos inclusos, assintomático. No RX, apresenta-se como uma região ovoide radiolúcida com calcificações.
  • Do Ectomesênquima Odontogênico:
    • Mixoma: Semelhante ao ameloblastoma, assemelha-se à papila dental, com recidiva, em Max e Mand. RX: radiolúcido, uni ou multilocular, separado por tabiques em ângulos retos ou curvos (aspecto de raquete de tênis). Desloca dentes, pode destruir corticais, causando reabsorção externa e mobilidade.
    • Cementoblastoma Benigno: Raro, origina-se de cementoblastos sob a forma de massas aderidas à raiz do dente. Causa expansão cortical, mais comum em pré-molares (PM) e molares inferiores. Apresenta dor, massa radiopaca contornada por halo radiolúcido, com limite corticalizado.
  • Mistos:
    • Odontoma: Assintomático, causa falha na erupção dentária, expansão óssea, mais comum na maxila. Início: proliferação do epitélio e mesênquima. Desenvolvido: calcificação de esmalte, dentina e polpa. Pode ser:
      • Composto: Tecidos dentários em ordem.
      • Complexo: Pouca semelhança com o órgão dental. Ambos possuem cápsula. Tratamento: cirurgia e curetagem.
  • Tumor Cístico Calcificante: (Gorlin) Verdadeiro neoplasma, possui células fantasmas sem núcleo, intraósseo.

Tumores Malignos

Malignos:

  • Exceções: Linfoma e Melanoma.
  • Podem ser Sarcoma (mesenquimal), Carcinoma (epitélio de revestimento) ou Adenocarcinoma (tecido glandular).
  • Características: Infiltrativo, crescimento rápido, formação de “tentáculos”, aspecto irregular, sem cápsula, provoca hemorragia, células indiferenciadas, invasão local presente, recidiva frequente, metástase presente.

Exemplos de Malignos

  • Osteossarcoma: Reação periosteal, irregular, com margem imprecisa. Apresenta aspecto de “raios de sol”. Tratamento: radical (retirada da mandíbula ou maxila), quimioterapia e radioterapia.
  • Sarcoma de Ewing: Localizado no ramo da mandíbula, reação periosteal, radiolúcido destrutivo, aspecto de “casca de cebola”. Tratamento: cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Pode haver metástase.
  • Linfoma de Burkitt: Associado ao vírus Epstein-Barr (EBV), causa mobilidade dental. Tratamento com quimioterapia, sobrevida média de 2 anos.

Fatores Carcinogênicos e Lesões Pré-Cancerizáveis

  • Fatores Carcinogênicos: Químicos (álcool, tabaco, cromo), físicos (radiação ultravioleta, ionizante) e biológicos (HPV, EBV).
  • Lesões Cancerizáveis: Leucoplasia, Eritroplasia, Queilite Actínica. Condição associada: Líquen Plano.

Cistos Maxilares

Cisto: Possui cápsula fibrosa, revestimento epitelial e líquido.

Cistos Odontogênicos Causados por Distúrbios do Desenvolvimento

  • Ceratocisto: Localiza-se no lugar do dente, degenera, formato estrelado. Comum no 3º molar inferior e ramo da mandíbula. O tamanho varia, há expansão óssea e deslocamento dentário. Pode estar ligado à Síndrome dos Carcinomas Basocelulares. Mais comum na mandíbula, em pessoas de 20 a 30 anos. RX: área circunscrita, transparente, limite nítido, uni ou multilocular, pode estar relacionado à coroa de dente incluso.
  • Cisto Dentígero: Associado à coroa de dente incluso, acúmulo de líquido entre o epitélio reduzido do esmalte e a coroa. Assintomático, evolução lenta, pode atingir grandes tamanhos. RX: radiolúcido bem delimitado, associado à coroa de dente incluso, pode ocorrer reabsorção radicular do dente vizinho, geralmente unilocular ou multilocular. Tratamento: cirurgia.
  • Cisto de Erupção: Variedade do dentígero, ocorre em crianças, assintomático, contém líquido ou sangue, pode apresentar coloração arroxeada pelo derramamento de sangue, o dente fica retido. Não requer tratamento invasivo, mas se não se romper sozinho, realiza-se marsupialização.
  • Cisto Gengival em Adultos: Pouco frequente, em pessoas de 60 a 70 anos, mucosa de cor branca, região de PM inferior. Apresenta-se como tumefação de 0,5 cm, assintomático e liso. Tratamento: cirúrgico, sem recidiva.
  • Cisto Periodontal Lateral: Localizado em PM inferior e região anterior da maxila, mais comum em homens. Tratamento: cirúrgico, sem recidiva.
  • Cisto Ósseo Calcificante (de Gorlin): Também chamado de tumor de células fantasmas ou cisto de Gorlin. Raro, em menores de 40 anos, mais em mulheres, na maxila, podendo ser extraósseo. É agressivo, desloca dentes, causa tumefação, assintomático. RX: expansão cortical, uni ou multilocular, com calcificações. Tratamento: cirúrgico. Histologicamente: células fantasmas, ocas (sem organelas).
  • Cisto Glandular: Raro, mais na mandíbula e região anterior da maxila, sexo igual. Pequenos são assintomáticos; grandes podem causar expansão óssea. RX: radiolúcida multilocular, halo radiopaco. Tratamento: curetagem, às vezes recidiva.

Cistos Causados por Inflamação

  • Cisto Radicular: Causado por morte pulpar. É o cisto mais comum dos maxilares, ocorre entre a 3ª e 6ª década de vida, assintomático (dente sem vitalidade), tamanho variado, localizado no ápice. RX: imagem sugestiva de cisto ou granuloma, radiotransparência bem definida, é possível ver a interrupção da lâmina dura. Tratamento: endodontia, enucleação do cisto, prognóstico bom.
  • Cisto Residual: Resulta de um cisto periapical não curetado completamente após a extração dental. Pode causar edema azulado.
  • Cisto Inflamatório Colateral: Associado a um canal radicular colateral.
  • Cisto Paradental: Associado à periodontite crônica, raro, observado em dente semi-incluso.

Cistos Não Odontogênicos (Fissurais)

  • Cisto Nasopalatino: Causado por infecções bacterianas ou trauma. Ocorre na 4ª e 6ª década, mais em homens, assintomático. RX: radiolúcido com limites definidos, formato de Coração. Tratamento cirúrgico, sem recidiva.
  • Cisto Nasolabial: Remanescentes ao longo da linha de fusão, causa tumefação do tecido mole que cobre a região do canino (C) ou fundo do vestíbulo, às vezes acomete a asa do nariz. Assintomático, ocorre na 4ª e 5ª década, mais em mulheres, sem RX característico. Tratamento: remoção cirúrgica, recorrência rara.
  • Cisto Globulomaxilar: Formado durante a fusão do processo globular e maxilar, localizado entre o canino (C) e o incisivo lateral (IL). Formato de Pera Invertida. Possui epitélio pseudoestratificado cilíndrico ciliado, pois provém das vias aéreas. Tratamento: cirúrgico, endodontia se necessário.
  • Cisto Mandibular Mediano: Localizado na linha média anterior da mandíbula, apicalmente ou entre as raízes dos incisivos inferiores (IC inf).
  • Cisto Palatino Mediano: Raro, localizado entre a linha de fusão, pode ser confundido com o nasopalatino; o exame histológico define.

Pseudocistos

  • Cisto Ósseo Aneurismático: Ocorre antes dos 30 anos, leve predileção por mulheres, mais na região de molares na mandíbula. Causa aumento de volume, dor e crescimento rápido.
  • Cisto Ósseo Simples: Lesão intraóssea com um fino recobrimento de tecido conjuntivo, sem epitélio; é uma cavidade vazia. Pode ser solitário: lesão radiolúcida bem definida, com variação de forma e tamanho. Envolvimento nas áreas interdentais, pode ocorrer expansão óssea e raramente reabsorção dentária. É de origem traumática e hemorrágica.

Revisão de Tumores

  • Ameloblastoma: Benigno, assintomático, localmente invasivo, causa expansão óssea, assimetria facial, mobilidade dental e reabsorção radicular. Mais comum na mandíbula. Apresenta variantes (folicular, plexiforme, acantomatoso) com aspecto de “bolha de sabão” ou “favo de mel”, uni ou multilocular. A variante periférica é maligna. RX: zona radiolúcida com limite definido e corticalizado.
  • Odontoma Composto: Tecidos dentais mais ordenados, com muitas estruturas semelhantes a dentes.
  • Odontoma Complexo: Má formação dos tecidos dentários, desordenados, porém bem formados. A classificação baseia-se na preponderância de dentículos bem organizados ou de tecidos dentais desorganizados.

Cicatrização

  • Primeira Intenção (União Primária): Ocorre quando as bordas da ferida são apostas ou aproximadas, havendo perda mínima de tecido, ausência de infecção e edema mínimo. A formação de tecido de granulação não é visível.
  • Segunda Intenção (Granulação): Ocorre quando há perda excessiva de tecido e presença de infecção. O processo de reparo é mais complicado e demorado. Este método é denominado cicatrização por granulação, pois no abscesso formam-se brotos minúsculos chamados granulações.

Observações Finais

Crescimento expansivo e mitoses raras. Frequente invasão de vasos e metástases em lesões malignas. Exemplos de tumores malignos: Linfangioma, Lipoma, Condroma, Linfoma. As células tumorais malignas são sempre indiferenciadas.

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