Nietzsche: Crítica à Religião, Razão e Democracia
Classificado em Filosofia e Ética
Escrito em em
português com um tamanho de 2,2 KB
Concordo com a visão decadente da religião e da moral cristã tradicional, porque acredito que o dogma católico não tem lugar real na sociedade moderna: apenas homens podem ser sacerdotes, rejeitam-se os homossexuais, o aborto e os preservativos. Muitos dos valores cristãos são contrários às liberdades que o Estado moderno prega.
No entanto, distanciando-me do pensamento de Nietzsche, devo dizer que não vejo nenhum problema na prática de uma crença ou ritual religioso; onde vejo o erro é na existência de uma agência que acredita ter o poder de regulamentar algo tão privado quanto as crenças do povo. Para Nietzsche, isso não seria aceitável porque, mesmo sem a Igreja, as pessoas ainda estariam subordinadas ao conceito vazio de Deus e jamais poderiam alcançar o status de super-homem. O problema seria, como eu disse, quando se quer transformar essa crença em um fenômeno social ou quando ela é aplicada institucionalmente.
Também não concordo com a total negação do papel da razão; Ortega y Gasset também não me convence. Nietzsche nega a capacidade do conhecimento racional, dizendo que a ciência não explica fatos e que nossa invenção serve apenas para nos sentirmos confortáveis e seguros no mundo. De fato, mas temos de aceitar que a ciência nos é útil, pois explica o mundo que nos rodeia.
Finalmente, não concordo com sua crítica ao sistema político democrático. Ele o rejeitaria porque acreditava que tudo o que correspondia ao povo acabava sendo, no fim, medíocre e ordinário. Eu acho que a originalidade deve partir de um fundamento de liberdade e tolerância: sob um governo ditatorial e censor, mal se pode mostrar as peculiaridades de sua pessoa, como:
- A homossexualidade;
- Formas de vestir incomuns (heavies, góticos, etc.);
- Letras transgressoras de cantores.
Ou seja, o sistema tem que igualar os indivíduos legalmente, garantindo que todos tenham os mesmos direitos de realizar a vida que querem, sendo originais ou não. Como pode ser visto no aspecto político, prefiro mais as teorias kantianas.