Nietzsche e Ortega y Gasset: Vitalismo e Raciovitalismo

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Dada esta dicotomia entre cultura e vida, um antecessor de Ortega, Nietzsche (que influencia grandemente a sua filosofia), indignou-se pela predominância da vida como o órgão supremo que teria de subordinar tudo o mais (incluindo a cultura). Nietzsche foi um filósofo vitalista alemão que viveu durante a segunda metade do século XIX e cuja teoria significou uma ruptura completa com o passado.

Em seus livros, ele se preparava para atacar a cultura de que o nosso texto fala:

  • Contra a língua: a qual ele acusou de objetivar a realidade e de tentar transformar a realidade em vãos conceitos, abstrações que ignoram o particular.
  • Contra a metafísica: cujas teorias têm dividido o mundo em um "mundo real" da razão e um mundo "aparente" dos sentidos (dualismo ontológico). Para Nietzsche, essas teorias são apenas o resultado do preconceito contra a vida e uma tentativa de escapar da cessação da vida, dando significado à existência no infinito. Não é apenas o mundo que percebemos através dos nossos sentidos.
  • Ataque à moral: aquele que se opõe ao instinto. A vida tem que ser a referência para julgar o que é bom (aquele que promove a vida) e ruim (o que a rejeita).

Além de defender o pensamento vitalista, o filósofo afirma que Deus perdeu o seu significado no mundo de hoje e, portanto, declara que "Ele está morto". Sua morte deixa-nos sem teto, sem uma bússola para a vida, acreditando que nada faz sentido: o niilismo. No entanto, perante esta angústia, ele propõe a criação de novos valores, uma tarefa que vai ocupar o Super-homem — aquele que ama a vida, cria seus próprios valores, permanece fiel à terra e despreza a fraqueza do homem. Esse Super-homem é a personificação da vontade de poder que se opõe à mumificação do devir.

Assim, a filosofia de Ortega baseia-se na visão alemã sobre a vida, reconhecendo os seus direitos. No entanto, para Nietzsche, a vida é uma vida irracional, com base nos instintos e vivida apenas no presente. A razão é vista como o grande enganador, que deve ser rejeitado.

O filósofo madrileno criticou, em primeiro lugar, essa concepção temporal de vida, pois para ele o ser humano é projetado no futuro; e, por outro lado, criticou a negação do papel importante que a razão desempenha na vida. Para o criador do raciovitalismo (como já foi dito antes), a razão humana é indubitavelmente um recurso que nos permite conhecer e, portanto, dizer que a vida humana é puramente irracional é apenas uma traição à realidade.

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