Níveis de Representação Mental e Teorias do Conhecimento

Classificado em Filosofia e Ética

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1.1. Representação, Formas e Níveis de Realidade Mental

Descrevemos aqui os vários processos cognitivos que permitem aos seres humanos representar a realidade, comparando e apontando as suas vantagens e desvantagens. A linguagem é o processo-chave que permite um salto qualitativo na nossa representação do mundo e na constituição do nosso conhecimento.

Existem três níveis de representação, cada um operando a partir dos dados oferecidos pelo nível anterior. Este é o chamado construtivismo, a base do nosso conhecimento do mundo.

1.1.1. Percepção

É o primeiro nível, composto por dois processos:

  • Sensação: Recolha de informações (dados dos sentidos) - processo passivo.
  • Percepção: Interpretação dos dados - processo ativo.

O resultado é o objeto de percepção, com as seguintes características:

  • Exige a presença do estímulo.
  • Construída a partir dos dados sensoriais (matéria-prima: sensação).
  • Apresentada de forma única e concreta.
  • Ocorre em tempo e espaço definidos.
  • É direta, clara e precisa.
  • As qualidades são impostas, não podendo ser modificadas pela vontade.

Teorias fundamentais:

  • Associacionismo: Percebe primeiro as partes separadas e independentes, depois o todo.
  • Gestalt: Percebe primeiro o todo como uma forma e, em seguida, as partes concretas.

1.1.2. Representações

É o segundo nível, consistindo em dois processos psicológicos:

  • Memória: Conservar e reproduzir informações na ausência do estímulo.
  • Imaginação: Reelaborar informações armazenadas (capacidade de criar imagens).

O resultado é a imagem (representação do objeto), com as seguintes características:

  • Não exige a presença do estímulo.
  • Reproduzida a partir de percepções anteriores.
  • Apresentada de forma específica.
  • Não está necessariamente vinculada a um momento ou espaço.
  • É mais difusa, menos definida e manipulável pela vontade.

1.1.3. Simbolização

É o terceiro nível, envolvendo a reelaboração da informação no pensamento abstrato e na linguagem. O resultado é o conceito (símbolo que representa a realidade).

  • Não exige a presença do estímulo ou da imagem.
  • Construída a partir de percepções e representações anteriores.
  • Apresentada de forma universal (classe que define o conceito).
  • Apresentada de forma abstrata (características comuns à classe).
  • Apresentada como um símbolo.

1.2. A Relação entre o Conhecimento e a Realidade

Analisamos as quatro possibilidades mais importantes que surgiram ao longo da história da filosofia:

1.2.1. Realismo Ingênuo

Visão dominante até o início da filosofia moderna: Pensamento → Ideias → Realidade. A relação é de identidade: o conhecimento é uma cópia fiel e idêntica das coisas.

1.2.2. Realismo Moderado

Descartes discute a validade do conhecimento partindo de "penso, logo existo". Deus é a garantia de que o que está na mente coincide com a realidade. O conhecimento reflete aspectos quantificáveis (matematizáveis), mas os sentidos podem ser enganosos.

1.2.3. Fenomenologia

A relação é causal: o conhecimento é causado pelas coisas, mas não sabemos se é semelhante ao que elas realmente são. Conhecemos apenas o fenômeno.

1.2.3.1. Fenomenalismo de Hume

Hume distingue impressões (diretas) e ideias (mentais). Como não temos impressão da relação entre ideias e realidade externa, a existência desta última é incerta (ceticismo).

1.2.3.2. Fenomenalismo Kantiano

O fenômeno é o dado externo definido pelas formas do sujeito. O númeno (a coisa em si) é incognoscível. A mente constrói o objeto através de categorias de causa e efeito.

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